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Tem apagões como Scooby? Veja condições que podem causar o problema

Pedro Scooby tem "apagão" em papo com brothers e fãs se divertem - Reprodução/Globoplay
Pedro Scooby tem "apagão" em papo com brothers e fãs se divertem Imagem: Reprodução/Globoplay

Sarah Alves

Do VivaBem, em São Paulo

25/03/2022 11h52

Desde que o "BBB 22" começou, o comportamento de Pedro Scooby chamou a atenção nas redes sociais: descontraído, o brother logo viralizou com o estilo "a vida é irada, vamos curtir", mas os frequentes "apagões" que tem "do nada", durante as conversas, renderam muitos memes ao surfista.

João Victor Vianna, irmão de Scooby, já comentou que o quadro não está atrelado a alterações na saúde e é comum também entre os seus parentes. "Isso aí é de família. Eu sou assim, minha mãe também é assim. É uma herança que a gente teve de família. Não tem o que fazer", disse.

Você também já deve ter se pego "olhando para o nada e pensando em tudo", o que é comum. Porém, em alguns casos, "apagões" mais intensos e/ou frequentes podem indicar problemas de saúde. É o caso das paradas comportamentais, diferentes das perdas de concentração comuns —quando a pessoa desfoca a atenção do momento, mas retoma a consciência após algum estímulo.

"Elas são paradas de interação com o ambiente, em que a pessoa pode manter postura motora, o jeito como está, mas perde a capacidade de interagir e de lembrar o que aconteceu, como se fosse uma lacuna na memória, e independe de estímulo para voltar", descreve o neurologista João Brainer, professor do Centro Universitário São Camilo (SP) e doutor pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Veja abaixo alguns quadros relacionados ao sintoma

Crise de ausência

A epilepsia é a causa mais comum associada às paradas comportamentais, que nesses casos duram poucos segundos.

Um tipo de crise da doença é a de ausência. Ela se assemelha aos lapsos de atenção comuns, mas apresenta sinais associados. "Podem existir várias paradas em um dia, que causam perda da capacidade de interação naquele momento, hiato de memória e movimentos automáticos na boca", explica Brainer.

Elas são mais comuns na infância, por isso é bastante comum que, na escola, professores percebam os quadros e comuniquem os responsáveis. Casos na adolescência ainda podem acontecer, mas já são pouco prováveis em pessoas adultas.

Crise disperceptiva

A crise disperceptiva também é característica de quadros epilépticos e, neste caso, pode atingir adultos com maior frequência.

Na epilepsia, há uma descarga de neurônios, que ocorre em todo o cérebro (quadros generalizados) ou em uma região (quadro focal). "No cérebro nem tudo é movimento, você tem partes relacionados ao pensamento, cognição. Uma crise focal não envolvida com área motora pode implicar em crise convulsiva com parada comportamental", explica o neurologista Marcos Eugênio, do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal do Pernambuco) e do Real Hospital Português (PE).

Síndrome do hipofluxo cerebral

"Apagões" mais prolongados têm relação com a síndrome de hipofluxo cerebral, quando o órgão recebe pouca quantidade de sangue. O quadro pode ser causado por arritmias cardíacas ou obstruções e, geralmente, o problema de irrigação atinge outras partes do corpo.

"Por chegar menos sangue no cérebro, as regiões ficam enfraquecidas e a pessoa pode ter também desmaios ou tontura", descreve a neurologista Analuiza Luna Sarmento, do Hospital do Coração de Alagoas e mestre em ciências da saúde pela UFAL (Universidade Federal de Alagoas).

Diferente das crises na epilepsia, a síndrome do hipofluxo cerebral pode indicar sintomas antes da parada comportamental, causando sensações de desmaio, visão embaçada e palidez, por exemplo.

TDAH

A perda de concentração como acontece com Scooby não é o sintoma mais comum de TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade), mas pode ser um alerta em alguns casos. "A pessoa pode ser considerada distraída. Algo rouba a atenção dela a ponto de ficar focada só naquilo, são pensamentos intrusivos, e ela deixa de perceber o que está acontecendo", diz o neuologista Marcos Eugênio.

Os casos são mais comumente diagnosticados na infância, mas a detecção também pode vir mais tarde. Em adultos, normalmente prevalecem os sinais de déficit de atenção sobre a hiperatividade, cenário invertido do que acontece nas crianças. Isso porque pessoas adultas já têm mais recursos para lidar com ela.

"O adulto consegue controlar a hiperatividade voluntariamente, mas o déficit de atenção, não. Então, deixa de focar, executar tarefas, não consegue estudar", exemplifica Eugênio. Segundo o especialista, nem todos os casos de TDAH são patológicos, e algumas pessoas conseguem conviver com a condição sem sofrer prejuízos.

Quando procurar ajuda?

O neurologista João Brainer lembra que é necessário buscar orientação médica ao perceber que a desatenção ou quadros de perda da consciência causam prejuízos à qualidade de vida, relações, ao trabalho ou na aprendizagem, por exemplo. Também é importante avaliar se as perdas de foco favorecem acidentes que comprometam a integridade física.

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