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Tratamento do câncer em idoso deve ser personalizado

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Imagem: iStock

Gabriela Cupani

Da Agência Einstein

03/07/2022 04h00

O tratamento do câncer é um desafio por si só e ele se torna ainda maior quando o paciente é idoso, especialmente se ele já passou dos 80. Nessa faixa etária, a idade cronológica não quer dizer muito. Afinal, ninguém envelhece do mesmo jeito e nenhum tratamento funciona da mesma forma para um público tão diverso. Por isso, a abordagem deve ser extremamente personalizada, levando em conta vários aspectos, como o estado geral de saúde, a história clínica, a expectativa de vida e, claro, a vontade da pessoa.

Trata-se de um equilíbrio delicado. "O desafio é não oferecer tratamentos de mais, nem de menos", explica a oncologista Ludmila Koch, do Hospital Israelita Albert Einstein. "É preciso pesar o que oferecer versus a qualidade de vida e a expectativa de vida daquele paciente", continua. Não se pode abordar da mesma forma um paciente saudável, com plenas capacidades, da mesma forma que outro que possua outras doenças, muitas vezes mal controladas, e com baixa chance de responder ao tratamento.

Por isso, antes de mais nada, é preciso fazer um retrato completo daquele indivíduo. Por meio de ferramentas específicas, os médicos conseguem fazer uma avaliação geriátrica ampla que leva em conta o estado geral, a capacidade cognitiva, a funcionalidade e até o nível de autonomia do paciente. Assim, é possível saber se ele tem doenças pré-existentes, quais remédios toma, como está sua composição corporal, a força muscular, seu risco nutricional, o risco de toxicidade à quimioterapia e sua capacidade cognitiva.

Também é essencial saber do estado emocional daquele paciente, se ele tem risco de depressão por exemplo, e se consegue fazer as atividades básicas do dia a dia e cuidar das suas necessidades diárias, se mora sozinho. Tudo isso sem perder de vista o desejo daquela pessoa.

A partir dessas informações, é possível definir o tratamento mais adequado. Se o idoso está plenamente saudável, pode receber procedimentos padrão, inclusive cirurgias. Se tem alguma vulnerabilidade, talvez a opção seja modificar as doses da quimioterapia, por exemplo, para tornar a terapia menos agressiva. Nos mais fragilizados, às vezes só é possível fazer controle dos sintomas. "Em alguns casos, uma quimio pode até antecipar a morte", conta Ludmila.

Mas essa avaliação não se limita a nortear a conduta contra o câncer. A ideia é que ela sirva para fazer uma intervenção multidisciplinar antes e durante o tratamento, ajudando a atravessar melhor essa etapa e garantindo mais qualidade de vida em geral. Assim que um problema é detectado, o idoso deve ser encaminhado ao profissional especializado.

"A partir dos dados da avaliação geriátrica, direcionamos a reabilitação, que pode incluir nutricionista, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, entre outros", explica a geriatra Polianna Souza, do Hospital Israelita Albert Einstein. "O objetivo é melhorar toda a reserva orgânica e aumentar a chance de desfechos positivos", conclui.

Envelhecimento mundial

Diante do envelhecimento da população mundial, o número de pacientes idosos com câncer só tende a aumentar. "A gente vive mais, e o próprio envelhecimento propicia mais chances de dificuldades no reparo do DNA das células, aumentando o risco de desenvolver tumores", explica Ludmila. "As doenças agudas como infarto ou derrame estão sendo substituídas por crônicas, como o câncer", continua. E os campeões continuam sendo mama, próstata, pulmão e cólon.

Embora muito nova, a oncogeriatria é uma área que vem ganhando mais interesse entre os médicos. "Os profissionais da saúde estão se sensibilizando para as necessidades especiais desse público", observa Polianna.
No Brasil, se hoje os idosos representam pouco mais de 10% da população, esse número deve chegar a quase 30% em 2050, segundo dados do IBGE. Estima-se que 20% dos portadores de tumores no mundo terão mais de 80 anos.

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