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Como reconhecer que você está sendo 'atacado' por vermes e o que fazer

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

20/10/2021 04h00

Você se lembra do filme de 1990 "O Ataque dos Vermes Malditos"? (Caso não, dá para assistir na Netflix). Pois saiba que os vermes da vida real, embora muito mais silenciosos, podem ser igualmente perigosos —e enormes.

Capazes de infectar humanos, "tênia suína" (Taenia solium), "tênia do peixe" (Diphyllobothrium latum) e "tênia bovina" (Taeniorhyncus saginata) podem medir, respectivamente, 7, 13 e 15 metros de comprimento.

"No Brasil, os dados são muito precários. As últimas pesquisas mostram prevalência do grupo dos helmintos em todo território nacional e infecção principalmente por, em ordem, Ascaris Lumbricoides, Trichuris Trichiura, ancilostomídeos e Schistosoma mansoni", explica Luana Luz, gastroenterologista pelo Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo), sobre os parasitas mais comuns de serem encontrados nos intestinos das pessoas.

Mas há muitos outros e que se alojam ainda em pele, fígado, cérebro, pulmões e coração. A via de entrada pode ocorrer pela ingestão de ovos ou larvas em água ou alimentos infectados (frutas, legumes e verduras sem higienização correta); carne malpassada ou crua de algum hospedeiro intermediário; uso de roupas íntimas, de banho e cama contaminadas; penetração da pele em contato com solo sujo de resquício de fezes e até por picadas de mosquito Culex.

Náuseas, convulsões e pele mapeada

intoxicação alimentar, dor abdominal, náusea, virose - iStock - iStock
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Em uma relação com vermes, você sempre levará a pior. Eles só querem se apropriar de seus nutrientes, biomoléculas e maquinária metabólica para se desenvolverem e cumprirem seu ciclo evolutivo. Retribuem com doenças (verminoses), entre elas a esquistossomose, também conhecida por barriga-d'água, uma das mais disseminadas em regiões tropicais e precárias.

Na fase aguda, seus sintomas são típicos de uma infecção intestinal (febre, fraqueza, diarreia). "Pode causar até mesmo eliminação de sangue nas fezes", alerta Raymundo Paraná, diretor do Hospital Aliança, Rede D'Or, em Salvador, e professor de gastro-hepatologia da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Já na fase crônica, a doença danifica fígado, baço, retém líquidos, prejudica o desenvolvimento de crianças e aumenta o risco de câncer de bexiga.

Outra patologia causada por vermes, do tipo solitária, e que atinge o sistema digestivo é a teníase. Ela pode ser assintomática, ou não, e aí se manifesta como desinteria, vômitos, enjoos e leva à perda de peso. Mas acredite, a infecção por sua forma larval é ainda pior. Causa a cisticercose ou a neurocisticercose quando é encaminhada para cérebro ou medula espinhal.

"Provoca inflamação, dor de cabeça, crise convulsiva, déficits. Em alguns casos, o paciente desenvolve até epilepsia de difícil controle", informa Júlio Barbosa Pereira, médico pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e neurocirurgião especializado pela UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), acrescentando que se o parasita morrer no órgão, se calcifica.

Há vermes que também devoram sangue humano e geram anemia e lesão pulmonar, como Necator americanus, enquanto outros prejudicam a circulação e podem predispor elefantíase, a exemplo de Wuchereria bancrofti.

"O mais comum que ataca a pele é o bicho geográfico, ou larva migrans cutânea, de parasitas que habitam o intestino de cães e gatos e que ao penetrar pela pele causa muita coceira e uma lesão linear como um mapa", aponta Maria de Fátima Maklouf Amorim, dermatologista e coordenadora de pós-graduação na Afya Educacional.

Como detectá-los e tratar?

Exame de coleta de fezes - Evgen_Prozhyrko/iStock - Evgen_Prozhyrko/iStock
Imagem: Evgen_Prozhyrko/iStock

Se na ficção vermes que emboscam seres humanos são identificados por vibrações no solo e combatidos com armas, na vida real é muito diferente. Segundo os médicos, primeiro é preciso suspeitar e investigar sua presença na ocorrência e persistência dos sintomas citados, além de outros, como coceira retal intensa (comum em oxiurose), e principalmente havendo condições de risco, devido à falta de saneamento básico e de conscientização sobre hábitos higiênicos.

A gastroenterologista Luana Luz esclarece que para se chegar a um diagnóstico, os principais caminhos são exame parasitológico de fezes e coprocultura. "São, ainda hoje, eficazes, de baixo custo e aplicáveis em qualquer região do país", diz.

Em se tratando de oxiurose, em que os ovos são liberados pelo ânus, podem ser utilizados para coleta swab anal ou fita gomada.

Os pacientes também são analisados clinicamente e, em casos dermatológicos, podem ser utilizados recursos como dermatoscopia (exame feito com um aparelho que funciona como lente de aumento) e ultrassonografia, que permite visualizar estruturas internas do organismo, da pele e detectar larvas. "Já para neurocisticercose usamos a ressonância", comenta Pereira.

Por fim, entram os tratamentos com vermífugos, preferencialmente com a possibilidade de erradicação múltipla, pois a maioria dos infectados costuma ter mais de um tipo de verme alojado. Em quadros de oxiurose, independente de sintomas, deve-se ampliá-lo para toda a família e havendo inflamação, infecções e convulsões tratar com medicamentos específicos.

Além disso, é complementar a orientação sobre bons hábitos de higiene (lavar bem mãos e alimentos frescos antes de comer, ferver água sem tratamento, manter unhas cortadas), evitar o consumo de carnes cruas ou malpassadas, assim como não andar descalço em locais suspeitos.

"Como terra e areia onde bichos frequentam", finaliza Solange Gomes, médica pela USF (Universidade São Francisco) e dermatologista da Clínica Ideal e Central Nacional Unimed.

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