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Benefícios dos alimentos

Romã é associada à melhora da artrite e da memória; veja 9 benefícios

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Cecilia Felippe Nery

Colaboração para o VivaBem

26/01/2022 04h00

A romã é uma fruta de origem asiática, da região que vai do Irã ao Himalaia no norte da Índia, cultivada há séculos em toda a região do Mar Mediterrâneo. Foi levada ao solo americano no século 18, e, hoje em dia, a Califórnia é o estado americano que produz romã em maior quantidade. No entanto, a fruta é cultivada em muitos países tropicais, no Líbano, no Paquistão e na Índia, entre outros, como o Brasil.

Em inglês, chama-se pomegranate, e a origem do nome deriva do latim, no qual pomum significa maçã e granatus significa com sementes, devido ao seu formato semelhante à maçã e às centenas de sementes que preenchem o fruto. Em hebraico, a palavra para romã é rimon, que também significa "sino", em razão do seu formato.

No interior da romã, encontra-se sua parte comestível: são numerosas sementes prismáticas, rodeadas de uma polpa de sabor doce, cor-de-rosa intenso (que lembram pedras preciosas). "A cor vibrante das sementes e polpa da romã se deve à sua riqueza em antocianinas e elagitaninos, compostos bioativos também responsáveis pelos benefícios relacionados ao consumo da romã", explica a nutricionista Natália Pinheiro de Castro.

Além desses compostos, como ácido gálico e catequinas, a fruta também é rica em vitaminas A, C e E.

Benefícios da romã

1. É bom para o coração

Rico em compostos que exercem ações anti-inflamatórias e antioxidantes, a fruta auxilia na elevação dos níveis de HDL, o colesterol bom no sangue. Colabora ainda na diminuição dos níveis de triglicerídeos, facilita a circulação do sangue e ajuda na prevenção da pressão alta.

Em um estudo, por exemplo, o suco da romã foi capaz de reduzir a pressão sanguínea sistólica em 5 mmHg e a diastólica em 2 mmHg. Esses efeitos na pressão arterial foram observados independentemente da duração da intervenção e da dose ingerida do suco. O suco de romã também é um excelente auxiliar na prevenção de algumas doenças do coração, como infarto, arritmia e aterosclerose.

romã na salada  - iStock - iStock
As sementes também podem ser apreciadas, sendo muito utilizadas em molhos de salada
Imagem: iStock

2. Ajuda a equilibrar funções dos neurônios

Compostos antioxidantes e anti-inflamatórios presentes nas sementes e na casca da romã auxiliam a memória por equilibrar as funções dos neurônios.

Ensaios já mostraram o efeito do suco da romã como protetor para a doença de Alzheimer e Parkinson, como neste estudo e neste, "contudo, não há ensaio clínico que indique que o consumo da romã (em quaisquer dos seus formatos) melhore sintomas dessa doença", adverte Castro.

3. Contém substâncias associadas a um menor risco de câncer

Ricas em flavonoides e taninos —compostos antioxidantes—, a polpa e a casca da romã são associadas a um menor risco de câncer. Um estudo publicado no periódico Nature Communications, por exemplo, revelou que pessoas que habitualmente consomem doses moderadas a altas de alimentos ricos em flavonoides eram menos propensos a morrer de câncer ou doenças cardíacas.

4. Auxilia no equilíbrio da flora intestinal

A ação da vitamina C e dos antioxidantes encontrados na romã ajudam a equilibrar a flora intestinal, uma vez que inibem o crescimento de bactérias ruins e aumentam o número de bactérias boas no intestino.

5. Fortalece sistema imunológico

A fruta melhora ainda a absorção de vitaminas e minerais pelo organismo e ajuda a fortalecer o sistema imunológico, contribuindo na prevenção de gripes e resfriados. E o chá produzido com as cascas dos frutos é ótimo para tratar infecções de garganta, quando se faz gargarejos com ele.

6. Melhora saúde da pele

Além das antocianinas, a romã possui elagitaninos e catequinas na semente, casca e suco. São antioxidantes com ação anti-inflamatória que ajudam a proteger a pele dos raios ultravioletas, prevenindo o envelhecimento precoce dela.

