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Nomofobia: como lidar com o medo irracional de ficar longe do celular

Andrea Piacquadio/ Pexels
Imagem: Andrea Piacquadio/ Pexels

Isabella Abreu

Colaboração para o VivaBem

28/01/2022 04h00

Horas com a cabeça baixa, olhos fixos no celular e dedos deslizando incessantemente sobre a tela. É assim que grande parte das pessoas passa o dia. O celular virou um companheiro quase inseparável, está presente na cabeceira da cama, na mesa de jantar e até no banheiro! Aliás, você lembra qual foi a última vez que saiu de casa e deixou o aparelho de forma proposital? Levantamento realizado pelo Google mostra que 73% dos brasileiros não saem de casa sem os seus dispositivos móveis.

Esse dado serve de alerta e pode significar um caso de nomofobia, um sentimento intenso de desconforto desencadeado pela falta do aparelho. Segundo a psicóloga Carla Cavalheiro Moura, colaboradora do grupo de dependências tecnológicas do Pro-Amiti (Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso), do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, o uso excessivo da tecnologia se refere a uma condição a qual o indivíduo é incapaz de conter e limitar seu desejo de uso. Ele perde a noção do tempo e demonstra nervosismo, irritabilidade e agressividade quando privado de suas conexões.

A nomofobia apresenta um medo irracional e se caracteriza pela ansiedade e angústia causadas pela incapacidade de ficar sem o celular ou não conseguir usá-lo por algum motivo, como a ausência de sinal, o término do pacote de dados ou da carga de bateria.

Atenção aos riscos

Entre os sintomas característicos da nomofobia estão:

  • O hábito de verificar de maneira obsessiva as chamadas perdidas, redes sociais ou e-mails;
  • Ficar continuadamente preocupado com a duração da bateria;
  • Mostrar-se incomodado de ir a locais sem conexão wi-fi;
  • Acordar a noite para checar as notificações;
  • Não conseguir se afastar do aparelho quando está realizando outras tarefas que não necessitam dele;
  • Ser incapaz de ir ao banheiro sem levar o celular junto.

Há também alguns critérios que são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável e se tornou uma dependência. "Sendo que desses 8 itens a pessoa precisa apresentar os cinco primeiros e pelo um dos três últimos", afirma Cavalheiro. Veja a seguir:

  1. Preocupação excessiva com a internet;
  2. Necessidade de aumentar o tempo conectado para ter a mesma satisfação;
  3. Exibir esforços repetitivos para diminuir o tempo de uso da internet;
  4. Apresentar irritabilidade e/ou depressão;
  5. Quando o uso da internet é restringindo, apresentar oscilação emocional;
  6. Permanecer mais conectado do que o programado;
  7. Ter o trabalho e as relações familiares e sociais em risco pelo uso excessivo de internet;
  8. Mentir aos outros a respeito da quantidade de tempo em que fica navegando.

Aderbal Vieira Jr., psiquiatra responsável pelo Ambulatório de Dependências de Comportamentos do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes do CAISM Vila Mariana), da Unifesp, explica que, de modo geral, o uso dependente de aparelhos eletrônicos, ou da internet, passa por três eixos.

Celular vício redes sociais cama - amenic181/Getty Images/iStockphoto - amenic181/Getty Images/iStockphoto
É importante regular tempo de uso do celular
Imagem: amenic181/Getty Images/iStockphoto

Primeiro, a sensação subjetiva de perda de controle sobre o tempo, quantidade, momento ou tipo de uso desses eletrônicos. A pessoa sente que está exagerando, gostaria de fazer diferente, mas sente dificuldade ou impossibilidade disso. Segundo, disfuncionalidade: o uso causa prejuízos em diversas esferas da vida, como trabalho, estudo, relações interpessoais, período de sono, acidentes de trânsito (digitar dirigindo) etc. Por último, empobrecimento existencial: a pessoa vai perdendo riqueza de repertório, cada vez mais substituindo atividades gratificantes ou importantes de seu cotidiano pelo uso da internet.

Além disso, o uso excessivo pode reduzir a capacidade de concentração, aumentar sintomas ansiosos e depressivos, aumentar o sedentarismo, desencadear problemas oculares como ressecamento dos olhos e miopia, causar insônia, dificuldade de adiamento de recompensas e intolerância a frustrações, causar dores no pescoço/ombro/costas, prejudicar a postura, enumera Júlia Machado Khoury, psiquiatra pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Como fazer uso do celular de forma saudável

Os especialistas destacam que a tecnologia não é um problema em si, mas a forma como nos relacionamos com ela. Eles defendem que devemos utilizá-la de maneira consciente para que seja uma ferramenta de auxílio e não uma dependência. Veja abaixo algumas dicas:

  • Estabeleça um limite de uso diário para atividades não relacionadas ao trabalho ou estudo;
  • Desenvolva hobbies incompatíveis com o uso do celular, como pintura, jardinagem, meditação, exercícios físicos etc.;
  • Tenha "zonas livres de tecnologia" em casa, como o quarto e a mesa de jantar;
  • Equilibre o tempo entre o celular e o contato humano. Para cada hora que você investe na frente de uma tela, invista o mesmo tempo conversando com pessoas presencialmente;
  • Use aplicativos que bloqueiam o tempo de uso das redes sociais;
  • Em situações sociais, proponha um pacto de ninguém usar o celular;
  • Desligue as notificações. Configure seus perfis para não receber os avisos automáticos;
  • Quando precisar se concentrar, deixe o aparelho em outro cômodo ou dentro da bolsa;
  • Quando for dormir, desligue o celular e/ou deixe-o em outro ambiente da casa.

Fontes: Anna Lucia Spear King, psicóloga, professora da pós-graduação do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) na disciplina dependência digital e coordenadora do Laboratório Delete-Detox Digital e Uso Consciente de Tecnologias do Instituto de Psiquiatria da UFRJ; Carla Cavalheiro Moura, psicóloga colaboradora do grupo de dependências tecnológicas do Pro-Amiti (Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso) do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Júlia Machado Khoury, graduada em medicina pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com residência em psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da UFMG; Aderbal Vieira Jr., psiquiatra responsável pelo Ambulatório de Dependências de Comportamentos do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes do CAISM Vila Mariana) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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