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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Cetoprofeno alivia dores e inflamações que afetam músculos e articulações

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

26/10/2021 04h00

Resumo da notícia

  • O fármaco é classificado como um AINE (anti-inflamatório não esteroidal)
  • Ele age inibindo a produção de substâncias que causam dor, febre e inflamações
  • Por ter efeito intenso na dor, além de ser útil nos quadros que requerem soluções rápidas
  • Problemas gástricos ou intestinais e interação medicamentosa são possíveis efeitos colaterais

Conhecido desde a década de 1970, o cetoprofeno é um medicamento anti-inflamatório, analgésico e antitérmico indicado —principalmente— para aliviar a dor e a inflamação decorrente de condições relacionadas aos músculos e as articulações.

O que é o cetoprofeno?

Entre os farmacêuticos e médicos ele é conhecido como um AINE (anti-inflamatório não esteroidal) ou anti-reumático não esteroidal.

Dadas as suas características ele só deve ser comercializado sob prescrição médica.

Quando ele deve ser usado?

O cetoprofeno é considerado seguro, bem tolerado, mas você pode potencializar sua ação e ainda prevenir efeitos adversos fazendo o uso racional do medicamento, ou seja, use-o de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado. A instrução é da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O fármaco pode ser usado para aliviar dores em geral, e também inflamações relacionadas às seguintes condições:

  • Processos reumáticos (doenças que afetem os músculos, articulações e o esqueleto)
  • Traumatismos (como lesões ortopédicas, fraturas, entorses)
  • Problemas odontológicos (periodontite, abcessos, extrações dentárias etc.)
  • Processos urológicos (cólica nefrética, inflamação no testículo, prostatite)
  • Dores e inflamações ginecológicas (dismenorreia, endometrite etc.)
  • Sinusite, otite, faringite, laringite e amigdalite

Conheça as apresentações disponíveis

O medicamento de referência do cetoprofeno é o Profenid©. Mas você também pode encontrar as versões genéricas que, igualmente, terão as seguintes apresentações:

  • Xarope - 1 mg (acima de 6 meses)
  • Solução oral - 20 mg (acima de 1 ano)
  • Gel - 25 mg
  • Solução injetável - 50 ml
  • Supositórios - 100 mg
  • Cápsulas - 50 mg
  • Pó-liófilo - 100 mg
  • Comprimido revestido de liberação prolongada - 100 mg/150 mg e 200 mg
  • Comprimido de desintegração lenta - 200 mg

É importante respeitar as dosagens indicadas pelo fabricante, médico ou farmacêutico, que devem sempre propor o uso desse medicamento a partir das menores dosagens disponíveis, deixando as maiores para situações mais graves.

A razão para isso, diz a reumatologista Ana Luísa Berti Guimarães Sella, professora de semiologia do curso de medicina da PUC-PR, são os riscos associados ao fármaco. "Na maioria das vezes, ele não é a primeira escolha para tirar a dor e nem deve ser usado por tempo prolongado. A preocupação é evitar danos gástricos e aos rins. No caso destes últimos, os efeitos poderiam até ser irreversíveis", observa a médica.

Entenda como ele funciona

Lorane Izabel da Silva Hage Melim, professora do curso de farmácia da Unifap, explica que, ao ser administrado pela via oral, o cetoprofeno passa pelo trato gastrointestinal, é absorvido no intestino, metabolizado pelo fígado e é excretado pela via renal.

"Como ele tem uma boa biodisponibilidade, isto é, boas quantidades do fármaco chegam ao local onde deve agir, ele ali atua pelo período de 6 a 8 horas", acrescenta a especialista.

Quanto à farmacodinâmica, ou mecanismo de ação, ele age inibindo enzimas (COX1 e 2) que participam da síntese de mediadores químicos chamados prostaglandinas, e que são responsáveis pela mediação da dor e dos processos inflamatórios.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

De acordo com Flavio da Silva Emery, professor associado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, diferente dos outros AINEs, o cetoprofeno possui diversas formulações farmacêuticas, o que garante a sua a aplicação em diferentes quadros clínicos.

"Destaco ainda como vantagem o fato de existirem doses únicas com efeitos prolongados, o que reduz a chance da manifestação dos típicos riscos desses medicamentos, sem falar na possibilidade de ajustar as doses para cada paciente."

Além disso, como o cetoprofeno tem uma resposta analgésica muito intensa, por vezes, até mais significativa do que a anti-inflamatória, a medicação pode ser útil quando se precisa de uma solução rápida para o paciente, o que é facilitado pela opção injetável.

Já a desvantagem é o risco grave de problemas cardiovasculares, gástricos (úlceras), intestinais, renais e ainda as possíveis interações medicamentosas.

Saiba quem deve evitar esse medicamento

Fale com o médico ou farmacêutico antes de usar o cetoprofeno se você já teve alguma reação alérgica relacionada aos AINEs , como o ácido acetilsalisílico, ibuprofeno e dicoflenaco.

Além disso, pessoas que se encaixem em algumas das condições abaixo descritas devem evitar o medicamento. Confira:

  • Gestação
  • Idade superior a 75 anos
  • Ser criança
  • Asma ou algum tipo de alergia
  • Ter ou ter tido algum tipo de úlcera no estômago ou duodeno
  • Doença inflamatória intestinal ou colite ulcerativa
  • Problemas no fígado ou nos rins
  • Enfermidade do coração, problemas circulatórios ou venosos
  • Hipertensão (pressão alta)
  • Problemas de coagulação
  • Diabetes ou colesterol alto
  • Lúpus
  • Uso de determinados medicamentos (corticoides, anticoagulantes, por exemplo)

Crianças e idosos podem usá-lo?

O fabricante esclarece que não existem estudos de segurança para uso desse medicamento em populações pediátricas.

