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Adenovírus 41: o que é? Como age? Qual a relação com a hepatite misteriosa?

Modelo molecular do adenovírus Imagem: iStock

Sarah Alves

De VivaBem, em São Paulo

28/04/2022 18h43Atualizada em 16/05/2022 09h37

Um surto de hepatite infantil aguda misteriosa, sobretudo em países da Europa e nos Estados Unidos, acendeu um novo alerta na comunidade científica. Uma criança morreu e 17 precisaram de transplante de fígado, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). A causa ainda é desconhecida, mas médicos identificaram suposta relação com o adenovírus 41.

O adenovírus não foi encontrado em alguns exames, mas nem todas as crianças fizeram teste. Especialistas ouvidos pelo VivaBem explicam que a associação é rara, porque esse tipo de vírus não é causa comum da hepatite. "Quando há hepatite, o adenovírus não é considerado", explica o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury. Geralmente, a doença é causada por vírus dos tipos A, B, C, D ou E.

No sábado (23), a OMS emitiu um alerta para a doença de causa desconhecida. Até o momento foram registrados 200 casos em 14 países —a maioria no Reino Unido (114). "É um surto intenso da forma grave, mas não sabemos quantas pessoas têm forma pouco sintomática, porque em surtos a tendência é ver coisas graves. E aí só enxergamos a ponta do iceberg", indica Granato.

O que é o adenovírus 41 e como ele age no corpo?

Existem mais de 50 tipos de adenovírus, uma família de vírus. Eles são organizados em espécies, com nomenclaturas entre A e G. No caso do adenovírus 41-F, ele é comumente associado a infecções respiratórias, assim como o 40.

"É um vírus que normalmente entra pela via respiratória, penetra os tecidos causando inflamação, e em casos mais graves pode levar a acometimento pulmonar", descreve a infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Crianças, no entanto, podem ter sintomas diferentes, como diarreia e vômitos. Complicações da infecção pelo vírus, quando registradas, acontecem em maior escala em prematuros e crianças imunodeprimidas.

Há relação com hepatite misteriosa?

As informações iniciais ainda precisam ser analisadas. Segundo o infectologista Celso Granato, é possível que "em semanas" pesquisadores identifiquem a real causa da doença. "Vemos a OMS investindo em investigação rápida porque, se não se esclarece a causa, é difícil organizar medida preventiva", diz.

É importante lembrar que a OMS já destacou que os casos não têm relação com a vacina da covid-19. Em Israel, inclusive, o chefe da unidade pediátrica Shaare Zedek Medical Center disse que a maioria das crianças com casos da hepatite havia sido infectada com o novo coronavírus em algum momento do passado. Testes não apontaram infecção pelo adenovírus, disse o médico ao site da revista norte-americana Wired.

O que é a hepatite misteriosa?

De acordo com a OMS, os casos identificados apresentaram hepatite aguda (inflamação do fígado), "com enzimas hepáticas acentuadamente elevadas".

"Muitos casos manifestaram sintomas gastrointestinais, incluindo dor abdominal, diarreia e vômitos antes da apresentação com hepatite aguda grave e aumento dos níveis de enzimas hepáticas —aspartato transaminase (AST) ou alanina aminotransaminase (ALT) acima de 500 UI/L— e icterícia (coloração amarelada da pele/olhos)." A maioria dos casos não apresentou febre.

*com informações de reportagem publicada em 25/04/22

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