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Tomei Janssen há mais de 2 meses. E agora, estou desprotegido?

valdy/iStock
Imagem: valdy/iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

17/11/2021 15h04

Na última terça-feira, 16, Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, anunciou que as pessoas que tomaram a vacina da Janssen, aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aplicação em dose única, precisarão receber uma segunda dose do imunizante da farmacêutica Johnson & Johnson. A aplicação deverá ser feita dois meses após a primeira dose. Já o reforço para essas pessoas será feito cinco meses após o esquema vacinal completo.

O anúncio causou dúvidas. Se a segunda dose deve ser tomada depois de dois meses, como ficam aqueles que receberam o imunizante há mais tempo? Essas pessoas ainda estão protegidas contra covid-19? Vale lembrar que parte da população recebeu a vacina há cerca de cinco meses, quando a Janssen mandou o primeiro lote para o Brasil.

"Essa orientação (da segunda dose) foi direcionada àqueles que por algum motivo ainda não receberam nenhuma vacina contra a covid-19. Pela forma como foi falada, acabou gerando um certo pânico", explica Gustavo Cabral, pesquisador da USP (Universidade de São Paulo)/Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e colunista de VivaBem.

Ter tomado a vacina da Janssen há mais de dois meses, ainda que haja um atraso não ideal na segunda dose, não significa que a pessoa está desprotegida. "Vários estudos mostram que essa primeira dose oferece mais de 60% de proteção. Para a maioria das pessoas é suficiente para prevenir doença em estado grave e morte", aponta Cabral.

O risco está relacionado diretamente ao perfil de saúde de cada pessoa, explica o infectologista Evaldo Stanislau, assistente-doutor da divisão de moléstias infecciosas e parasitárias do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da USP). "Se é alguém jovem, sem nenhuma comorbidade, provavelmente sua imunidade ainda é boa. Se a pessoa foi infectada pelo coronavírus antes de receber a dose, a proteção é ainda maior —já que a imunidade naturalmente adquirida soma-se à imunidade vacinal."

Estão em maior risco, explica o médico, assim como é também com outras vacinas, pessoas idosas, imunodeprimidas, com doenças crônicas graves que ficam expostas à infecção e a desenvolver quadros mais graves de covid-19. "Mas mesmo nessa situação uma dose da vacina já diminui muito o impacto clínico da doença."

Apesar da boa proteção já na primeira dose, o ideal é que quem tomou a vacina Janssen faça o complemento do esquema de vacinação com a segunda dose, idealmente do mesmo fabricante. Além disso, é importante que, no caso da terceira dose, quando for feita, seja utilizada uma vacina de tecnologia diferente. "Tanto a Janssen quanto a Oxford utilizam a tecnologia de vetor viral (o vírus que carrega pedacinho do coronavírus para dentro da célula). Assim, o sistema imunológico é estimulado contra esse vírus. Se tem anticorpos que vão neutralizar antes de chegar dentro da célula, [na terceira dose], não vai funcionar tão bem", esclarece Cabral.

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