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Risco de idoso desenvolver formas graves da covid-19 pode ser ponderado

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Imagem: iStock

26/04/2020 11h42

Pessoas idosas são mais frágeis diante da covid-19. Esta mensagem, que foi repetida desde o começo da epidemia, é uma realidade estatística. Mas as consequências práticas para os mais velhos devem ser cuidadosamente ponderadas e o confinamento também pode trazer riscos, segundo especialistas.

Pessoas idosas são mais frágeis diante da Covid-19. Esta mensagem, que foi repetida desde o começo da epidemia, é uma realidade estatística. Mas as consequências práticas para os mais velhos devem ser cuidadosamente ponderadas e o confinamento também pode trazer riscos, segundo especialistas.

"O risco de ter uma forma grave da doença aumenta progressivamente com a idade e isso acontece a partir dos 40 anos", alerta a OMS, que considera a idade de 60 anos para delimitar a categoria de pessoas que correm maior risco, juntamente com as que sofrem doenças crônicas.

Mas certos países, como o Reino Unido, estabeleceram o limiar de 70 anos para definir as pessoas aconselhadas a respeitar um isolamento estrito.

Os dados publicados desde a aparição da pandemia mostram, no entanto, um aumento significativo do risco a partir dos 60 anos. Um estudo publicado na revista The Lancet, em 31 de março, estima que a taxa de mortalidade é de 4% em pacientes chineses com idades entre 60 e 69 anos, contra 1,4% em todos os doentes.

Mas o número é claramente inferior ao das pessoas de 70 anos (8,6%) e das pessoas de 80 anos ou mais (13,4%).

A proporção de pacientes que necessitam ser hospitalizados também aumenta muito com a idade e é de 4,3% para pessoas entre 40 e 49 anos, 11,8% para as que têm entre 60 e 69 e 18,4% para as pessoas de mais de 80 anos, o que significa um quinto dos pacientes dessa faixa etária.

As informações são semelhantes nos outros países atingidos. Na França, 71% das mortes nos hospitais e 51% das hospitalizações são de pessoas de 75 anos ou mais, segundo Santé Publique France, o órgão responsável pela saúde pública na França. Mais de um terço das vítimas no país são pessoas idosas dependentes que vivem em asilos.

População heterogênea

No entanto, "a idade não se resume somente ao número de anos", destaca a Academia Nacional de Medicina da França.

Para a instituição, os "dados estatísticos incontestáveis" são, antes de mais nada, um "reflexo" do estado de dependência e de problemas de saúde mais frequentes com o avanço da idade.

Os médicos preferem falar de idade fisiológica, porque pacientes da mesma faixa etária podem ter sistemas imunológicos e estados de saúde bem diferentes.

As informações ainda desconhecidas sobre a covid-19 fazem com que seja mais difícil identificar as pessoas que correm riscos.

"É muito difícil prever atualmente os pacientes que vão desenvolver formas graves, necessitando uma hospitalização, e os que hospitalizados vão ver seu estado piorar", observa a infectologista Florence Ader, conselheira do governo francês na luta contra o coronavírus.

"Sabemos fazer uma avaliação padronizada da fragilidade de um paciente idoso", a partir de comorbidades (doenças cardíacas ou pulmonares, diabetes, obesidade), mas também de seu estado psicológico, nutricional, cognitivo, explica Olivier Guérin, presidente da Sociedade Francesa de Geriatria e Gerontologia à AFP.

"Mas não temos dados suficientes para dizer, dentro dessa fragilidade, quais elementos pesam mais na alteração de uma resposta ao vírus", completa.

Confinamento de idosos

A hipótese de um isolamento prolongado somente para os idosos, como foi indicado em um primeiro momento pelo governo francês que desistiu da ideia, não é bem aceita por especialistas.

Para Guérin, a pessoa em questão é a "única apta a julgar se o risco é aceitável". Além disso "o doente idoso não transmite mais o vírus que outros doentes".

Por isso, para definir quem é realmente frágil, a opinião de um médico é importante.

Riscos do confinamento

O isolamento também tem riscos específicos para os idosos. "A grande dificuldade é que não temos capacidade científica para determinar o equilíbrio entre benefícios e riscos do confinamento. Mas observamos, cada vez mais, que ele não é tão favorável", alerta Guérin.

Para as pessoas que já são muito vulneráveis, especialmente nos asilos, muitos médicos alertam sobre a síndrome do burnout, um estado de angústia amplificado pelo isolamento, que pode ser fatal.

Para outros, o desafio é preservar a autonomia, porque a perda de músculos devido à baixa atividade física ou a uma má alimentação podem fazê-los entrar em uma zona de fragilidade.

O aspecto psicológico e de preservação das relações familiares e sociais influenciam, também, na prevenção do declínio cognitivo e da motivação das pessoas idosas a aplicar conselhos de atividade ou alimentação saudável.

"A prevenção da covid-19 deve se inserir na prevenção do envelhecimento em seu conjunto", diz Matthieu Piccoli, presidente da Associação de Jovens Geriatras da França.

Por outro lado, a diminuição dos cuidados médicos, por medo de contrair o vírus no consultório médico ou devido ao uso de teleconsultas nem sempre adaptadas para essa população, fez aumentar o número de pessoas com doenças crônicas em desequilíbrio nos prontos socorros, como por exemplo, insuficiências cardíacas.

"Este é um argumento importante para dizer que é necessário flexibilizar o confinamento desta população. Caso contrário, eles vão morrer, mas de outra coisa", completa Piccoli.

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