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Estudo mostra que bactéria 'do bem' em gatos combate infecções na pele

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

24/10/2021 13h45

A ciência já mostrou que ter um animal de estimação traz benefícios para especialmente para a saúde mental, diminuindo os riscos de doenças como depressão e ansiedade e até ajudando no controle da pressão arterial.

Agora, um novo estudo mostrou que uma bactéria "do bem" que vive em gatos podem ajudar no controle de doenças de pele. A pesquisa foi feita por especialistas da University of California San Diego, University of Arizona (ambas nos Estados Unidos) e University of Sidney (na Austrália).

Os pesquisadores utilizaram amostras da bactéria Staphylococcus felis para tratar infecções de pele em ratos com sucesso. Eles esperam que, no futuro, essa mesma bactéria possa atuar como base para novas terapias médicas contra infecções de pele severas em humanos e outros animais.

O estudo foi liderado pelo professor do Departamento de Dermatologia da UC San Diego School of Medicine, Richard L. Gallo. Ele e seu time de colaboradores são especializados em usar bactérias para tratar doenças, uma abordagem chamada de "bacterioterapia" —ou seja, o uso de bactérias específicas para combater problemas de saúde.

O estudo atual, aliás, é parte da linha de trabalho do especialista e seu grupo, que analisam há algum tempo as possibilidades da bacterioterapia para tratar doenças de pele inflamatórias e até câncer de pele.

Assim como outras partes do corpo, a pele possui uma microbiota específica com bactérias "do bem" que têm um papel importante na saúde e no combate à infecções. Mas, quando ficamos doentes, é possível que microrganismos patogênicos se aproveitem das defesas em baixa e entrem no corpo, provocando infecções.

É o caso da bactéria chamada Staphylococcus pseudintermedius, encontrada comumente em animais domésticos que pode provocar infecções de pele caso o animal esteja doente ou machucado. Ela ainda pode "pular" de espécie e também provocar dermatite ou eczema em humanos —embora os casos comprovados não sejam altos.

O problema é que essa bactéria costuma ser resistente aos antibióticos disponíveis e tem se tornado um desafio para médicos e veterinários que buscam tratar seus pacientes.

Como o estudo foi feito?

Gallo e sua equipe primeiro avaliaram informações sobre outras bactérias que vivem em gatos e cachorros e que conseguiam crescer na presença da Staphylococcus pseudintermedius.

Eles então identificaram uma cepa chamada Staphylococcus felis que era capaz de inibir o crescimento da bactéria patogênica. A razão era que a S. felis é capaz de produzir naturalmente substâncias antibióticas que inibia o desenvolvimento do microrganismo.

Mais que isso: é comum vermos bactérias desenvolvendo resistência a um tipo de antibiótico. Mas a S. felis possui quatro genes que produzem quatro tipos de peptídeos antimicrobianos capazes de combater a bactéria, tornando mais difícil que ela resista e escape.

A equipe então expôs ratos vivos à forma mais comum da Staphylococcus pseudintermedius e depois adicionou a S. felis. Como resultado, a pele dos animais se mostrou menos avermelhada e com menos descamação em comparação com indivíduos que não receberam nenhum tipo de tratamento. Os pesquisadores também notaram que não havia mais traços do patógeno (em forma viável) na pele.

Por que isso é importante?

De acordo com Gallo, a capacidade que a S. felis tem de atacar as bactérias causadoras de infecção em mais de uma frente —chamada de "polifarmácia"— é uma característica bastante interessante para fins terapêuticos.

Além disso, ele acredita ser possível que ter um gato tenha efeitos protetores em humanos. Agora, o próximo passo é confirmar se a S. felis pode ser usada em tratamentos feitos em cachorros.

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