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'Dor invisível', diz jornalista Izabella Camargo sobre síndrome de burnout

Colaboração para VivaBem

11/05/2022 15h22

Quatro anos após ser diagnosticada com burnout após sofrer um "apagão" ao vivo na TV, a jornalista Izabella Camargo diz que passou a se incluir na própria agenda como forma de ter mais equilíbrio e se conectar consigo mesma. A declaração foi dada durante participação no quarto episódio da terceira temporada do Conexão VivaBem.

Em 2018, Izabella estava apresentando a previsão do tempo em um telejornal da TV Globo quando travou no Paraná e não conseguia lembrar a palavra Curitiba. "Existe uma grande diferença entre você esquecer a chave de casa e esquecer onde você mora. Sou do Paraná, e esqueci o nome da capital do meu estado", relembra.

No momento do "apagão", a jornalista revela que sentiu falta de ar, enjoo, tontura, a visão ficou turva, o corpo ficou quente, mas as extremidades geladas. "Depois, alguns médicos conversaram comigo e disseram que se eu tivesse desmaiado teria sido melhor. Porque a dor é invisível. É difícil ser reconhecida quando você está tendo aquele colapso. Fora, as pessoas perceberam que só esqueci uma palavra, mas por dentro eu estava colapsando."

No dia do "apagão", ela ainda terminou o expediente e foi ao psiquiatra que lhe deu o diagnóstico. "Falei, não, doutor. Outro dia entrevistei uma pessoa que tinha burnout. Eu não estou com burnout, amo o que eu faço. Aí que caiu minha ficha."

A jornalista diz que já estava há dois anos acumulando sinais e sintomas e se tratando com cinco especialistas. Já tinha passado por vários problemas de saúde, físicos e hormonais, teve crises nervosas, de ansiedade, ficou agressiva e teve ideias suicidas. "A ideia suicida vem justamente num corpo que já fez tudo que pôde para se equilibrar."

As mudanças

Izabella afirma que, para ela, o burnout é a ausência de si mesmo. Depois de uma jornada que envolveu ser demitida da emissora, muita terapia, medicações e uma mudança no estilo de vida, a jornalista compreendeu o que hoje é inegociável para ela: as horas de sono e o tempo em off.

Segundo Izabella, quando as pessoas nessa condição a procuram nas redes sociais perguntando o que elas devem fazer, se ioga ou alguma atividade, ela responde. "Não faça nada. Nós precisamos excluir coisas da sua agenda para você se incluir. Hoje, um dos meus lemas é: você está se incluindo na própria agenda? Eu me incluí na própria agenda e treinei muito a dizer não."

Para a jornalista, uma coisa é a pessoa ter que dizer não para aquilo que ela quer, mas não pode. Outra coisa é ela dizer não para aquilo que ela não quer. "O treino do não foi fundamental, fui validando e ficando mais forte com pequenos nãos dentro de casa para grandes nãos dentro do trabalho."

Ela criou um movimento que chama de produtividade sustentável. "Proponho uma atualização de identidade para a pessoa entender o que é coerente para ela hoje com a idade que ela tem, o estilo de vida que ela precisa ter, as características do ambiente dela. O segundo ponto é excluir o que não combina mais com ela, é fazer uma espécie de faxina, envolvendo pessoas, redes socias —caso esteja consumindo muito tempo e energia.

Para quem está vivendo o burnout, Izabella deixa um recado que ouviu de uma psicóloga e que fez toda a diferença na vida dela. "Você que está vivendo um burnout, você não é um profissional ruim. Não é o fim da sua carreira e nem o fim da linha. Você só está vivendo um momento ruim e a vida está querendo te devolver o equilíbrio."