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Mais que ato de amor: tomar vacina na gravidez fornece proteção aos bebês

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Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

15/08/2022 04h00

Dizem que se vacinar é um ato de amor, e no caso das gestantes essa afirmação é ainda mais verdadeira. Isso porque, quando uma grávida se vacina, ela protege a si e ao filho enquanto ele ainda está na barriga dela, mas também nos primeiros meses de vida dele.

"A imunização materna consiste em vacinar a mãe para que os anticorpos produzidos na gestação atravessem a placenta e protejam o feto e o recém-nascido até que o calendário básico de vacinação da criança esteja cumprido, o que se dá por volta dos seis meses de idade. Além disso, os anticorpos também passam pelo leite materno, o que reforça ainda mais a imunidade do bebê", explica Évelyn Traina, professora adjunta no Departamento de Obstetrícia da EPM-Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo).

Segundo a infectologista Ana Paula Alcântara, as vacinas na gestação fornecem proteção passiva aos bebês quando eles ainda não podem ser vacinados. "A gestante imunizada confere proteção até o recém-nascido evoluir com amadurecimento do seu sistema de defesa imunológico e produzir seus próprios anticorpos. A imunização materna é uma das estratégias de proteção e prevenção a transmissão de infecções para o bebê", afirma a médica, que também é vice-presidente da Sociedade Bahiana de Infectologia e professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Atualmente, 4 vacinas fazem parte do calendário oficial das gestantes:

1) Vacina tríplice bacteriana do tipo adulto (dTpa) protege contra três doenças: difteria, coqueluche e tétano.

"A coqueluche é uma doença causada por uma bactéria e cursa com acessos de tosse. Pode ser grave, principalmente em crianças pequenas. Já o tétano neonatal pode ser adquirido devido à contaminação de objetos não esterilizados adequadamente, e usados, por exemplo, para o clampeamento do cordão. É raro graças à vacinação, mas atinge recém-nascidos de 5 a 7 dias de vida e pode ser grave. As duas doenças podem levar à criança ao óbito", comenta a ginecologista Évelyn, membro da Comissão Nacional Especializada de Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia).

Quando tomar: após a 20ª semana de gestação. Deve ser repetida a cada gravidez, independentemente de quando a mulher engravidou a última vez.

hepatite, fígado, doença hepática - iStock - iStock
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2) Hepatite B: protege contra a hepatite B. O objetivo da vacina é evitar que a mulher pegue a doença durante a gravidez e passe para o bebê.

"90% dos bebês que são infectados pela mãe durante o parto desenvolvem a forma crônica da doença que pode levar ao câncer do fígado, a cirrose hepática e ao óbito", afirma a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Quando tomar: para mulheres previamente não vacinadas é necessário iniciar o esquema do zero (3 doses) em qualquer momento da gravidez. Quem já tomou alguma dose, só precisa completar; e quem já tomou o esquema completo antes de engravidar não precisa repeti-lo.

3) Vacina contra influenza: protege contra a gripe, causada pelo vírus influenza, que pode apresentar quadros graves na gestante.

Quando tomar: é anual e deve ser tomada em todas as gestações.

4) Vacina contra a covid-19: indicada devido ao maior risco de doença grave na gestante. "Na ausência da vacina, há maior risco de internação em UTI e intubação. Apesar da transmissão da covid para o feto e recém-nascido ser rara, quando a mãe apresenta doença grave há maior chance de parto prematuro e óbito fetal", diz a professora da Unifesp.

Quando tomar: o calendário segue as recomendações do Ministério da Saúde e de outros órgãos oficiais.

Essas são as quatro vacinas recomendadas para todas as gestantes, mas em algumas situações, como no caso de doenças crônicas ou risco de epidemias, outras podem ser indicadas, entre elas, contra pneumonia, meningite e febre amarela.

De acordo com a infectologista Ana Paula, as vacinas indicadas na gestação são seguras e eficazes, no entanto, reações adversas leves podem ocorrer, como dor no local de aplicação, febre e/ou sintomas gripais.

Contrair uma doença prevenível por vacina durante a gravidez pode ser perigoso para mãe e para o bebê e trazer riscos como infecções, interrupção da gestação, parto prematuro e até a morte da mulher ainda gestante, de acordo com a vice-presidente da SBIm.

Vacinas que as gestantes não podem tomar

Vacina em Alagoas; Vacina Grávida - Carla Cleto/Ascom Sesau - Carla Cleto/Ascom Sesau
Imagem: Carla Cleto/Ascom Sesau

Se por um lado é extremamente importante que as grávidas tomem as vacinas recomendadas, por outro, há aquelas que elas não podem tomar, são as chamadas vacinas atenuadas, isto é, que contém vírus vivo: sarampo, caxumba e rubéola (chamada tríplice viral), varicela (catapora), HPV, dengue e febre amarela —conforme já explicado, esta última pode ser indicada em situações onde o risco da doença é maior que o risco da vacinação, como em áreas endêmicas.

Segundo Ballalai, essas vacinas são contraindicadas por uma questão de segurança, no entanto, não há motivo de desespero se a mulher tomou sem saber que estava grávida.

"Muitas gestantes em todo o mundo já foram, o que a gente chama de inadvertidamente vacinadas, isso quer dizer, imunizadas porque não sabiam que estavam grávidas. Se porventura elas tomaram a vacina da febre amarela ou a tríplice viral porque desconheciam a gravidez, elas podem ficar tranquilas que não há registros de malformação ou problema para o feto. Temos bastante dados na literatura de que esse é um risco teórico —que ninguém quer correr—, mas não é motivo de pânico."

A estratégia Cocoon

Além da vacina dTpa, que a mulher toma após a 20ª semana de gestação, uma outra forma para proteger o bebê da coqueluche é através da estratégia Cocoon, também conhecida como "casulo".

"Ela consiste em vacinar os adultos e familiares próximos (como irmãos, tios, avós) para proteger o recém-nascido da doença, que é transmitida principalmente por pessoas que convivem com ele", explica a professora da Unifesp.

"Cocoon" significa casulo em inglês. Vale ressaltar que os bebês recebem a vacina da coqueluche aos 2, 4 e 6 meses de vida, sendo que a imunidade se dá apenas após a última dose.

Onde tomar as vacinas?

Mulher grávida tomando vacina - iStock - iStock
Imagem: iStock

Todas as vacinas recomendadas para as gestantes têm cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde) e estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde.

Além das vacinas do calendário oficial, também são ofertadas na rede privada as vacinas contra:

  • Hepatite A: recomendada para gestantes com menos de 16 anos;
  • Vacina pneumonocócica: indicada em situações especiais de maior risco para pneumonia;
  • Vacina meningocócica (conjugada ACWY, C e B): também é recomendada em situações específicas e protege contra a meningite.

Neste site dá para saber todas as vacinas que as gestantes devem tomar: https://www.vacinasparagravidas.com.br/.