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Pesquisadores brasileiros identificam gene associado a câncer infantil

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Imagem: iStock

Letícia Naísa

De VivaBem

21/06/2022 17h37

Cientistas brasileiros identificaram um gene associado a um tipo grave de tumor cerebral que afeta principalmente crianças, o meduloblastoma. A descoberta pode ajudar no avanço de tratamentos e medicamentos para a doença.

A pesquisa foi publicada no periódico NeuroMolecular Medicine por um grupo do ICI (Instituto do Câncer Infantil), do HCPA (Laboratório de Câncer e Neurobiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre) e da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), no sábado (18).

Entre os cânceres infantis, o meduloblastoma é um dos mais frequentes e também mais fatais. Existem quatro tipos desse câncer, que atinge o cerebelo, no sistema nervoso central. O órgão é regulado por um gene chamado de ZEB1, que regula a expressão de outros genes associados à regulação epigenética.

Os pesquisadores do ICI analisaram 850 tumores retirados de pacientes, além de amostras de cerebelos saudáveis e células de meduloblastoma cultivadas em laboratório, para descobrir que a presença do ZEB1 é aumentada de forma anormal nos tumores em relação ao cerebelo normal. O gene também é aumentado em casos mais graves de meduloblastoma.

Especificamente em casos mais agressivos da doença, que necessitam de tratamento mais intenso, um aumento maior do gene ZEB1 é associado de forma significativa a uma redução na expectativa de vida dos pacientes com meduloblastoma. Já em casos menos graves, os pesquisadores observaram o contrário: maior presença de ZEB1 é associada a maior chance de sobrevivência a longo prazo.

Tratamentos

O estudo indica, pela primeira vez, que o ZEB1 pode ser um biomarcador que pode ajudar a diagnosticar e tratar melhor a doença. Os cientistas cultivaram células cancerosas de dois tipos de meduloblastoma e as trataram com um medicamento que regula a função do sistema imune e mecanismos epigenéticos e é usado no tratamento da esclerose múltipla. No laboratório, o remédio apresentou atividade antitumoral contra células de meduloblastoma.

O resultado pode indicar que é possível reduzir, com medicamento, o conteúdo anormal de ZEB1 em meduloblastoma de tipos mais graves, sugerindo uma possível nova estratégia de tratamento que ainda precisa ser explorada em novos estudos.

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