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Peoa Valentina suspeita que antidepressivo atrasou menstruação; há relação?

Reprodução/PlayPlus
Imagem: Reprodução/PlayPlus

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo*

26/10/2021 16h07

Durante uma conversa com Tati Quebra Barraco, a participante de "A Fazenda 13", Valentina Francavilla disse que sua menstruação está atrasada e levantou a hipótese de uma possível gravidez.

A funkeira, por sua vez, tentou acalmar a colega de confinamento alegando que o atraso poderia ser causado pelo estresse. Mas, sem descartar a possibilidade de gravidez, a ex assistente de palco relatou que costuma tomar muitos remédios para depressão, o que também pode ser um motivo para o atraso.

Embora a menstruação atrasada geralmente seja o primeiro sintoma de gravidez, existem outras causas fisiológicas que podem explicar esse atraso —que é considerado normal quando consiste em poucos dias, mas pode ser mais sério se dura por mais de três meses, quando passa a ser chamado de amenorreia (ausência da menstruação).

Por que a menstruação atrasa?

Se a mulher tem certeza de que não pode estar grávida (usou mais de um método contraceptivo, por exemplo, ou então não teve relações sexuais) há alguns motivos que podem explicar o atraso menstrual.

Um deles é o estresse e a ansiedade, que interferem no ciclo hormonal do corpo, podem desregular a menstruação e até mesmo impedir a ovulação naquele mês. Esse, aliás, foi um dos motivos citados por Tati Quebra Barraco —já que a mudança de rotina e a vida confinada podem mexer com a saúde mental de qualquer pessoa.

De acordo com Maurício Abrão, ginecologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, isso acontece porque a produção de alguns hormônios durante situações de estresse —como a adrenalina— podem afetar o ciclo da mulher.

"Essa alteração pode aparecer tanto na forma do atraso da menstruação como na antecipação do sangramento", explica.

Outra hipótese é, de fato, o uso de remédios antidepressivos, como suspeitou Valentina Francavilla.

De acordo com Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo, vários medicamentos antidepressivos —inibidores seletivos da recaptação de serotonina e da noradrenalina—, podem levar a uma secreção maior do hormônio prolactina, que é produzido na hipófise (glândula localizada no cérebro) para estimular a produção do leite materno.

"O excesso da prolactina pode fazer com que o ovário e a própria hipófise parem de se estimular e produzir hormônios", diz Pupo. Isso ocorre porque existe um eixo hormonal no organismo. E, entre eles, está o ovário, que produz estrogênio e progesterona, e o óvulo, que faz com que a mulher menstrue.

Para que o ovário realize seu ciclo perfeito é preciso que haja uma organização dos hormônios secretados pela hipófise que, por sua vez, é regulada pelo hipotálamo —estrutura do cérebro responsável por orientar a produção dos hormônios na hipófise.

"Então, qualquer alteração nesse eixo hormonal, hipotálamo, hipófise e ovário vai interferir na menstruação", explica Pupo, ressaltando que o hipotálamo na mulher tem uma relação muito próxima com o centro das emoções, localizado em uma outra área do cérebro chamado de giro do cíngulo.

Em suma, o uso de antidepressivos pode fazer com que a hipófise produza a prolactina em excesso e este, consequentemente, inibir o funcionamento normal da relação entre a própria hipófise e o ovário, causando a desregulação do ciclo menstrual.

Alexandre Pupo ainda cita um estudo realizado com 1.432 mulheres, que reforça a tese de que distúrbios menstruais são frequentemente observados em mulheres que tomam antidepressivos.

Ao final desse trabalho, os pesquisadores descobriram que a prevalência de alterações menstruais foi significativamente maior no grupo daquelas que tomavam antidepressivos (24,6%) do que no grupo controle, que não tomava (12,2%). Já a incidência de distúrbio menstrual induzido por antidepressivos foi de 14,5%.

Além dessas, há ainda outras causas para a desregulação menstrual, como a síndrome do ovário policístico (que geralmente vem acompanhada de outros sintomas, como excesso de oleosidade e acne na pele); e pode ser até um sinal de que a mulher está entrando no climatério, o período que antecede a menopausa (como é chamada a última menstruação). Neste caso, quando acontece antes dos 40 anos, ela é considerada precoce.

De acordo com Abrão, a alimentação dificilmente seria uma causa —embora a obesidade seja um fator que influencia no ciclo hormonal do corpo e pode, portanto, também provocar alterações na ovulação e na menstruação. O recomendado é que a mulher procure o médico já a partir do primeiro mês de atraso para descartar qualquer problema mais sério.

E se for gravidez?

Se, por outro lado, o atraso menstrual coincide com um período em que a mulher manteve relações sexuais sem proteção (ou se ela desconfia que a proteção falhou), o atraso pode mesmo ser um dos sintomas da gestação. Nesse caso, o corpo também pode dar outros sinais:

  • Inchaço e hipersensibilidade nas mamas: por conta das alterações hormonais (as produções de estrógeno e progesterona se elevam), os seios ficam mais inchados e sensíveis, mesmo no comecinho da gravidez. É o corpo se preparando para a amamentação;
  • Enjoo matinal e alteração de apetite: é um sintoma bastante conhecido popularmente, resultado do aumento dos hormônios (dessa vez, o HCG). Sentir cheiros fortes ou até certos tipos de alimentos já podem provocar ânsia;
  • Prisão de ventre e inchaço abdominal: o HCG também altera o funcionamento do intestino e do estômago, deixando-os mais relaxados. Isso faz com que eles trabalhem mais devagar, causando prisão de ventre e deixando a digestão mais lenta;
  • Cansaço e fadiga: "fabricar" um bebê exige bastante do corpo da mulher. Não à toa, é comum que ela se sinta com muito sono e exausta;
  • Cólicas: a implantação do embrião no endométrio pode provocar dores pélvicas e até um leve sangramento (comumente confundido com menstruação).

Para ter certeza, recomenda-se que a mulher procure o médico e faça um teste de gravidez para descartar (ou não) a gestação.

*Com informações da reportagem publicada em 17/02/2020.

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