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Não é só a dose menor: saiba diferenças da vacina da Pfizer para crianças

Vacina da Pfizer foi aprovada para uso de crianças no Brasil Imagem: Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Carlos Madeiro

Colaboração para VivaBem

16/12/2021 15h54

A vacina da Pfizer aprovada hoje pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) para uso em crianças de 5 a 11 anos no Brasil não é a mesma já utilizada na imunização de adolescentes e adultos. E a diferença vai além do tamanho da dose do imunizante e passa por sua composição —o que impede o uso em adultos e vice-versa.

Para começar, a dose já vem com uma diferença marcante de cor da tampa do frasco para dificultar erros de aplicação nas salas de vacinação compartilhadas para adultos e crianças. A nova vacina tem cor laranja.

Além da mudança estética, outras diferenças estão dentro do frasco e são marcantes. A dose usada terá apenas um terço do imunizante, caindo de 30 microgramas para 10 microgramas. A quantidade de diluente usado também é menor: 1,3 ml contra 1,8 ml nos maiores de 11 anos.

Apesar disso, um ponto importante: o volume do líquido que será introduzido no braço das crianças é de 0,2 ml, ou seja, 0,1 ml a menos do que na dose de idades maiores. Essa diferença ocorre porque, além da base, há a diluição do antígeno no produto final.

Quando se fala em uma dose de 10 microgramas em 0,2 ml quer dizer que você tem a cada 0,2 ml de volume líquido 10 microgramas de um RNA mensageiro modificado que codifica a proteína S [do Sars-CoV-2] e os ingredientes não medicinais. Para os maiores de 12 anos, isso é de 30 microgramas de RNA a cada 0,3 ml. Paulo Martins-Filho, chefe do Laboratório de Patologia Investigativa da Universidade Federal de Sergipe

A seringa a ser utilizada em crianças deve ser a de 1 ml (de agulha fina), ou seja, deve estar 20% preenchida. A recomendação é que os vacinadores mostrem a seringa preenchida aos responsáveis antes da aplicação para conferência.

A concentração de mRNA (tecnologia usada pela Pfizer, de RNA mensageiro) também será 80% menor que a da dose para adultos e adolescentes, que usa 0,5 mg/ml. Nas crianças, essa relação é de 0,1 mg/ml.

Com menos quantidade, as doses no frasco da vacina aumentam de seis (no caso de adultos e adolescentes) para 10, o que deve facilitar a logística.

Por fim, o armazenamento pelos postos também sofre alterações. Enquanto a dose em uso no Brasil pode ficar apenas um mês em temperatura de 2ºC a 8ºC por mês, a dose infantil amplia esse prazo para 10 semanas.

Um ponto citado na reunião de hoje é que, caso a criança inicie o ciclo aos 11 anos, mas volte para a segunda dose após completar 12, deve ser mantida a administração da dose infantil.

Frascos com doses pediátricas da vacina da Pfizer contra a covid-19 têm tampa laranja Imagem: Divulgação/Pfizer

Além disso, Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, afirmou que será elaborado um material para informação e treinamento dos vacinadores brasileiros. "Isso faz parte da estratégia da empresa discutida conosco para que a vacinação não tenha erros. Como a formulação é diferente, a troca não é possível", afirma.

Além disso, Meiruze Sousa, diretora da Anvisa, leu uma série de sugestões que serão encaminhadas ao Ministério da Saúde para o início da vacinação infantil, inclusive que seja feita a imunização em dias separados e em locais diferentes da administração de outras vacinas do calendário básico.

"Não havendo possibilidade de separar, que sejam adotadas todas as medidas para evitar erros de administração", diz.

O órgão ainda recomenda que não seja realizada vacinação infantil em sistema drive-thru para que as crianças possam ser acolhidas e que, após imunizadas, fiquem por pelo menos 20 minutos para observação de eventuais reações.

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