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Desmaio, sono, perda de peso: 10 sinais de alerta para procurar um médico

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Imagem: iStock

Amanda Milléo

Colaboração para VivaBem

06/06/2022 04h00

O corpo dá sinais de quando algo não vai bem. Mesmo em doenças crônicas, como a hipertensão, conhecida por ser uma condição silenciosa, há sintomas que podem servir de alerta para o início do problema, como uma dor de cabeça diferente.

Mudanças súbitas de comportamento ou físicas, por exemplo, merecem especial atenção, pois podem indicar desde diabetes a insuficiência cardíaca. Perceber o que o organismo quer dizer é especialmente importante entre os idosos, já que a idade aumenta o risco de ter várias doenças associadas.

Confira abaixo uma lista de sinais de alerta e o que podem significar, bem como a importância em buscar auxílio médico.

1) Dores na região da nuca

Dor no pescoço, dor na nuca, enxaqueca - Klara Kulikova/Unsplash - Klara Kulikova/Unsplash
Imagem: Klara Kulikova/Unsplash

Apesar de também estar associada a quadros de estresse ou noites mal dormidas, sentir dor na nuca chama a atenção dos cardiologistas, de acordo com Nivaldo Filgueiras, membro do Conselho Administrativo da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).

"Pode ser um sinal de que a pessoa está desenvolvendo a hipertensão arterial sistêmica. Essa é uma doença crônica, que precisa de acompanhamento e pode ter complicações sérias, como derrame e infarto", afirma o cardiologista, que também é professor da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), Universidade de Salvador e da Faculdade UniFTC.

A hipertensão, conhecida também por pressão alta, é caracterizada pelo aumento na força com que o sangue pressiona as artérias. Com o passar do tempo, essa pressão altera o endotélio dos vasos, ou a camada mais interna das artérias, favorecendo a formação das placas de gordura (aterosclerose). Com isso, dificultam a passagem do sangue e aumentam o risco de infartos, já que podem gerar coágulos que impedem o fluxo sanguíneo ao coração.

Nem todo mundo terá o incômodo na nuca como alerta, e o especialista relembra que não se trata de uma dor pontual, que surge e passa, mas de algo mais frequente. "Se a pessoa teve uma vez e voltou a apresentar em outro momento, cabe procurar um médico para avaliar a pressão arterial e fazer outros exames", orienta.

2) Desmaio sem motivo aparente

Desmaio, pessoa desmaiada, síncope - iStock - iStock
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Às vezes, o desmaio acontece pela redução do açúcar no sangue (hipoglicemia) e, em outros casos, pode estar associado a uma dor muito forte ou ser reflexo do nervo vago (chamada de síncope vasovagal), que ocorre quando se levanta rápido demais ou passa por fortes emoções. Mas, se não houver uma explicação aparente, o desmaio precisa ser investigado —especialmente se acompanhado de palpitações, segundo Filgueiras.

"Se vier associado a uma sensação de palpitação, ou de coração disparado, é um sinal de alerta maior, porque pode ser um problema cardíaco, ou que tenha gerado uma arritmia cardíaca e, por diminuir o fluxo de sangue para o cérebro, a pessoa desmaia. É interessante investigar", detalha o cardiologista.

A sensação de desmaio também é um sinal de alerta quando vier associada a outros sintomas, como dificuldade respiratória, palidez, sudorese fria, sonolência, vertigem ou tontura. Nestes casos, podem ser os chamados sintomas de choque e exigem um cuidado mais rápido, pois estariam associados a quadros mais graves, como um AVC (acidente vascular cerebral), de acordo com Akihito Urdiales, cirurgião do trauma do Hospital do Trabalhador, em Curitiba, cirurgião geral e emergência cirúrgica do HC-UFPR (Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná) e professor da UFPR.

"O choque é, em termos médicos, a má perfusão dos tecidos. Para a população, o choque é quando há uma 'pressão baixa', mas para os médicos os termos são esses: sinais e sintomas de má perfusão", explica.

3) Falta de ar

Edema de glote, anafilaxia, falta de ar, garganta trancada, problema de respiração, reação alérgica grave - iStock - iStock
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Mudanças no padrão de comportamento demandam atenção. Se, por exemplo, uma pessoa sempre subiu uma escadaria sem grandes problemas e, agora, tem dificuldades —e não se trata de alguém sedentário—, pode ser um sinal de insuficiência cardíaca, de acordo com Filgueiras.

