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Crise de enxaqueca? Veja 8 gatilhos que pioram o problema e como prevenir

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Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem

05/11/2021 04h00

Quem já teve uma crise de enxaqueca dificilmente esquece: a dor costuma ser tão intensa e incapacitante que atrapalha bastante a rotina. A duração deste forte desconforto, geralmente, varia de quatro a 72 horas e a intensidade da dor é de moderada a severa.

É comum que a enxaqueca também provoque outros sintomas como enjoos, vômitos e intolerância à claridade ou a ruídos. Sabe-se que o fator de risco mais comum para a enxaqueca é o histórico familiar. Além disso, alguns gatilhos provocam ou aumentam a dor.

"Existem alguns fatores desencadeantes mais comuns e que, na maioria das vezes, já são conhecidos pela pessoa que sofre com o problema. No entanto, eles são muito individuais e variam bastante", destaca Eli Evaristo, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP).

A seguir, veja detalhes desses gatilhos mais comuns para as crises de enxaqueca e maneiras de tentar prevenir:

1. Dormir mal

A privação do sono está associada a enxaquecas e dores de cabeça tensionais. De acordo com Carolina Galliano, neurologista responsável pelo laboratório de cefaleia e dor do Hospital Santa Paula (SP), dormir mal desencadeia uma resposta de sensibilidade excessiva à dor no sistema nervoso central.

"Essa relação se torna um ciclo, no qual a própria enxaqueca piora a qualidade do sono. Dormir bem é um pilar importantíssimo no bom controle da enxaqueca e essencial para um tratamento eficaz", completa.

O que fazer: é importante criar "rituais" antes de dormir. Vale a pena ter horários regulares, evitar a cafeína durante a noite e ficar longe de dispositivos eletrônicos como TV ou celulares. O ideal é dormir pelo menos sete horas por noite.

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2. Estresse

Quem vive estressado deixa os músculos dos ombros e do pescoço tensos por muito tempo. Além disso, o estresse provoca um desequilíbrio emocional e alterações hormonais no organismo que, se acontece de forma frequente, acaba provocando mais crises em quem já tem predisposição ao problema.

O que fazer: combater o estresse é um desafio para muita gente. Ter um hobby e praticar atividade física regular são atitudes que ajudam a equilibrar os hormônios e estimulam o relaxamento, além de favorecer a oxigenação cerebral. Meditação e ioga também costumam ser boas aliadas.

3. Alimentação

Em pessoas mais sensíveis, alguns alimentos podem desencadear crises de enxaqueca por conter substâncias que estimulam a sensação de dor. É o caso da tiramina e feniletilamina, presentes no chocolate e em alguns queijos.

A ingestão intensa e frequente da cafeína pode ser um agravante da enxaqueca, embora a abstinência repentina também provoque o problema. "Outras substâncias que causam dor de cabeça incluem o aspartame, presente em alguns adoçantes, o glutamato monossódico em alimentos processados e temperos prontos, e os nitritos de embutidos e carnes processadas", explica Evaristo.

Geralmente, esses alimentos provocam a vasodilatação, ou seja, aumento do fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, surge a dor. Além disso, existe um tipo de dor de cabeça relacionada à ingestão de alimentos ou bebidas congeladas, como o sorvete. Nesses casos, costuma ser um incômodo muito intenso, geralmente na parte frontal e lateral da cabeça, mas dura poucos minutos.

O que fazer: o ideal é evitar ou consumir com bastante moderação os alimentos que desencadeiam enxaqueca. Vale a pena consultar um nutricionista para avaliar se é o caso de substituir algumas coisas na dieta.

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4. Álcool

As bebidas alcoólicas podem desencadear uma crise de enxaqueca em poucas horas. A quantidade de álcool para acarretar o sintoma varia de pessoa para pessoa: alguns ficam mal apenas com uma taça de vinho, enquanto outros precisam de uma dose um pouco maior. Nesse último caso, é comum que o desconforto apareça no dia seguinte como parte do famoso quadro chamado ressaca.

Nos outros casos, a dor vem porque o álcool dilata os vasos sanguíneos do cérebro, o que pode desencadear a dor em quem é mais propenso ao problema. O vinho tinto, em particular, é bastante conhecido por ser um gatilho para essa dor. A bebida contém substâncias como histamina, tanino e sulfito, que aumentam o risco de ter dores de cabeça.

