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Glúteos: entenda suas funções, variações de tamanho e principais problemas

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

23/05/2022 04h00

Glúteos são um grupo de músculos que compõe as nádegas, ou seja, o bumbum. Esse grupo é composto por três músculos diferentes (glúteo máximo, glúteo médio e glúteo mínimo) e suas inserções e origens nos ossos da bacia, em associação a outros músculos, tecido subcutâneo e gordura conferem o formato arredondado do traseiro. Mas não é só. Essa região do corpo conecta posteriormente a cintura com as coxas e se responsabiliza por funções importantes.

"Cada músculo que compõe os glúteos tem uma função anatômica distinta, relacionada em geral com a movimentação de quadril e coxas. O glúteo máximo realiza extensão, abdução (abrir) e rotação externa da coxa. Os glúteos médio e mínimo têm função semelhante, de abdução e rotação, mas interna da coxa. Esses músculos são ainda fundamentais e estão envolvidos nos movimentos para a prática sexual", esclarece o ortopedista Nelson Astur.

Também cirurgião da coluna e médico no Hospital Israelita Albert Einstein e no Instituto Cohen, em São Paulo, Astur complementa que os glúteos conferem estabilidade ao quadril, coluna lombar e membros inferiores.

Assim, quando desenvolvidos e mantidos saudáveis, ajudam na postura e prevenção de lesões em outras partes. Do ponto de vista sexual e reprodutivo, se têm boa musculatura ainda evitam fadiga durante gestação e abrir de pernas.

Por trás do tamanho neles e nelas

Estátua de mármore tabu bunda de homem - fulgido72/iStock - fulgido72/iStock
Imagem: fulgido72/iStock

O principal fator por trás da constituição dos glúteos é a genética. Tanto para o volume do grupo muscular e, sobretudo, para a distribuição de gordura subcutânea ao redor dele. Os demais fatores determinantes incluem: atividade física de fortalecimento, sedentarismo e obesidade (aumentam a camada gordurosa abaixo da pele e, consequentemente, o tamanho do bumbum) e, indiretamente, posição da bacia quando em equilíbrio de pé, além de lordose lombar (curvatura da coluna para dentro), que molda a pelve e salienta o formato dos glúteos.

"O tamanho maior do bumbum em mulheres do que em homens está relacionado a dois fatores: nelas, maior acúmulo de gordura localizada abaixo da pele nessa região, coxas e culotes, assim como tendência de terem mais lordose da coluna lombar do que eles, o que leva à inclinação maior da pelve e protuberância do bumbum. Homens, por sua vez, têm tendência de acumular gordura na barriga, por exemplo", explica Nelson Astur.

Quando no homens os glúteos chamam a atenção tem a ver, na grande maioria, com questões genéticas do volume muscular e distribuição de gordura. Agora, pouco bumbum em homens é explicado quando a coluna lombar tem pouca, ou não tem, lordose (curvatura para dentro), o que deixa a pelve menos "avantajada", assim como a musculatura glútea que segue essa posição, por estar inserida nela. Essa condição anatômica pode aumentar problemas, como dor lombar e degeneração dos discos da coluna.

Quando o bumbum não se desenvolve

Pessoas que fazem muita musculação, mas não conseguem aumentar o volume dos glúteos de maneira significativa, alcançar hipertrofia muscular, passam por isso especialmente devido a fatores genéticos. Mas, muitas vezes, uma alimentação inadequada ou deficitária em proteína, somada, eventualmente, a um treino não bem executado ou não bem planejado, sem visar o desenvolvimento da musculatura, podem estar envolvidos.

Corrida, por ser um exercício aeróbico, também leva à perda de gordura e pode causar a impressão de diminuição do volume do bumbum. Porém, isso não ocorre, os músculos glúteos não reduzem. Pelo contrário, tendem a aumentar quando trabalhados. Mas para isso é preciso equilíbrio e orientação.

Se for correr, antes é preciso fortalecer a musculatura estabilizadora do quadril, assim evitam-se lesões musculares e de tendões e limitações de prática esportiva.

Páblius Staduto Braga, médico do esporte pela SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte), também responsabiliza como duas causas muito importantes no mundo hoje para glúteos não desenvolvidos o sedentarismo e a posição sentada por muitas horas e rotineiramente.

"Resultam em deficiências na ativação da musculatura local, ainda podendo desequilibrar quadril, coluna e joelhos. Damos o nome de amnésia glútea", explica.

Glúteos podem sofrer até tendinite

Treino de glúteos - iStock - iStock
Imagem: iStock

Além da amnesia glútea, outros problemas muito comuns relacionados à musculatura glútea são: "Tendinite (inflamação dos tendões), bursite (inflamação das bursas, bolsas que protegem as articulações) e ciatalgia (dor que irradia ao longo do trajeto do nervo ciático)", explica Humberto Costa, ortopedista e especialista em quadril, no Hospital São Rafael, da Rede D'Or, em Salvador (BA), continuando que podem decorrer de sobrecarga, distribuição inadequada da mecânica e gerar lesões, instabilidade de coluna, desequilíbrio muscular e osteoartrose.

Havendo qualquer tipo de dor ou desconforto muscular, aumento de sensibilidade na lateral do quadril, dificuldade para subir e descer escadas, deve se consultar um especialista.

O diagnóstico desses quadros é obtido com a descrição do que se sente, exame físico e de imagens (radiografia, ultrassonografia, ressonância, tomografia). Já o tratamento consiste em sessões de fisioterapia, medicação anti-inflamatória, alongamento, fortalecimento e, raramente, cirurgia.

Para evitar quaisquer intercorrências, antes de iniciar atividades físicas, passe por uma prévia avaliação da estrutura corporal e, estando tudo em ordem, busque inserir os exercícios de impacto de forma gradual, devagar, para o corpo conseguir compensar o esforço com fortalecimento da musculatura. Para quem trabalha o dia inteiro sentado, é fundamental levantar-se de hora em hora, andar, movimentar o quadril e alongar sempre as pernas.

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