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Consumo moderado de ovos pode evitar doenças cardiovasculares, diz estudo

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Imagem: iStock

De VivaBem, em São Paulo

28/05/2022 16h05

O ovo tem diversos benefícios para a saúde, mas ora é considerado um vilão, ora um aliado. Desta vez, a balança pendeu a favor do alimento. De acordo com um novo estudo publicado no periódico eLife nesta terça-feira (24), o ovo pode diminuir o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Na pesquisa, os autores da Universidade de Pequim, na China, conseguiram mostrar que o consumo moderado de ovos pode aumentar a quantidade de metabólitos (resíduo que sobra depois que o organismo aproveita a parte útil do alimento) saudáveis para o coração —o que pode explicar parcialmente o efeito protetor do consumo moderado do alimento nas doenças cardiovasculares.

Como o estudo foi feito e os principais resultados

Os pesquisadores analisaram 4.778 participantes de um banco de dados chinês, o China Kadoorie Biobank, dos quais 3.401 tinham doenças cardiovasculares e 1.377 não.

Em um questionário, as pessoas deveriam dizer a frequência de consumo habitual de ovos, bem como outros 11 grupos de alimentos (arroz, trigo, carne, aves, peixes, entre outros) durante os últimos 12 meses. Os participantes tinha que citar quantas vezes na semana comiam os alimentos.

Eles usaram uma técnica chamada ressonância magnética nuclear para medir 225 metabólitos em amostras de plasma retiradas do sangue dos participantes. Desses resíduos, eles identificaram 24 que estavam associados a níveis autorrelatados de consumo de ovos —que era de 2 a 3 dias por semana.

As análises mostraram que indivíduos que consumia uma quantidade moderada de ovos tinham níveis mais altos de uma proteína no sangue chamada apolipoproteína A1 —um componente do HDL (lipoproteína de alta densidade), também conhecida como "colesterol bom".

Esses indivíduos tinham mais moléculas grandes de HDL no sangue, que ajudam a limpar o colesterol dos vasos sanguíneos e, assim, protegem contra bloqueios que podem levar a ataques cardíacos e derrames.

Os pesquisadores identificaram ainda 14 metabólitos que estão ligados a doenças cardíacas. Eles descobriram que os participantes que consumiam menos ovos tinham níveis mais baixos de metabólitos benéficos e níveis mais altos de nocivos no sangue, em comparação com aqueles que comiam ovos com mais regularidade.

"Poucos estudos analisaram o papel que o metabolismo do colesterol plasmático desempenha na associação entre o consumo de ovos e o risco de doenças cardiovasculares, por isso queríamos ajudar a resolver essa lacuna", disse um dos autores do estudo Lang Pan, da Universidade de Pequim.

Por que este estudo é importante

Além de oferecer mais informações sobre os benefícios do ovo, para Liming Li, um dos autores, o estudo pode ter implicações para as diretrizes dietéticas nacionais chinesas.

"As diretrizes atuais de saúde sugerem comer um ovo por dia, mas os dados indicam que o consumo médio é menor do que isso. Nosso trabalho destaca a necessidade de mais estratégias para incentivar o consumo moderado de ovos entre a população, para ajudar a diminuir o risco geral de doenças cardiovasculares", disse, em comunicado.

Os pesquisadores afirmam, no entanto, que mais estudos são necessários para verificar as causas para entender o papel que os metabólitos lipídicos desempenham na associação entre o consumo de ovos e o risco de doença cardiovascular.