O que fazer: em excesso, bebidas alcoólicas trazem diversos riscos à saúde; por isso, o consumo deve ser evitado sempre que possível, especialmente se você tem predisposição à enxaqueca.

5. Eventos climáticos

O calor ou frio extremo, assim como locais muito úmidos, estão relacionados com maior risco de enxaqueca. Além das variações climáticas, os poluentes do ar como chumbo, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e de enxofre também aumentam as crises em pessoas mais sensíveis.

O que fazer: nesses casos, é bastante difícil evitar as crises de enxaqueca. É importante se atentar se a mudança climática ou se a poluição está atrapalhando a qualidade de vida e aumentando a frequência da enxaqueca e buscar ajuda especializada.

6. Estímulos sensoriais

Algumas pessoas têm uma sensibilidade maior com relação à claridade ou sons ambiente. Por isso, quando são expostas a essas situações, podem ter enxaqueca ou apresentar uma piora na crise de dor de cabeça.

"A sensibilidade a cheiros fortes na enxaqueca é bem conhecida e recebe o nome de osmofobia. Segundo pesquisas, a intolerância a cheiros na enxaqueca é tão específica que ajuda no diagnóstico ao diferenciar de uma dor de cabeça do tipo tensional", completa Galliano.

O que fazer: algumas medidas são eficazes, como evitar produtos de limpeza ou perfumes fortes. Encontre estratégias para minimizar odores como manter a janela aberta e deixar o ar circular. Com relação à claridade, procure usar óculos de sol e evite ficar muito tempo perto de telas como celular ou computador.

7. Jejum prolongado

Ficar muito tempo sem comer também é um fator desencadeante da enxaqueca. A situação ocorre porque passar longos períodos sem se alimentar faz com que o açúcar no sangue diminua (hipoglicemia) e cause a dor.

O que fazer: evite pular refeições e não se esqueça de fazer lanches intermediários.

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8. Hormônios femininos

As dores de cabeça são mais comuns no sexo feminino: de acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, ela pode atingir até 20% das mulheres. A culpa disso são os hormônios femininos, responsáveis pelo ciclo menstrual e que também provocam a dor nelas.

O que fazer: é importante se atentar para o período menstrual e identificar se o método anticoncepcional usado não está interferindo. Na dúvida, consulte um ginecologista e veja quais são as opções.

É possível prever uma crise de enxaqueca?

Sim. É comum que o indivíduo que sofre com crises de enxaqueca consiga identificar quando a dor está próxima. Há alguns sintomas que precedem o desconforto. Essa fase imediatamente anterior à dor se chama pródromo e já ocorre no cérebro cerca de 48 horas antes.

Nesse momento, os principais sintomas são: alterações no humor, bocejos em excesso, sonolência diurna, confusão mental, letargia, perda do apetite e aumento da vontade de urinar.

O controle dos gatilhos é essencial para evitar essa primeira fase da enxaqueca. "Muitas vezes, as pessoas identificam algum gatilho ou têm sintomas indicando que chegará a crise. Dessa forma, o ideal é usar o medicamento prescrito pelo especialista para controlar a dor", explica Marcos Bosquiero, médico e diretor da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade), atuante na Paraíba.

Como os fatores desencadeantes da enxaqueca são bem específicos, vale a pena registrar os sintomas e tentar associar o desconforto a alguma situação ou algum alimento. Isso ajuda a entender se há um padrão nas crises: frequência, intensidade, tipo de dor, período do dia e presença de sintomas associados.

Durante a crise, algumas medidas não medicamentosas são úteis para alguns indivíduos, como descansar em um ambiente calmo, arejado e com pouca luz, além de dormir.

Vale destacar que a automedicação deve ser evitada, uma vez que pode piorar os sintomas da enxaqueca, causando o efeito rebote (devido ao uso excessivo de analgésicos). "E, se a pessoa usou medicamentos para diminuir a dor de cabeça e não perceber um alívio, a recomendação é buscar orientação médica o quanto antes", finaliza o médico de família.

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