No entanto, existem formulações que podem ser utilizadas nesse grupo e a partir dos 6 meses de idade, desde que sob a estrita avaliação e acompanhamento médico ou farmacêutico. Isso significa que o profissional da saúde, antes de indicar o cetroprofeno, deve observar a relação de risco e benefício para a criança, sendo desaconselhada a automedicação. A maior preocupação, aqui, é a síndrome de Reye, relacionada a esse tipo de fármaco.

Quanto aos idosos, sabe-se que esse grupo é mais propenso a apresentar efeitos colaterais a medicamentos da classe do cetoprofeno. Além disso, é comum, entre eles, o uso de várias medicações ao mesmo tempo (polifármácia), o que precisa ser observado para evitar interações medicamentosas. Caso o médico conclua que os benefícios da terapia superam seus riscos, ela deve ter doses menores e durar pelo menor tempo possível.

Estou grávida e pretendo amamentar. Posso usar cetoprofeno?

Esse medicamento não deve ser utilizado por grávidas sem que ele tenha sido expressamente indicado pelo médico. A razão para isso é que a segurança do uso do cetaprofeno por gestantes não foi avaliada em estudos científicos. Assim, o seu uso por gestantes representa risco para o feto, especialmente nos dois primeiros trimestres da gravidez.

Já a partir do terceiro trimestre, ele poderia induzir a toxicidade cardiopulmonar e renal no bebê e, no final da gestação, provocar aumento de tempo de sangramento para ele e a mãe.

Quanto à amamentação, também não existem dados sobre a excreção do cetoprofeno no leite materno. Por isso, é preciso que você fale com seu médico para que ele possa avaliar os riscos e benefícios de sua administração durante esse período.

Qual é a melhor forma de consumi-lo?

Quando a administração é pela via oral, a orientação é que ele deve ser ingerido inteiro com água. O comprimido não deve ser partido e nem a cápsula deve ser aberta.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

Não. O importante é que o cetoprofeno seja administrado na forma indicada pelo seu médico e, de preferência, logo após as refeições.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Tome assim que lembrar, mas caso esteja próximo do horário da próxima dose, aguarde que chegue o horário para utilizá-lo normalmente, conforme orientação médica e do farmacêutico. É desaconselhado tomar doses em dobro de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você sempre se esquece de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis riscos e efeitos colaterais?

Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz quando usado em doses adequadas e pelo menor tempo possível. Apesar disso, os efeitos colaterais mais comuns são:

  • Desconforto abdominal
  • Azia
  • Indigestão
  • Náusea
  • Vômito

Embora seja menos comum, algumas pessoas poderão observar as seguintes manifestações:

Interações medicamentosas

Algumas medicações não combinam com o cetoprofeno. E quando isso acontece, elas podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise o médico, o farmacêutico ou dentista, caso esteja fazendo uso (ou tenha feito uso recentemente) das substâncias abaixo descritas, que são apenas alguns exemplos dessas possíveis interações. Confira:

  • Outros anti-inflamatórios não esteroidais (como a aspirina)
  • Inibidores da enzima conversora da angiotensina I (captopril)
  • Antagonistas dos receptores da angiotensina (losartana)
  • Antidiabéticos (glicazida)
  • Diurético (furosemida)
  • Estabilizante de humor (lítio)
  • Antimetabólico (metotrexato)
  • Antiepilépticos (fenitoína)
  • Anticoagulantes (varfarina)

E atenção: embora até o momento sejam desconhecidas interações com fitoterápicos, é importante falar com um médico ou farmacêutico antes de usar esse medicamento se você faz uso contínuo deles ou mesmo de suplementos e vitaminas.

Interação com álcool

O consumo de bebidas alcoólicas é contraindicado durante o uso do cetoprofeno. A razão para isso é evitar a redução do seu efeito, além da sobrecarga do sistema gástrico, em especial o fígado.

Interação laboratorial

O medicamento pode causar alterações em marcadores hepáticos ou renais, como os exames de albumina urinária, sais biliares, 17-cetosteroides e 17-hidroxicorticosteroides, além de aumento dos níveis de potássio.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Observe a validade do medicamento indicado no cartucho. Lembre-se: após a abertura, alguns fármacos têm tempo de validade menor, o que também é influenciado pela forma como você o armazena;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta;
  • Em caso de cápsulas, não as abra para colocar o conteúdo em água, alimentos ou mesmo para descartar. Sempre use a cápsula íntegra;
  • No caso de suspensões orais, agite bem o frasco antes de usar. E sempre limpe o copo dosador antes e após o uso. E armazene junto ao frasco do medicamento, para evitar misturar com outros medicamentos;
  • Prefira comprar remédios nas doses justas para o uso indicado para evitar sobras;
  • Respeite o limite da dosagem diária indicada na bula;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso às crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Ana Luísa Berti Guimarães Sella, médica reumatologista e professora de reumatologia e semiologia do curso de medicina da PUC-PR campus Londrina (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Flavio da Silva Emery, professor associado da FCFRP-USP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), atual coordenador do programa de pós-graduação de ciências farmacêuticas de Ribeirão Preto, membro da comissão de divulgação científica da FCFRP-USP e do sub-comitê de Drug Discovery and Development da IUPAC (sigla em inglês para União Internacional de Química Pura e Aplicada); Lorane Izabel da Silva Hage Melim, professora do curso de farmácia da Unifap (Universidade Federal do Amapá. Revisão técnica: Flavio da Silva Emery.

Referências: Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); LiverTox: Clinical and Research Information on Drug-Induced Liver Injury [Internet]. Bethesda (MD): National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases; 2012-. Ketoprofen. [Atualizada em 2018 Apr 25]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK548678/.

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