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'Tratar a gente aprende, falar com a família é mais duro', diz jovem médica

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

18/10/2021 11h00

Fernanda Proença Lepca Bozzi, hoje com 27 anos, tinha um plano para sua carreira antes da chegada da pandemia no Brasil. Ela se formaria na faculdade no meio de 2020 e seguiria para a residência em pediatria.

Em pouco tempo, precisou adaptar-se às mudanças trazidas pelo vírus. Em vez de completar o curso em julho, pela medida do ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, Fernanda formou-se antecipadamente, em abril.

"Ao mesmo tempo que eu via os casos aumentando e queria ajudar, foi um susto ter que entrar no mercado de trabalho antes do que eu esperava. Me formei em um dia, no outro peguei o CRM [documento de registro médico] e no seguinte já estava ajudando nos hospitais", lembra.

Embora preferisse ter mais tempo para se acostumar a rotina como médica, Fernanda acredita que a pandemia ajudou em sua formação. "A situação nos forçou a a estudar muito, aprender mais e a crescer mais profissionalmente. Foi intenso e me forçou a amadurecer", avalia.

Participar do atendimento de pacientes infectados pelo coronavírus fez, inclusive, com que ela mudasse o curso antes sonhado para a carreira. Hoje Fernanda está no primeiro ano de clínica médica no Hospital Universitário Cajuru, que tem atendimento 100% SUS, em Curitiba (PR).

A parte mais difícil da trajetória recente, para a médica, é lidar com o lado emocional dos atendimentos. "A gente aprende os tratamentos, como ventilar um paciente... Mas ter que avisar aos familiares que alguém será intubado, por exemplo, é muito mais duro."

Com o número de casos caindo, Fernanda sente alívio, mas a dedicação precisa continuar a mesma. "O que me faz levantar de manhã é pensar que tenho que ver como que está a dona Etelvina, saber o resultado de um exame importante que ela fez. No mesmo dia, chego bem em casa por saber que hoje dei alta para o seu Aurélio, que estava há quatro meses internado no hospital", reflete Fernanda, ressaltando que não é apenas uma questão de obrigação, mas de desejar tratar seus pacientes e vê-los voltando com saúde para casa.

Dados da Demografia Médica Brasileira 2020 apontam que no primeiro ano de pandemia, 500 mil brasileiros escolheram a medicina como profissão - Plyushkin/iStock - Plyushkin/iStock
Dados da Demografia Médica Brasileira 2020 apontam que no primeiro ano de pandemia, 500 mil brasileiros escolheram a medicina como profissão
Imagem: Plyushkin/iStock

Formação em meio à pandemia

Em todo o Brasil, existem mais de 4 mil programas de residência médica, com 55 especialidades diferentes e em 59 áreas de atuação. Com o papel de unir educação, atendimento à população e pesquisa, os hospitais escolas são atrativos para médicos recém-formados.

Anualmente, o HUC (Hospital Universitário Cajuru), onde Fernanda trabalha, recebe uma média de 55 residentes de todo o país.

"Para apoiar a caminhada dos residentes, existe o médico preceptor. É uma figura essencial, que não apenas ajuda no desenvolvimento de outros médicos, como, também, permite a permanência dos residentes. Isso é importante para manter a qualidade no nosso atendimento à população", afirma a coordenadora da residência médica de clínica do hospital, Larissa Hermann Nunes.

Na opinião de Juliano Gasparetto, diretor-geral do HUC, mais do que uma profissão, a medicina é uma doação diária. "Com a formação de futuros médicos em meio à covid-19, não é diferente. Não somente no Brasil, mas nos quatro cantos do mundo, a medicina e os hospitais tiveram que se desdobrar e se adaptar de inúmeras formas. Por mais que tenhamos oportunidades de reconhecermos lições a serem tiradas do momento em que estamos vivendo, a verdade é que os 'filhos' da pandemia se tornarão médicos diferenciados", conclui.

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