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Quarta dose da vacina contra a covid-19 pode dar reação mais forte?

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Imagem: Getty Images

De VivaBem, em São Paulo

28/07/2022 16h20

Desde março, o Ministério da Saúde recomenda a aplicação da segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19.

A chamada quarta dose —para quem iniciou a vacinação com Pfizer, CoronaVac ou AstraZeneca— é necessária porque a proteção contra a doença cai ao longo do tempo. E, assim como foi na aplicação de outras doses, algumas pessoas que estão recebendo o imunizante têm sofrido reações como febre e dores no corpo. Mas por que isso acontece? A quarta dose gera mais efeitos adversos? Explicamos a seguir.

Por que temos reação às vacinas?

Reações são algo totalmente normal e esperado ao receber qualquer imunizante —o que não significa que você sempre vá sofrer com efeitos adversos ao ser vacinado. As reações podem ocorrer pois, para que nosso organismo gere uma resposta imunológica, as vacinas provocam uma inflamação. Esse processo inflamatório é que pode causar sintomas como dor no braço, dor de cabeça ou no corpo, febre baixa, indisposição, diarreia etc.

"Qualquer vacina pode gerar reação, é esperado, o corpo reconhece aquilo como uma agressão e vai usar diferentes ferramentas para combatê-la", explica Marcelo Ducroquet, infectologista e professor da Universidade Positivo, em Curitiba (PR).

Os tipos e a intensidade dos sintomas variam de pessoa para pessoa e não querem dizer que a vacina gerou mais ou menos anticorpos.

A quarta dose dá reação mais forte?

Isso não é o esperado. Geralmente, após tomar uma vacina, as doses sequentes tende a provocar efeitos adversos mais fracos, pois o nosso organismo já conhece o antígeno e sabe que não precisa reagir tão fortemente a ele.

Em estudos com a Pfizer e a Moderna nos EUA, por exemplo, houve diminuição de efeitos colaterais a cada dose. "Talvez, quem tomar na quarta dose a mesma vacina que recebeu anteriormente não sinta nada ou tenha poucos efeitos adversos", diz Ducroquet.

Mas por que há gente sofrendo forte reação? Segundo Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), provavelmente, essas pessoas receberam na segunda dose de reforço um imunizante de fabricante diferente do que nas doses anteriores. Então, como o organismo ainda não teve contato com aquele antígeno específico, a reação inflamatória tende a ser mais forte.

"Mas são efeitos adversos leves, tranquilos e benignos", explica Diniz. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores no corpo e dor no local de aplicação, que costumam sumir em até dois dias e podem ser aliviados com uso de analgésicos. Entre prós e contras, os especialistas recomendam que, quem já pode, deve tomar o quanto antes a quarta dose.

"Os benefícios superam os riscos. A covid está deixando muitas sequelas, a possibilidade de um evento adverso pós-vacina é muito menor do que o risco de contrair a doença e ela evoluir de forma não esperada", afirma Lorena Diniz.

Além disso, baixas coberturas vacinais possibilitam a manutenção da circulação do vírus, o que permite a formação de novas cepas que podem gerar outros picos de infecção e mortes, como vimos com a ômicron.