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Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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A vida no claustro: dá para encontrar o sentido da vida longe das pessoas?

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Thaís Lyra

Colaboração para o VivaBem

01/12/2021 04h00

Com o perdão do clichê, você já deve ter se perguntado em algum momento de onde veio e para onde vai. A busca por um sentido na existência acompanha o ser humano por séculos e não há Google capaz de responder tais perguntas. Encontrar um propósito, então, acaba sendo um desafio particular.

Para alguns, a vida reclusa é o meio de encontrar todas as respostas que precisam. Sim, tem quem opte por não apenas tirar o famoso ano sabático como ir atrás de uma vida inteira sabática.

A palavra enclausuramento significa retirar-se da sua rotina. O objetivo é deixar que a mente repouse e, ao mesmo tempo, se abra para sensações profundas. Para os budistas, não há momento mais sagrado do que você poder oferecer a si mesmo a oportunidade de um retiro.

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As vantagens de não ter convívio social por alguns dias

Pode ser um dia ou um final de semana, desde que a pessoa tenha intenção e motivação, será beneficiada. Além disso, pode ajudar no aprendizado de diferentes maneiras: sem nenhuma distração, o nível de contemplação e reflexão aumenta. O resultado? Você traz o que aprendeu para uma vivência absoluta e transformadora.

Justamente devido a esse tempo em silêncio, começamos a "ouvir" outras vozes internas, principalmente em relação a outras pessoas. Afeto, empatia e compaixão aparecem e, com o tempo, é possível desenvolver uma visão mais serena e lúcida. Cria-se uma grande motivação para viver experiências de contentamento e felicidade.

Em mundo com tantas informações e barulhos, a clausura pode até parecer um pesadelo. Mas para quem viveu ou vive em retiro, passar por momentos de silêncio profundo, seja por motivos de orações, rituais, ajuda a desenvolver calma e paciência.

Não é viver isolado nem férias

Quem vai a um retiro ou vive enclausurado, não fica isolado das pessoas. O que acontece é que não haverá convívio social com quem não vive ou está no mesmo local que você. Outra coisa importante: não é férias. Sempre haverá rituais, missas, afazeres, rotinas e hierarquia.

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Todos conseguem

Enclausurar-se não é apenas uma questão de vocação, mas de desenvolvimento, crescimento e até de chamamento pessoal. Cada pessoa tem seu tempo e essa liberdade precisa ser respeitada. Pessoas que optam por esse tipo de vida se sentem, em geral, bem consigo mesmas, e conseguem enxergar nisso uma fonte de mudança.

Uma das tarefas mais desafiadoras é a rotina de cultivar o espírito firme. Não importa se rezando, orando ou entoando mantras. A ideia é entender que a felicidade não está nas coisas, e sim faz parte uma atitude interior.

Mas por mais que você tenha religiosidade e fé, haverá situações difíceis, momentos de dúvidas, falhas e falta de energia. Mas o claustro ajuda a trazer energia, resiliência e fé. Ao perceber que você não é o centro do universo, consegue, de fato, exercitar sua liberdade.

Fontes: Lama Rinchen Khyenrab Thupten Nyma (Carlos Henrique Amaral de Souza), é fundador do Centro Budista Tibetano Thupten Dekyid Öedbar Ling (Mosteiro Sakya), em Cabreúva (SP); Padre Emanuelle Bargellini, que vive no Mosteiro da Transfiguração dos Monges Beneditos Camaldolenses, em Mogi das Cruzes (SP); Irmã Maria Aparecida, que vive em um convento no Sul do País (ela pediu para não ser identificada); Márcia Atik, psicóloga clínica formada pela UniSantos (Universidade Católica de Santos); Arthur Prado-Netto, doutor e mestre em psicologia pelo Instituto de Psicologia Henri Piéron da Université Paris 5 (Sorbonne-França) e professor de psicologia Universidade do Estado da Bahia, Campus Guanambi e Bom Jesus da Lapa, que ficou hospedado na La Maison Clarté, cidade de Lyon, França, casa de repouso para religiosos idosos e monges aposentados, entre 2004 e 2005.

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