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Assange sofreu pequeno AVC na prisão; estresse está entre fatores de risco

Henry Nicholls
Imagem: Henry Nicholls

De VivaBem, em São Paulo*

12/12/2021 10h13

Na manhã deste domingo (12), duas notícias trazem o AVC (acidente vascular cerebral) como causador de problemas de saúde. No caso da escritora Anne Rice, 80, complicações de um derrame causaram sua morte, conforme noticiado por seu filho. Já Julian Assange, fundador da WikiLeaks, sofreu um pequeno AVC na prisão no final de outubro, em plena batalha judicial contra sua extradição do Reino Unido para os Estados Unidos, declarou sua companheira Stella Moris.

A mulher de Assange disse: "Acredito que este constante jogo de xadrez, batalha após batalha, este estresse extremo, é o que causou este derrame em Julian em 27 de outubro", acrescentando que teme que seu companheiro seja vítima de um episódio mais grave.

O AVC está entre as principais causas de morte no mundo. A OMS (Organização Mundial de Saúde) prevê que uma em cada seis pessoas terá o problema ao longo da vida. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a cada 5 minutos uma pessoa morre em decorrência da doença, contabilizando mais de 100 mil mortes por ano.

De forma geral, o AVC é a morte de células do cérebro, que acontece pela interrupção do fluxo sanguíneo no órgão. Os sintomas são iguais para homens e mulheres. Alterações motoras súbitas, como fraqueza muscular, incoordenação ou incapacidade de movimentar uma parte do corpo —geralmente braço e perna de um lado só do corpo—, e dormência na face, braço ou perna estão entre os sinais mais marcantes da doença.

O paciente ainda pode apresentar dificuldade na fala, conversando de forma devagar e confusa. Alterações sensitivas, como cegueira, mudanças nos níveis de consciência, sonolência e confusão mental também aparecem. São registradas ainda queixas de dor de cabeça repentina, aumento de pressão intracraniana e náuseas e vômitos.

Existem fatores de riscos modificáveis, como pressão alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo, uso de drogas, obesidade, sedentarismo e estresse. Mas há causas que não temos controle, como idade (o problema é mais comum em idosos) e gênero (a doença acomete mais homens).

Eli Faria Evaristo, neurologista no Hospital Sírio-Libanês (SP) e especialista em AVC, explica que o mecanismo pelo qual o estresse aumenta o risco de AVC é ainda incerto e provavelmente multifatorial, mas por si só pode ser um fator de risco para os derrames. "Estamos falando de uma reação do organismo que para enfrentar possíveis ameaças, como uma discussão ou uma reunião tensa no trabalho, causa modificações bioquímicas e cardiovasculares, por exemplo, elevando o batimento cardíaco e a pressão arterial", esclarece. "Quando o estresse se torna rotina, ele passa ser uma patologia, aumentando os riscos para um AVC", acrescenta.

Além disso, fatores genéticos aumentam o risco de AVC, e nesse caso é importante ficar alerta tanto para o histórico familiar de derrame como de outras doenças que elevam os riscos de ter um derrame, por exemplo, as já citadas diabetes e hipertensão.

Obviamente, a melhor forma de driblar um derrame é evitar os fatores de risco modificáveis. "Mas você pode ter um AVC mesmo assim. Porém, é importante deixar claro que em cerca de 80% dos casos a pessoa poderia ter feito algo para mudar o desfecho. Você precisa fazer atividade física, controlar seu peso, gordura abdominal e a pressão arterial, reduzir o colesterol, não abusar do álcool, evitar o estresse, não fumar e fazer acompanhamento médico," disse Letícia Januzi, neurologista vascular do Hospital Universitário da Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

*Com informações de reportagem de Maria Júlia Marques e do Hospital Sírio-Libanês

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