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Cirurgia de redução de mamas é segura e tem média complexidade; saiba mais

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

25/01/2022 04h00

Resumo da notícia

  • A redução dos seios é também conhecida como mamoplastia ou mastoplastia redutora
  • O preço da intervenção varia a depender do médico, da região e do hospital escolhido
  • A cirurgia é feita pelo SUS, geralmente em hospitais universitários, mas há restrições
  • Os convênios também exigem repercussões posturais ou alterações funcionais comprovadas

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças.

No universo das cirurgias plásticas, a redução de mamas é considerada um bom exemplo de promoção de todas essas condições. A razão para isso é que o procedimento promove uma mudança global na vida das mulheres. As funções e as formas dos seios melhoram, as dores diminuem, a autoestima aumenta e a escolha de roupas deixa de ser um desafio.

Também conhecida como mamoplastia ou mastoplastia redutora, essa cirurgia não é tão comum entre as mulheres como a de aumento de mamas —a famosa colocação de prótese de silicone. Mas entre os homens, o procedimento —chamado de correção da ginecomastia— é o terceiro mais frequente em todo o mundo. Os dados são da pesquisa global da ISAPS, sigla em inglês para Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética.

As principais indicações da intervenção são problemas funcionais —como dores e desconforto consequentes ao peso das mamas e dermatites de repetição abaixo dos seios— e também estéticas: mamas desproporcionais ao corpo da mulher e assimetria mamária.

Já no grupo masculino é preciso que haja aumento mamário maior que 5 cm. Para a maioria dessas pessoas, o índice de satisfação com a redução mamária é alto, apesar das possíveis alterações que a passagem do tempo e o envelhecimento podem trazer.

Entenda o que é a cirurgia de redução de mamas

A mamoplastia ou mastoplastia redutora é um procedimento cirúrgico que trata um problema denominado hipertrofia mamária ou gigantomastia, popularmente conhecido como mamas grandes.

A cirurgia tem como objetivo reduzir as mamas e corrigir a queda, conferindo aos seios formato e projeção adequados aos contornos corporais da mulher, o que se obtém por meio da retirada do excesso de tecido gorduroso e glandular.

A diminuição das mamas também pode ser feita em homens, e a cirurgia, para eles, tem outro nome: correção de ginecomastia.

Saiba quais são as indicações para essa cirurgia

A literatura sobre a mamoplastia redutora revela que a busca por esse procedimento se dá por questões físicas e psicológicas.

No entanto, a indicação médica mais comum é o alívio de dores e o desconforto associado ao volume e peso das mamas. Confira as queixas mais comuns apresentadas a ginecologistas, mastologistas, ortopedistas e cirurgiões plásticos:

Quando a correção de ginecomastia pode ser feita?

De acordo com os especialistas consultados, o aumento mamário pode ser fisiológico, ou seja, decorre das alterações do organismo na puberdade, mas geralmente esse quadro regride em até 18 meses.

Quando isso não acontece e o volume é maior que 5 cm, independentemente da idade, a cirurgia pode ser indicada.

A maior queixa entre os homens são:

  • Constrangimento pela aparência do volume das mamas nas roupas
  • Restrição do convívio social (como evitar ir à praia ou à piscina onde seria necessário tirar a camisa)
  • Isolamento social
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Homens também podem se submeter a cirurgia de redução das mamas
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Saiba quem não pode se submeter a essa cirurgia

A redução das mamas só pode ser realizada em pessoas que estejam em boas condições de saúde. Isso significa que ela é contraindicada na presença das seguintes situações:

  • Doenças cardíacas, renais ou pulmonares graves
  • Obesidade
  • Diabetes ou hipertensão descontrolados
  • Ser fumante
  • Ter idade inferior a 17 anos (garotas)
  • Ter mamas de até 2 cm com menos de 18 meses de evolução (garotos)

Quais especialistas podem fazer essa cirurgia?

Cirurgiões especializados pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e mastologistas com formação e atuação em estética mamária estão aptos para realizar esse tipo de procedimento.

A diferença entre uma e outra especialidade é que os cirurgiões plásticos são habilitados para fazer cirurgias em outras partes do corpo e, no caso do mastologista, seu campo de atuação se limitaria apenas às mamas. A informação é da SBCP.

Cuidados do pré-operatório

Além dos exames de rotina, como hemograma e exames de coagulação, e a depender das condições de saúde da pessoa, pode também ser solicitada uma avaliação cardiológica. O que não pode faltar é o exame radiológico das mamas (ultrassom ou mamografia), especialmente entre pacientes com idade superior a 40 anos ou com histórico familiar de câncer de mama.

