PUBLICIDADE

Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Saúde

Teste de covid-19 pode dar falso-negativo ou falso-positivo? Entenda

Saiba qual o risco de um teste de covid dar falso-positivo ou falso-negativo - Getty Images
Saiba qual o risco de um teste de covid dar falso-positivo ou falso-negativo Imagem: Getty Images

Carol Firmino

Colaboração para VivaBem

28/01/2022 10h27Atualizada em 28/01/2022 10h27

Para muita gente, 2022 começou com testes positivos de covid-19 na família ou entre os amigos. Depois de meses na queda de contaminações no Brasil, o país tem assistido a uma explosão de transmissão comunitária da variante ômicron —o que tem levado a uma procura grande de testes e dúvidas sobre a possibilidade de um falso-positivo ou falso-negativo no teste de covid-19.

Por que casos de falso-negativo podem acontecer? VivaBem conversou com especialistas que esclareceram algumas dúvidas sobre o assunto.

Como é calculada a confiança de cada teste de covid-19?

Muitos aspectos são fundamentais para garantir que um teste laboratorial ou de farmácia seja confiável. Segundo Aline Scarabelli, consultora médica e infectologista do Labi Exames, eles envolvem a fabricante e os controles para avaliar a utilidade desses testes em diversas circunstâncias, como população doente, população sem sintomas, triagem em sadios etc.

Outros pontos, indicados por Brianna Nicoletti, especialista em alergia e imunologia pela USP (Universidade de São Paulo) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), são:

  • Precisão - Reflete a capacidade do sistema analítico de reproduzir o resultado quando de sua repetição;
  • Exatidão - Vai refletir, através da participação em programas externos de controle da qualidade, a proximidade do valor encontrado com o que é definido como valor "verdadeiro";
  • Sensibilidade - É a capacidade em identificar as pessoas que têm uma determinada doença. Por exemplo, se um exame tem uma sensibilidade de 90%, ele identifica 90 pessoas em 100 que têm a doença, e não identifica 10 pessoas em 100 com a doença. Essas 10 pessoas recebem resultados chamados "falsos-negativos".

Nicoletti explica que os testes rápidos (tanto os de sorologia como os de antígeno) possuem sensibilidade e especificidade muito reduzidas em comparação às outras metodologias. Esses testes são similares aos de farmácia para gravidez —situação em que também é recomendado o exame de sangue para se ter certeza do resultado.

Quais são os principais testes disponíveis?

No caso dos pacientes sintomáticos ou com suspeita da doença, os testes são realizados por meio de coleta de swab nasofaríngeo nos primeiros dias de sintomas:

  • RT-PCR - Teste molecular que é baseado na pesquisa de material genético do vírus. É o exame padrão-ouro. O resultado falso-negativo pode estar relacionado à coleta precoce ou tardia; enquanto o falso-positivo é raro e costuma ter relação com a contaminação da amostra ou no processo de análise no laboratório.
  • Antígeno - Teste que detecta a proteína viral do Sars-CoV-2. Sua principal vantagem é apresentar resultados rapidamente por um custo mais baixo. A sensibilidade é inferior ao RT-PCR, mas se utilizada nos primeiros dias de sintomas alcança 90%. O resultado falso-negativo pode acontecer se a carga viral estiver baixa, principalmente em exames realizados nos primeiros dias; enquanto o falso-positivo é possível quando são identificados anticorpos similares aos específicos contra o Sars-CoV-2.
  • PCR-LAMP - Teste molecular por amplificação isotérmica que pesquisa o RNA viral. Sensibilidade um pouco inferior que o RT-PCR, porém com resultados mais rápidos. As possibilidades de falso-negativos ou positivos seguem o mesmo raciocínio que os testes RT-PCR.
  • Autoteste - Teste de antígeno realizado pela própria pessoa por meio da coleta do material com o cotonete pelo nariz ou pela saliva. Os falso-negativos ou positivos acontecem em função do manuseio inadequado do teste e de sua realização fora do período orientado.