"Há inúmeras razões, entre elas o infarto, que podem gerar uma alteração no músculo cardíaco. Quando o coração dilata, isso gera um esforço a mais e pode ter a falta de ar como sintoma", explica.

Em cenários de mais urgência, o esforço respiratório também é um dos sintomas do choque, lembra Urdiales, e pode estar associado a quadros de reação alérgica, desidratação e mesmo de morte súbita. "Não é a sensação de dificuldade, mas uma dificuldade mesmo. Você nota que a frequência respiratória aumenta, que a pessoa faz um esforço para respirar. Você observa que ela usa a musculatura do abdome e do pescoço para isso", exemplifica.

Nas crianças, a falta de ar é um dos principais sinais de alerta, segundo Urdiales. Embora possa estar associada a um quadro de asma ou infecção respiratória, que é comum nesta faixa etária, a maioria das emergências pediátricas começa com uma dificuldade em respirar.

"Tanto que a hipóxia [redução do oxigênio nos tecidos] é a maior causa de parada cardiorrespiratória na população pediátrica", reforça o cirurgião, que completa: "A primeira coisa que fazemos quando atendemos uma criança é colocar o oxigênio nela. Com isso, já eliminamos 80% das possibilidades de morte. Depois, checamos a saturação e conduzimos o restante dos exames".

4) Fadiga, tosse e dores após a covid-19

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Os sintomas associados à covid longa ainda estão sendo estudados, mas pesquisas recentes listam dezenas de possíveis complicações. Um estudo brasileiro, publicado em maio, analisou dados de saúde de 646 pacientes e destaca que os mais frequentes são: fadiga (35,6%), tosse persistente (34%), dispneia/falta de ar (26,5%), perda do olfato e paladar (20,1%) e dores de cabeça frequentes (17,3%).

Em geral, os participantes apresentavam dois a três sintomas ao mesmo tempo e, em 60% dos casos, as complicações surgiram após uma infecção leve pelo coronavírus. Apesar de os tratamentos para a covid longa ainda estarem sob estudos, os sintomas tendem a permanecer por vários meses e, portanto, é importante a busca por auxílio médico na tentativa de amenizar as condições.

5) Dificuldade de memória

Já teve aquela sensação de 'branco' na memória? - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

É comum associar este sintoma diretamente ao Alzheimer, especialmente na população mais velha, mas há outras doenças metabólicas e endocrinológicas que também podem gerar uma dificuldade de memória ou problemas cognitivos —e, diferentemente da doença neurodegenerativa, são tratáveis.

Marcos Lange, médico neurologista e membro titular da ABN (Associação Brasileira de Neurologia), cita o exemplo da deficiência de vitamina B12 que causa prejuízo na atenção e concentração. "A pessoa pode achar que está mais desatenta e, quando vamos ver, precisa repor a B12. Depois que é tratada, melhora. A covid-19 entra nesse cenário também, pois sabemos que tem manifestações neurológicas e complicações", explica.

Caso haja um início súbito, ou uma progressão do sintoma, Lange reforça a importância de buscar uma avaliação médica. "O problema da neurologia é que não posso, só pelo sintoma, dizer se está associado a uma condição grave ou não. De forma geral, sintomas que se começam subitamente e que vão evoluindo progressivamente em horas, ou poucos dias, devem servir de alerta", afirma o médico, que também atua no HC-UFPR.

"Eu prefiro, como neurologista, que o paciente me procure e eu exclua uma situação grave do que não ter o diagnóstico rápido e, quando for ver, já há sequelas e limitações que poderiam ter sido evitadas. A mioquimia [tremor na pálpebra], por exemplo, é um cenário comum e está associada à fadiga, mas se a pessoa tiver todo dia, e não melhorar, eu tenho que investigar", exemplifica Lange.

6) Perda de peso sem explicação

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Reduzir as medidas pode ser visto como um aspecto positivo, mas se a pessoa não fez qualquer esforço para isso, e ainda assim perdeu uma quantidade significativa de peso, vale o alerta. Algumas doenças podem estar associadas a esse sintoma, como problemas na tireoide, depressão, câncer e diabetes.