"Antes de realizar a mamoplastia redutora é essencial que as mamas sejam avaliadas por um mastologista. A prática avalia a presença ou não de alterações ou lesões sugestivas de malignidade [câncer], e o mastologista é o profissional adequado para orientar a paciente nesta primeira etapa do procedimento", adverte Milena Holanda, médica mastologista.

Qual é a melhor técnica utilizada?

A redução de mamas é o procedimento com a maior variedade de técnicas disponíveis porque não existe uma prática que se adapte a todas as mulheres. Assim, cabe ao médico individualizar cada cirurgia, e esta é a razão pela qual ele deve ter formação adequada e também repertório para oferecer à paciente a melhor solução para ela. A explicação é de Pedro Coltro, professor da disciplina de Cirurgia Plástica da FMRP-USP.

"Toda vez que falamos em técnica para redução mamária, ela diz respeito aos meios de garantir vascularização para a aréola e o mamilo, garantindo a sua vitalidade após a cirurgia. Como essas são as áreas que mais mudam de posição nessa cirurgia, a extensão da ascensão deles é que determinará a melhor técnica", acrescenta o especialista.

Coltro esclarece ainda que esse "levantamento" pode ser feito por meio de conexões superiores (pedículo superior); inferiores (pedículo inferior); superior e inferior (bipedículo); lateral (pedículo lateral); superior e pelo meio (pedículo superomedial) e, historicamente, tais técnicas levam o nome dos cirurgiões que as descreveram.

"No Brasil, uma das técnicas mais utilizadas é a mamoplastia redutora à Pitanguy, que utiliza o pedículo superior, descrita pelo famoso cirurgião plástico Ivo Pitanguy nas décadas de 1950-1960", completa Coltro.

A lipoaspiração pode ser uma das alternativas?

De acordo com cirurgião plástico Eduardo Kanashiro, membro da SBCP e CEO da Academia da Pele, raramente essa técnica é indicada para a redução das mamas femininas porque o volume a ser diminuído geralmente é o da glândula mamária.

Como ela possui uma estrutura fibrosa, seria difícil ser aspirada por meio de uma cânula. Além disso, é comum que, após a redução dos tecidos, existam sobras de pele que devem ser removidas por meio de cortes da técnica eleita pelo cirurgião.

Por outro lado, a lipoaspiração pode ser utilizada para ajustes discretos em pacientes com acúmulo de gordura na parte lateral das mamas, ou entre as que tenham boa elasticidade e se busque retração de pele para prevenir a flacidez mamária.

"Já entre os homens, a lipoaspiração é indicada como auxiliar da correção de ginecomastia, quando há gordura associada ao aumento da glândula, e pode até ser feita isoladamente quando a causa do aumento mamário é só o acúmulo de gordura", informa o especialista.

Entenda os riscos potenciais

O procedimento é considerado bastante seguro —se preenchidos todos os requisitos para a sua indicação— e os seus riscos são os mesmos que todos os tipos de cirurgias apresentam: possibilidade de sangramento, infecção, problemas de cicatrização e com anestésicos, além de trombose e embolia.

Veja outros exemplos de riscos listados pela SBCP para esse tipo de cirurgia:

  • Alteração na sensibilidade dos mamilos
  • Contorno e forma das mamas irregulares
  • Descoloração da pele, inchaço e hematomas
  • Danos em estruturas mais profundas (nervos, vasos sanguíneos, músculos)
  • Acúmulo de líquidos (seroma)
  • Rigidez excessiva do mama
  • Possibilidade de dificuldade de amamentar
  • Potencial necrose da pele (perda da aréola e do mamilo)
  • Dor que pode ser duradoura
  • Alergia

Tais eventos são considerados raros, e a grande maioria deles é contornável.

O que acontece durante a cirurgia?

Embora seja considerado um procedimento de média complexidade, ele deve ser realizado em hospitais e, geralmente, a pessoa recebe alta no mesmo dia. As etapas cirúrgicas se resumem nas medidas a seguir:

  • Anestesia
  • Incisão (corte)
  • Remoção do tecido em excesso
  • Reposicionamento da aréola e mamilo
  • Montagem da mama
  • Fechamento do corte

A depender da atividade laboral exercida, as atividades podem ser retomadas em 10-20 dias, mas é possível que persistam algumas limitações de movimentos.

