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Nova versão da ômicron pode não ser detectada por PCR, dizem pesquisadores

Variante ômicron - iStock
Variante ômicron Imagem: iStock

Weudson Ribeiro

Colaboração para VivaBem, em Brasília

08/12/2021 10h14

Pesquisadores europeus descobriram que uma "versão furtiva (discreta)" da variante ômicron do coronavírus pode não ser detectada por meio de testes de PCR. A cepa ômicron, que tem nome científico de B.1.1.529, agora se divide em duas categorias: BA.1 e BA.2.

Os cientistas identificaram a nova linhagem na África do Sul, Austrália e no Canadá, de acordo com a análise publicada na plataforma de compartilhamento de informações GitHub. Eles investigam agora se a nova versão da ômicron já se espalhou por outros países.

Na prática, a BA.2 é detectada como coronavírus por todos os testes usuais, mas só pode ter sua mutação determinada por meio de testes genômicos. "As duas linhagens podem se comportar de maneira diferente", afirmou o professor François Balloux, diretor do University College London Genetics Institute, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. "Há duas linhagens dentro da ômicron, BA.1 e BA.2, que são bastante diferenciadas geneticamente", explica.

Ele destaca que uma alteração na proteína spike faz com que os testes PCR não sejam capazes de identificá-la. No entanto, é possível localizar a variante por meio de sequenciamento de genoma e nos outros testes usuais de covid-19, diz o professor.

Pfizer oferece proteção parcial contra ômicron

Estudos preliminares divulgados hoje mostram que três doses da vacina anticovid-19 da Pfizer podem neutralizar a variante ômicron. O resultado obtido um mês após a terceira dose é comparável ao observado depois da administração de duas doses contra a cepa original.

"Embora duas doses da vacina ainda possam oferecer proteção contra forma grave causada pela cepa ômicron, a partir desses dados preliminares está claro que a proteção é melhorada com uma terceira dose", disse Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer.

A Pfizer é a segunda vacina mais aplicada no Brasil, com 33,5% das doses administradas, segundo o Ministério da Saúde. A de Oxford/AstraZeneca vem em primeiro lugar, com 37,5% das doses aplicadas. Em terceiro, aparece a CoronaVac, com 27,4% das doses. A vacina da Janssen/Johnson, que representa 1,6% das doses aplicadas, aparece em último lugar no ranking.

Em novembro, o Ministério da Saúde afirmou que a vacina da Pfizer deve ser "preferencialmente" usada na dose reforço contra a covid-19 em pessoas com mais de 18 anos. As orientações são para quem tomou CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer.

"A vacina a ser utilizada para a dose de reforço deverá ser, preferencialmente, da plataforma de RNA mensageiro (Pfizer/Wyeth) ou, de maneira alternativa, vacina de vetor viral (Janssen ou AstraZeneca), independente do esquema vacinal primário", diz o documento.

Em outubro, a Pfizer e sua parceira alemã BioNTech disseram que dados de um teste de estágio avançado demonstraram a alta eficácia de uma dose de reforço de sua vacina contra covid-19, inclusive contra a variante delta do coronavírus.

Elas disseram que um teste com 10 mil participantes de 16 anos ou mais mostrou eficácia de 95,6% contra a doença durante um período em que a linhagem delta era prevalente. A administração da dose de reforço já ocorre para idosos, pessoas imunossuprimidas e profissionais da saúde. O Ministério da Saúde afirmou que pretende distribuir em breve doses de vacina específicas para aplicação da dose adicional.

Variante tende a superar a delta

Identificada na África do Sul, a nova variante foi classificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma variante de preocupação no fim de novembro. Dois motivos levaram a isso:

  • Aumento expressivo no número de casos da doença no país que a identificou primeiro, indicando uma cepa mais transmissível em comparação com a original;
  • Alto número de mutações genéticas, cerca de 50, que podem explicar a grande transmissibilidade do vírus.

Ser mais transmissível não significa, necessariamente, que essa variante gere uma doença mais grave, segundo explica Fernando Spilki, especialista em virologia e coordenador da Rede Corona-ômica.BR-MCTI, que atua no sequenciamento do genoma de amostras do novo coronavírus no Brasil. Para esse tipo de afirmação, é preciso cautela e tempo.

Confira mais informações sobre a ômicron e o cenário do Brasil daqui para frente no contexto da pandemia, de acordo com informações de Spilki, que também é responsável pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade FEEVALE, no Rio Grande do Sul.

Quais são as principais características da ômicron e por que se tornou preocupante?

Do ponto de vista do genoma e da estrutura de proteínas, essa variante reuniu várias mutações que já conhecíamos de outras cepas de preocupação do passado. É como se ela tivesse feito uma seleção de várias alterações genéticas de outras variantes.

Do ponto de vista da transmissibilidade, sabemos com certeza até agora que é alta. Já a virulência, ainda não sabemos: algumas notícias dão conta de que os quadros provocados são mais leves, mas temos também informações de aumento de casos de internação na província onde ela foi encontrada na África do Sul.

Por isso, precisamos de cautela. Ao longo do tempo, vimos as variantes se comportando de forma variada em diferentes cenários. Isso porque temos populações que estão mais vacinadas, outras menos vacinadas, com mais ou menos comorbidades, com características únicas e diferentes em cada região etc. Então, a questão da virulência ainda vai levar mais tempo para entender. Talvez nas próximas semanas fique mais claro.

As variantes sempre vão continuar surgindo? Como ocorre esse processo?

Sim, pois é impossível parar a evolução do vírus. É um processo em que o microrganismo vai escapando dos desafios que ele encontra; nesse caso, essencialmente do nosso sistema imunológico. Como é um processo que ocorre ao acaso, sem controle, quanto mais infecções o vírus provocar, melhor para ele, pois vai ter mais chances de mutar.

O que podemos fazer para reduzir as chances de surgimento de novas variantes?

O surgimento de novas cepas está atrelado à possibilidade de o vírus infectar um grande número de hospedeiros suscetíveis a ele. Por isso, a chave para impedir que isso ocorra é justamente impedir essas infecções e impedir que as pessoas transmitam o vírus. E as ferramentas que temos para isso são comportamentais, como evitar aglomerações, usar máscara, manter ambientes ventilados, e a vacinação. Com mais pessoas vacinadas, o número de mutações tende a ser menor, pois teremos organismos combatendo o vírus.

Com o cenário positivo da vacinação no Brasil, estaríamos mais prevenidos e menos vulneráveis a essa nova variante?

Sem dúvida, mas não é só isso. Em populações com alto índice de vacinação e que têm um perfil de cuidado maior, com uso de máscara e evitando aglomerações, o cenário de transmissão de qualquer variante é reduzido. Mas precisamos estar atentos, acompanhar os ensaios em laboratório com as vacinas e ajustar os protocolos de vacina, se for necessário.

Já é possível ter uma ideia do que podemos esperar daqui para frente? Seria a ômicron capaz de dominar o surgimento das novas infecções?

O que nós pudemos observar em um cenário bastante reduzido, que é o que vimos na África do Sul, é que mesmo em um ambiente dominado pela variante delta, a ômicron foi capaz de evoluir e dominar o cenário de infecções. Com o tempo, é bastante provável que ela substitua a delta, até porque essa é a maneira como o vírus "atuou" até agora, inclusive no Brasil: as variantes vão se substituindo ao longo do tempo. Mas ainda precisamos aguardar para ter mais certezas.

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