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'Quadros de ansiedade foram exacerbados na pandemia', diz psiquiatra

Colaboração para VivaBem

14/10/2021 15h14

Kalil Duailibi, psiquiatra e presidente do Departamento Científico de Psiquiatria da APM (Associação Paulista de Medicina), disse hoje que os quadros de ansiedade foram exacerbados na pandemia de covid-19.

"Quem já tinha quadros de ansiedade teve um quadro mais exacerbado durante a pandemia. Quem não tinha esse quadro, mas tinha uma propensão, às vezes genética, passou a desenvolvê-lo porque mudou completamente a rotina de todos nós. [...] Muitos pararam de se tratar adequadamente, porque não é só via medicação, o tratamento é com atividade física, com outras práticas, como meditação. Tudo isso foi muito negligenciado, algumas pessoas ficaram muito enfurnadas mesmo", afirmou durante 2ª Semana da Saúde Mental VivaBem, nesta quinta-feira (4).

Duailibi destaca que viveremos uma nova pandemia que é a da doença mental. "Nas estatísticas, mulheres têm mais ansiedade do que os homens. Mas esse é um dado enganoso, porque na verdade os homens acabam sofrendo mais calados e somatizam mais. Homens têm mais úlcera, mais infarto, o corpo chora de outro jeito. As mullheres têm mais ansiedade, mais insônia e mais depressão. As mulheres externalizam mais as doenças mentais."

Segundo ele, com a retomada das atividades, a dica é "estabelecer uma rotina, colocar atividade física, atos de meditação, conseguir uma busca interior, buscar terapia e também a medicação, que também faz parte desse tratamento. As pessoas precisam buscar ajuda."

Volta aos escritórios

A psicóloga e presidente da International Stress Management Association no Brasil, Ana Maria Rossi, que também participou da 2ª Semana da Saúde Mental VivaBem, afirmou que não tem observado, por parte das empresas em geral, um projeto de retorno.

"O grande desafio é que não existe uma regra geral. Enquanto algumas pessoas se beneficiam, inclusive crescem com a pandemia, outras pessoas realmente entraram numa depressão grande, enfrentam estresse pós-traumático e nível de burnout mais elevado [..] O grande desafio que eu vejo é poder atender a todas as necessidades. Algumas pessoas precisarão estar com as outras, fazer um networking, e outras pessoas, por se afastarem de casa, talvez enfrentem um nível de ansiedade e estresse muito exacerbado. Vai depender de cada um. É esse o problema que eu identifico com as empresas, como atender essas peculiaridades, principalmente numa empresa grande", afirmou.