Principais complicações

Os médicos consultados afirmam que a incidência delas é relativamente baixa, e quando se manifestam, seus efeitos podem ser minimizados. Na prática, as mais comuns são pequenas aberturas na cicatriz (deiscências).

O que esperar da cicatrização?

A cicatriz da mamoplastia redutora é grande porque a área de retirada de tecido é extensa. Conhecida como "T invertido", ela é horizontal de fora a fora, e vertical, saindo do meio da base da mama até a aréola e o mamilo. Há ainda uma cicatriz periareolar (em volta da aréola). A depender do caso, algumas técnicas permitem reduzir a dimensão de algumas dessas cicatrizes. No início ela é avermelhada e, depois, espera-se que volte à coloração normal.

Apesar de todas essas características, é difícil para o médico prever como será a cicatrização de cada paciente. A razão para isso é que as características da cicatriz dependerão de fatores personalíssimos como genética, estilo de vida, idade e histórico de perda excessiva de peso, entre outras situações.

O que esperar após a cirurgia?

Um recente estudo de revisão da literatura médica realizado pela Unicesumar, no Paraná, concluiu que a taxa de satisfação das mulheres com essa cirurgia é superior a 70%. As pacientes melhoraram significativamente a qualidade de vida, a saúde mental, os sintomas físicos, a sexualidade e a imagem corporal.

Os resultados são permanentes?

Os especialistas esclarecem que nenhum resultado de cirurgia plástica é permanente, e todos sofrem alterações com o passar do tempo.

No caso da redução de mama não é diferente. Podem ocorrer perdas parciais dos resultados cirúrgicos com o passar dos anos. São exemplos a flacidez natural e a mudança no posicionamento das mamas.

Aliás, essas mudanças aconteceriam mesmo sem a cirurgia, porque tais modificações fazem parte do envelhecimento natural da pele, que vai perdendo seu poder de contenção e elasticidade.

A redução das mamas pode ser feita pelo SUS?

Sim, desde que haja enquadramento nos critérios exigidos, como o desconforto extremo da paciente, repercussões posturais ou alterações funcionais comprovadas. Geralmente a cirurgia é realizada em hospitais universitários.

Quanto aos convênios, as regras para cobertura variam, mas podem ser realizadas cirurgias em pacientes com alterações funcionais extremas (para ambos os gêneros). Como não se trata de uma cirurgia com cobertura obrigatória, na grande maioria das vezes, os planos negam porque os casos apresentados são, geralmente, mais simples.

Em relação aos médicos particulares, o custo dessa cirurgia varia muito a depender do profissional, a região na qual ele atua e o hospital onde o procedimento será realizado.

Em todos os casos, informe-se sobre as credenciais do cirurgião e certifique-se de que ele tem os requisitos necessários para exercer sua especialidade, estando, portanto, apto a realizar a cirurgia.

Dicas para colaborar com a recuperação

A escolha de um bom profissional, de um local seguro e confiável para a realização do procedimento, além de adotar hábitos de vida que permitam ter peso e dieta saudáveis fazem toda a diferença na recuperação.

Outra boa providência é se organizar com o tempo de afastamento das atividades profissionais. Poder contar com o apoio de alguém nesses dias também traz mais tranquilidade para atender às orientações médicas de repouso relativo (não é recomendado ficar deitado o tempo todo) e limitação na movimentação dos braços.

A última dica é adotar medidas de controle da ansiedade. Isso ajuda a aceitar as demoras do processo pelo qual você terá de passar para alcançar bons resultados.

Fontes: Eduardo Kanashiro, cirurgião plástico e membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e CEO da Academia da Pele; Milena Holanda, médica mastologista da MEAC-UFC (Maternidade Escola Assis Chateaubriand da Universidade Federal do Ceará), que integra a Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Pedro Coltro, professor de cirurgia plástica da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), membro titular da SBCP e especialização pelas Universidades Harvard e Yale (Estados Unidos). Revisão médica: Pedro Coltro.

Referências: SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica); OMS (Organização Mundial da Saúde); American Board of Cosmetic Surgery; Sachs D, Szymanski KD. Breast Reduction. [Atualizado em 2021 Aug 1]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441974/; GODOY, Marina Helena, NEVES, Amanda Fracaro. Percepção das mulheres sobre a cirurgia estética das mamas: revisão sistemática de literatura. Unicesumar. 2021. http://rdu.unicesumar.edu.br/handle/123456789/7748.

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