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Coceira na pele não é só alergia: veja o que pode ser e como aliviar

Saiba as possíveis causas de coceira na pele e como tratar - Anupong Thongchan/EyeEm/Getty Images
Saiba as possíveis causas de coceira na pele e como tratar Imagem: Anupong Thongchan/EyeEm/Getty Images

Carol Firmino

Colaboração para VivaBem

17/06/2022 04h00

A pele é considerada o maior órgão do corpo humano, e cuidar dela é tão necessário quanto tratar sintomas que se manifestam internamente. Por mais que uma coceira na pele leve e de curta duração seja comum, ela pode se tornar algo grave e difícil de conviver se não tiver suas causas identificadas a curto prazo.

Alergia à picada de inseto e pele ressecada podem até ser considerados motivos comuns, mas, quando a coceira é acompanhada de vermelhidão, manchas, feridas e outras manifestações parecidas, procurar um dermatologista é a melhor forma de encontrar um tratamento adequado.

Para entender as principais causas de coceiras na pele e o que fazer quando elas surgirem, VivaBem consultou especialistas que comentaram algumas situações:

Infecções na pele

Elas podem ser causadas por fungos, parasitas ou bactérias, que causam lesões e reações inflamatórias, provocando coceiras na pele. As mais comuns são:

  • Micoses: podem atingir qualquer parte do corpo; candidíase cutânea, cuja causa é a presença do fungo Candida, mais comum nas dobras do corpo, como seios, virilhas e axilas;
  • Escabiose: doença contagiosa caracterizada por lesões disseminadas que coçam mais à noite e é provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei;
  • Herpes: com maior recorrência nos lábios e nos genitais;
  • Impetigo: pode formar feridas com pus e crostas.

Tratamentos possíveis: o médico pode indicar o uso de antifúngicos, antibióticos ou antialérgicos, a depender dos microrganismos identificados.

Dermatites

Esta é uma doença inflamatória que pode ter causa genética ou autoimune —que envolve um processo alérgico crônico. Algumas delas são:

  • Atópica: ocorrem crises de prurido e eczema, em geral com início na infância, podendo se associar à asma ou rinite alérgica;
  • Seborreica: mais comum no couro cabeludo e regiões oleosas do corpo;
  • Herpetiforme: tem mais recorrência em pessoas celíacas ou intolerantes a glúten;
  • Psoríase: doença crônica motivada pela multiplicação das células da camada superficial da pele;
  • De contato: provocada pelo contato da pele com substâncias irritantes, como sabões, detergentes, água sanitária, etc. Também podem ser produzidas por mecanismos alérgicos, como ocorre na alergia a brincos, perfumes, cosméticos ou tecidos.

Tratamentos possíveis: os dermatologistas devem avaliar as características das lesões causadas pelas coceiras para poder receitar cremes hidratantes, à base de ureia, por exemplo, remédios corticoides ou antialérgicos.

Reações alérgicas

As picadas de inseto constituem causa frequente de prurido e são facilmente reconhecíveis, em geral ocasionando desconforto passageiro. As cicatrizes, independentemente da etiologia, também podem evoluir com coceira, que está relacionada ao processo de reparação do tecido danificado.

Outras causas comuns de coceiras por reações alérgicas estão relacionadas a calor ou suor excessivo, pelos de animais, poeira, medicamentos, cosméticos, alimentos e mais.

Tratamentos possíveis: cada caso prevê uma conduta médica, principalmente se houver sintomas graves, quando o paciente pode precisar de remédios injetáveis.

Pele seca

Esta pode ser, por si só, uma causa de prurido, frequente em idosos e pessoas que vivem em locais de clima frio, principalmente nas pernas. A exposição solar inadequada também pode danificar a pele e causar ressecamento.

Tratamentos possíveis: para minimizar esses fatores, recomenda-se usar protetor solar, evitar banhos demorados, uso de buchas, preferir sabonetes suaves e hidratar a pele logo após o banho.

Doenças sistêmicas

Algumas doenças sistêmicas, como o hipotireoidismo, podem levar a um maior ressecamento da pele e, consequentemente, à coceira. É importante lembrar também que o fígado, os ductos biliares e a vesícula são órgãos fundamentais para o metabolismo da bilirrubina, participando de sua produção, excreção e estocagem.

Então, se algumas doenças comprometem esse fluxo da bile, o pigmento bilirrubina pode chegar à corrente sanguínea e ficar acumulado.

Nesses casos, a pele pode coçar e ficar amarelada, assim como a parte branca dos olhos, a urina fica escura e as fezes podem se tornar claras. Dentre as substâncias existentes na bile, algumas delas podem ser causadoras de coceira, por se acumularem e estimularem estruturas nervosas existentes na pele. Essa coceira pode ser intensa, generalizada e não controlada.

Outras doenças sistêmicas que podem provocar o prurido na pele são infecções virais, como zika, catapora e dengue; HIV, como resultado de alterações autoimunes; e o próprio câncer de pele, com feridas que crescem, não cicatrizam e, por consequência, coçam.

Tratamentos possíveis: é necessário atacar as causas da coceira, que devem ser identificadas pelo médico. No entanto, manter a pele sempre hidratada pode ajudar a melhorar o incômodo.

Doenças psicológicas

Fatores como estresse e ansiedade podem potencializar a sensação de coceira, fazendo com que a pessoa danifique a pele pelo ato de coçar, produzindo ferimentos. Atenção e acompanhamento psicológico, nesses casos, são necessários, pois é possível que eles evoluam, inclusive, para um "ciclo vicioso", no qual quanto mais o indivíduo coça e danifica a pele, mais sente vontade de continuar a coçar.

Muitas vezes, a coceira pode interferir na qualidade do sono e do ânimo para realizar atividades no trabalho para estudar.

Tratamentos possíveis: o diagnóstico requer uma investigação, pois as causas podem combinar motivos simples e de fácil tratamento a doenças mais complexas, que requerem acompanhamento especializado.

Fontes: Camila Marinho Farias, gastroenterologista e endoscopista digestiva, professora do curso de Medicina do Unipê (Centro Universitário de João Pessoa); Carlos Machado, médico pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), clínico geral especialista em medicina preventiva e nefrologista; Carolina Milanez, dermatologista, médica pela Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), com pós-graduação em cosmiatria pela Unifesp; Joanne Ferraz, dermatologista e professora do curso de medicina do Unipê (Centro Universitário de João Pessoa); e Vanessa Prado, cirurgiã do aparelho digestivo e médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho (SP).

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