Coqueluche: cidade de SP registra 105 casos em 2024 contra 14 em 2023 todo

A cidade de São Paulo registra 105 casos confirmados de coqueluche até o dia 5 de junho; em abril, eram 17 casos. No ano de 2023 inteiro, foram confirmados 14 casos na capital paulista. Os dados estão sujeitos a alterações.

O aumento de notificações gerou um alerta, atualizado no dia 6 de junho, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa).

Dos casos confirmados, há maior concentração no público adolescente de 10 a 19 anos (73 casos) seguido do infantil abaixo desta faixa etária (24 casos).

Foram notificados 15 surtos no município de São Paulo, sendo 11 em escolas e 04 surtos domiciliares. Todas as medidas de prevenção e controle foram realizadas. (...) Frente ao cenário epidemiológico atual, é importante
que toda rede assistencial e de vigilância mantenha-se alerta para a doença.
Trecho do comunicado da Secretaria Municipal de Saúde

Vacina é a principal medida de prevenção da doença

"Isso já vem ocorrendo há alguns anos e é reflexo da baixa adesão vacinal", afirma Emy Akiyama Gouveia, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

Em dez anos a cobertura vacinal da DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, caiu muito no país.

Em 2012, o Brasil vacinou 93,81% do público-alvo e a Região Sudeste alcançou a maior cobertura (95%). Já em 2022 o índice geral ficou em 77,25% e o Sudeste despencou para 74,79%, mostram os dados do DataSUS (o sistema de informática do Sistema Único de Saúde - SUS).

Cerca de 1,6 milhão de crianças não receberam nenhuma dose dela entre 2019 e 2021, segundo um informe da Unicef.

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A vacina tem uma alta taxa de proteção e deve ser dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses, com reforço aos 15 meses e aos 4 anos, segundo o calendário do Ministério da Saúde.

No entanto, a imunidade, apesar de duradoura, não é permanente e cai após cinco ou dez anos. Daí a importância dos reforços nos adultos a cada dez anos.

Segundo a infectologista, isso ajuda a reduzir a circulação da bactéria e proteger crianças e bebês. Há também uma vacina acelular (dTpa) que as gestantes devem tomar a partir da 20ª semana de gestação e que oferece proteção ao recém-nascido.

Causada pela Bordetella pertussis, uma bactéria que vive na garganta das pessoas, a coqueluche também é chamada de "tosse comprida" e se caracteriza por crises de tosse seca incontroláveis, intercaladas com a ingestão de ar, que provoca um som agudo, como um guincho ou chiado.

Também pode haver vômitos e falta de ar, levando à cianose —estado em que a pessoa fica com uma coloração azul-arroxeada pela falta de oxigenação no sangue.

A doença ocorre principalmente em menores de 1 ano de idade devido ao esquema vacinal incompleto. Dependendo do estado da imunização, ela pode causar pneumonia, convulsões e comprometimento do sistema nervoso, e até levar à morte.

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A transmissão se dá por via respiratória e por gotículas de saliva quando a pessoa fala, tosse ou espirra. O tratamento é feito com antibióticos e, quanto mais precoce, maior a chance de reduzir a gravidade e a transmissibilidade da doença.

*Com informações de reportagem da Agência Einstein.

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