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Psicoestimulantes que melhoram desempenho mental podem causar dependência

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Imagem: iStock

Simone Lemos

Do Jornal da USP

22/05/2022 10h46

A fase pré-universitária pode ser muito difícil e desgastante para os estudantes, assim como a busca por um novo emprego através de concursos públicos. Esse período de estudos costuma ser muito estressante devido ao volume de conteúdo e de informações a que o estudante é submetido.

Por esse motivo, é muito comum as pessoas buscarem aumentar sua concentração e grau de absorção de informações através do consumo de medicamentos para tratar transtornos de déficit de atenção.

Um levantamento feito com 12 neurologistas pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou que houve um aumento nos últimos dois anos entre 70% e 100% no pedido de receita de psicoestimulantes por parte dos jovens.

Antônio Serafim, diretor do Serviço de Psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que "vários fatores podem levar as pessoas as buscarem recursos, mecanismos para lidar com o desempenho e a melhora de determinados aspectos. Um deles é o uso de medicação, principalmente os estimulantes ou psicoestimulantes como a Ritalina, para melhorar a concentração e o desempenho acadêmico".

Mas o que leva uma pessoa a buscar esse artifício? Na opinião do professor Serafim, "você pode ter de fato pessoas que estão em uma pressão, sob uma determinada condição, como o preparatório para vestibular, concurso, e sentem uma sobrecarga para melhorar o desempenho, passando a fazer uso desses recursos para ampliar essa capacidade de raciocínio, de concentração e memorização.

Já as pessoas mais competitivas também, porque elas buscam ser melhor que as outras por uma necessidade psicológica. E existem aqueles que se sentem incapazes, insuficientes, mesmo sem procurarem um atendimento adequado, e acabam usando esses recursos".

Dependência

O uso desses medicamentos controlados inicialmente é eficiente. Essas substâncias têm um efeito no sistema nervoso central, melhorando a conectividade, conexão neuronal e desempenho.

A pessoa fica mais atenta, mais rápida no processo. No entanto, o uso pode levar a uma dependência, como destaca o doutor Serafim. Ele explica que essa dependência pode ser química ou psicológica. A pessoa acaba associando seu bem-estar e seu sucesso ao uso dessa medicação, recorrendo ao seu uso sempre que se sente insegura.

Para definir como tratar e lidar com essa situação, é necessário verificar a intensidade e a frequência do uso dessa substância. Muitas vezes o usuário perde a noção e a capacidade de entender que esse recurso vem sendo prejudicial, levando à dependência.

O psiquiatra explica que "jovens na fase pré-universitária, alunos de cursos que têm um nível de exigência muito grande, como, por exemplo, o de medicina, com cargas horárias muito longas, e adultos em uma sociedade que vive o imediatismo com soluções rápidas e muitas vezes mágicas, buscam esses recursos".

Ao se identificar esse tipo de comportamento, o ideal é procurar uma ajuda profissional médica e psicológica.

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