Para saber se já teve a doença, os testes podem ser feitos por meio da coleta de sangue e após 21 dias de suspeita para maior sensibilidade:

  • Sorologia - Teste que detecta anticorpos da classe IgM, IgG ou IgA contra proteínas do vírus. No geral, os anticorpos iniciam sua produção a partir do 7º dia de doença e tornam-se detectáveis, na maioria dos indivíduos, a partir do 21º dia de doença. Portanto, não é um bom exame para detectar se o vírus está presente e um resultado negativo não exclui sua existência. Um falso-negativo pode acontecer se o teste for realizado fora do período indicado, enquanto o falso-positivo tem relação com anticorpos produzidos contra outras doenças,
  • Anticorpos neutralizantes - Teste verifica a presença de anticorpos com capacidade de neutralização do Sars-CoV-2, que são aqueles com capacidade de bloquear a ligação do vírus no receptor da célula humana, impedindo sua entrada. É feito com uma amostra de sangue e pode ser útil para avaliar uma resposta da vacina. Resultados falso-negativos ou falso-positivos acontecem em testes feitos fora do período indicado, que é 14 dias após início dos sintomas ou 21 dias após a exposição de risco.

O que influencia no resultado do teste de covid-19?

Para garantir precisão, exatidão e sensibilidade em qualquer tipo de teste e chegar a um resultado correto, é necessário considerar:

  • Local e método de coleta - Pessoas treinadas fazem diferença e, caso a coleta da amostra seja feita de forma incorreta, há risco de contaminação (falso-positivo) ou de pouco material do vírus (falso-negativo);
  • Precisão do exame - Ela é medida pela sensibilidade e especificidade do teste. Quanto maior a precisão, maior a chance de os resultados mostrarem a realidade;
  • Prevalência da doença - O número de casos circulantes da doença também influencia. Locais em que a covid-19 está mais disseminada apresentam maior chance de um teste ser um positivo verdadeiro;
  • Tempo de doença e de sintomas - A carga viral é maior entre três a cinco dias de contaminação, com menor chance de falso-negativos.

A vacinação pode interferir nos testes?

De acordo com Neves, "a vacinação pode estar associada à redução da gravidade dos sintomas. O que sabemos é que a vacina ajuda a conferir uma defesa parcial, igual ao que acontece com a gripe. Possivelmente, esse é um dos motivos pelo qual a ômicron tem menos gravidade em relação a internações em UTIs".

Giovana Sapienza, infectologista do Centro de Prevenção Meniá e dos Hospitais Santa Isabel e São Luiz (Unidade Morumbi), reforça que não há evidências sobre a relação entre mais resultados falso-positivos em vacinados —pelo contrário, a vacinação pode até diminuir a quantidade de vírus rastreável.

"Acredita-se que a vacinação diminui a quantidade de vírus que é excretada na região da nasofaringe. Assim, como os sintomas são brandos, as pessoas acabam fazendo o teste tardiamente. Faz algum sentido pensando na quantidade de vírus na transmissão, mas não podemos afirmar isso na prática", diz Sapienza.

Variante ômicron: falso-negativos podem aumentar?

Segundo Maura Neves, otorrinolaringologista no Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e especialista pela ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial), qualquer resultado de exame deve ser interpretado levando em conta sintomas e dados clínicos antes de ser considerado ou descartado.

Ela explica que, na atual fase da pandemia, com a variante ômicron em alta, a maior transmissibilidade aparentemente ocorre em até três dias antes do início dos sintomas e até três dias após. "Neste momento, o teste tem mais chance de ser positivo. E caso isso aconteça em alguém sem sintomas, é possível que esta pessoa esteja no período de incubação, quando os indícios ainda não apareceram, ou será assintomática", detalha Neves.

As variações do vírus, segundo a profissional, também podem reduzir a eficácia dos exames. Cada um deles detecta uma parte do vírus, assim, quando surgem as variantes, os testes também devem ser adaptados para manter a especificidade e a sensibilidade.

Um estudo de pesquisadores dos Estados Unidos apontou que o teste de antígeno no nariz pode não detectar a ômicron tão rapidamente quanto o teste na garganta, já que a variante ômicron tem se alojado primeiro nessa região.

Outro ponto destacado por Nicoletti diz respeito à carência de testes, algo que influencia na maior circulação de pessoas contaminadas. Além disso, o tempo de isolamento recomendável, que é cada vez mais curto, aumenta a chance de indivíduos que ainda transmitem o vírus voltarem a circular.

"Não há certeza de que haja aumento de falsos resultados por conta da variante ômicron. Mas, se considerarmos o uso de mais testes rápidos, que são menos sensíveis e muitas vezes realizados de forma incorreta, por pessoas não tão bem treinadas como nos laboratórios, os falsos negativos vão aumentar", conclui Nicoletti.

Saúde