7. Combate a diarreia

A romã contém taninos, compostos que aumentam a absorção de água e diminuem os movimentos de expulsão das fezes pelo intestino. Dessa forma, o chá das cascas da fruta ou do caule da romã colaboram no tratamento de diarreias.

8. Ajuda na manutenção do peso

A fruta tem poucas calorias (60 em 100g) e é fonte de fibras, ajudando no controle da fome, na eliminação do excesso de líquido corporal e no controle de peso.

romã com berinjela - iStock - iStock
Romã combina com diversos pratos, como este com berinjela
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9. Pode ajudar quem tem artrite

Uma revisão de estudos avaliou as propriedades da romã como terapia adjuvante no tratamento da artrite reumatoide. Doze artigos foram considerados e estudos em humanos, animais e in vitro indicaram os efeitos benéficos da romã nos sintomas clínicos, fatores inflamatórios e oxidativos da artrite. A fruta é capaz de gerenciar complicações da doença reduzindo a inflamação e o estresse oxidativo.

Como consumir

A romã geralmente está pronta para consumo observando-se a cor e a firmeza da casca. Esta deve ser lisa e apresentar uma cor que vai do rosa-escuro ao vermelho, sem manchas ou qualquer outra imperfeição. Em geral, as frutas boas para o consumo são mais pesadas, por possuírem mais suco e maiores sementes. "Verifique o barulho ao bater levemente a fruta com o dedo indicador: as ideais produzem um barulho metálico, enquanto as verdes fazem um barulho oco", afirma a nutricionista Tayana Vago.

A fruta é muito perfumada e atraente, mas se amadurecer demais nas árvores, será devorada pelos passarinhos. "O ideal é colher a romã quando ela está quase madura, deixando-a terminar de amadurecer após a colheita", aconselha a engenheira química e nutricionista Andrea Waisenberg.

Depois de escolher bem a fruta, sobretudo as maiores, com a casca dura, fina e inteira, é hora de saborear. "Corte a romã ao meio com uma faca, retire a coroa da fruta (a parte que a prende ao cabo) e corte pela metade novamente, ficando com a fruta em quatro partes. Mergulhe a romã em água, deixe por alguns minutos para facilitar a separação das sementes e então retire as sementes", orienta Waisenberg.

A "carne" da romã é agridoce e está pronta para ser consumida, em pedaços ou em suco, mas é bom tomar cuidado com a coloração forte da fruta, para não manchar tecidos. As sementes também podem ser apreciadas, sendo muito utilizadas em molhos de salada, por exemplo. A casca, folha e flores são indicadas, ainda, para chás.

Castro ressalta que as sementes da romã podem ser consumidas puras. "Elas complementam muito bem não só o sabor de saladas, mas também de bebidas, sucos, cremes de fruta e iogurtes", ensina a nutricionista, acrescentando que o suco da romã pode ser feito batendo no liquidificador as sementes com um copo de água gelada. "Para aproveitar todos os nutrientes da semente, recomenda-se beber o suco imediatamente, evitando a degradação desses compostos".

A casca da romã é rígida, de sabor amargo, e é frequentemente usada para fazer chás. "Em razão de suas propriedades anti-inflamatórias, são boas aliadas no combate de inflamações na faringe", garante Vago.

Riscos e contraindicações

De acordo com Castro, estudos apontam não haver contraindicação para o consumo da romã in natura. Com relação ao extrato das sementes, apesar das informações sobre a toxicidade do consumo, que não deve ultrapassar 600 mg/kg de peso corporal (ou 42 g do extrato da romã para um adulto de 70 kg), não há estudos sobre a segurança de consumir produtos da pele, folhas ou flores da romãzeira. "Portanto, recomenda-se cautela no consumo desses produtos, principalmente grávidas e crianças", adverte.

Vago enfatiza que o consumo excessivo deve ser evitado não só por lactantes e grávidas, mas ainda por indivíduos com susceptibilidade a alergias.

Fontes: Andrea Waisenberg, engenheira química, nutricionista e pós-graduada em nutrição esportiva pela USP (Universidade de São Paulo); Natália Pinheiro de Castro, mestre em ciências pela FSP/USP (Faculdade de Saúde Pública da USP), doutora em ciências pela FCF/USP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP), membro do @nuts.nutritionscience; Tayana Vago, nutricionista especialista em nutrição funcional e doutora em oncologia pela Universidade Federal do Pará.

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