No caso do diabetes, por exemplo, o sintoma tende a surgir porque o organismo não está conseguindo captar a energia necessária para se manter ativo, visto que a insulina (hormônio responsável por controlar a glicose em circulação no sangue) não está sendo produzida de forma adequada ou há uma resistência a ela.

Assim, ele recorre às reservas de gordura, o que gera a perda de peso. Embora seja um sintoma clássico da doença, quem tem pré-diabetes não o apresenta, de acordo com informações da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Pessoas com problemas na tireoide, seja no caso de hipo ou hipertireoidismo, podem também ter mudanças no peso corporal, tanto de aumento quanto de perda. Isso acontece porque os hormônios produzidos pela tireoide são responsáveis por funções em vários órgãos, como cérebro, fígado, rins, bem como no crescimento, fertilidade, memória, concentração e na regulação do peso corporal.

7) Febre alta e persistente

criança com febre, febre, criança doente - iStock - iStock
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A febre não é uma doença em si, mas um alerta de que o corpo está tentando combater algo. Caso ela persista, e se mantenha alta (acima de 39°C, em adultos), vale a procura por ajuda médica, pois pode indicar uma dificuldade de o organismo se livrar de algum problema sozinho, como uma infecção por microrganismo. Isso porque, em geral, a febre é uma resposta do sistema imunológico. Infecções por bactérias, por exemplo, exigem tratamento com antibióticos para serem resolvidas.

A temperatura normal do corpo, em geral, fica entre 36°C e 37,5°C. Acima de 37,8°C, considera-se uma febre e, acima de 39°C, febre alta.

8) Sonolência sem explicação

Homem bocejando, acordando, com sono, bocejo - Sander Meyer/Unsplash - Sander Meyer/Unsplash
Imagem: Sander Meyer/Unsplash

Este sinal é particularmente mais perigoso entre a população idosa, e pode indicar tanto um AVC quanto uma descompensação do diabetes ou mesmo uma desidratação. "Se, por exemplo, o idoso ao meio-dia normalmente estaria ativo e pedindo pelo almoço, e está deitado, só abre os olhos quando alguém chama, está mais sonolento que o normal, é um sinal de alerta que ele não está bem", exemplifica o cirurgião de emergência, Akihito Urdiales.

O mesmo vale para o rebaixamento da consciência, ainda que momentâneo. "Qualquer sintoma que sugira uma convulsão, como um abalo motor, a pessoa olhando para o vazio em minutos e crises epilépticas, esses são cenários que devem buscar a emergência. Esse atendimento pode ser feito por ambulância, ou deslocando a pessoa até o atendimento", reforça o médico neurologista Marcos Lange.

9) Formigamento das mãos, pernas e pés que não passa

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Sentir os membros formigando, especialmente depois de acordar, é bastante comum. Em geral, a sensação passa em poucos minutos, e nada de muito grave está associado a isso. O problema está, segundo Lange, quando o sintoma não passa, ou quando é acompanhado da perda de força.

"O formigamento tem causas muito amplas. Pode ser desde um AVC, um tumor, infecção ou até causas periféricas, como a lesão do nervo ou do músculo", explica o neurologista.

10) Dor de cabeça de início súbito

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Mudanças de comportamento devem chamar atenção. Se a dor de cabeça sempre começava devagar, ficando mais forte com o passar do tempo e, de repente, passou a iniciar de forma muito intensa, isso sugere um outro cenário —e que merece ser investigado, alerta Lange.

"Sempre que tenho essa mudança de padrão de dor de cabeça é de causa secundária, e pode ter várias origens, como um tumor cerebral, uma trombose venosa cerebral ou mesmo um processo inflamatório infeccioso", explica.

"Cefaleia [dor de cabeça] do tipo trovão, que é quando vem uma dor muito forte e com maior intensidade no primeiro minuto, tanto que o paciente normalmente lembra exatamente quando começou, esse é um sintoma de que a pessoa deve ser atendida de emergência. Isso porque ele acontece, 40% das vezes, quando há uma hemorragia subaracnoide, que deve ser investigada sempre", alerta Lange.

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