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Para se manter aquecido, basta deixar a cabeça protegida ou quente?

Priscila Barbosa
Imagem: Priscila Barbosa

Thamires Andrade

Colaboração para VivaBem

13/10/2021 04h00

Você já deve ter ouvido falar que, para se manter aquecido, é importante manter a cabeça protegida com um gorro ou chapéu. Isso porque perderíamos cerca de 30% a 40% do calor corporal pela cabeça. No entanto, essa afirmação não passa de um grande mito.

Os pesquisadores Rachel Vreeman e Aaron Carroll, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, desmistificaram o tema em um estudo publicado no British Medical Journal. De acordo com os pesquisadores, a ideia de cobrir a cabeça para se aquecer começou a ficar mais popular por conta de um manual de sobrevivência do exército americano da década de 70.

Mas a verdade é que esse mito surgiu bem antes por conta de uma interpretação falha de um experimento científico em 1950. Na ocasião, os voluntários foram expostos a condições extremamente frias no Ártico. Como a cabeça foi a única parte dos corpos que ficou descoberta, a maior parte do calor foi perdida na região, o que levou a essa errônea interpretação.

O que acontece com o corpo humano?

Somos seres homeotérmicos, ou seja, nosso organismo trabalha para manter a nossa temperatura estável (entre 36ºC e 36,5ºC), garantindo assim o bom funcionamento do corpo. Bem diferente, por exemplo, da lagartixa que muda complemente a temperatura corporal de acordo com o ambiente.

Sendo assim, o corpo humano está sempre se esforçando para equilibrar a temperatura. Portanto, quando estamos em ambientes frios, o corpo produz calor. Já se estivermos em ambientes quentes, o corpo nos faz eliminar calor para continuar com a temperatura adequada.

Para se ter uma ideia, se você for exposto ao sol do meio-dia por muito tempo, seu corpo pode aquecer e não ter condições de liberar o calor pelo suor e assim você terá insolação. O mesmo também acontece no inverno: uma pessoa em situação de vulnerabilidade que viva na rua pode não conseguir produzir calor para se proteger do frio e morrer por hipotermia.

Tanto a insolação quanto o congelamento ocorrem quando o organismo perde a capacidade de manter a temperatura constante. Portanto, nosso corpo todo produz e elimina calor e isso acontece por toda a superfície e não apenas na cabeça.

Mas por que alguns sentem mais ou menos calor?

A troca de calor ocorre por toda a superfície corporal, auxiliado pela sudorese, originada das glândulas sudoríparas. A distribuição destas glândulas varia em cada parte do corpo e varia também de pessoa para pessoa.

Além disso, as sensações de frio e calor também dependem dos receptores nervosos específicos que variam pelo corpo e também de pessoa para pessoa. Por isso, alguns têm mais frio nos pés, outros no pescoço e outros são mais "calorentos".

Depende da quantidade de receptores que cada um possui. Algumas pessoas têm tão poucos receptores de frio que conseguem mergulhar em um lago gelado sem sentir frio extremo.

Sendo assim, a transpiração é um processo muito individual que nasce com a pessoa e pode ser impactada pelo metabolismo —quanto mais acelerado, mais calor a pessoa pode sentir— e até pela quantidade de tecido adiposo —pessoas mais magras, com menos gordura, podem sentir mais frio do que outras.

Há também fatores de tolerância a sensação térmica. Por exemplo, pessoas que moram em regiões mais frias, como o extremo sul do Brasil, estão mais adaptadas ao frio por conta de mecanismos adaptativos do próprio corpo.

Dicas para se aquecer

Para se manter aquecido, a recomendação é, de fato, agasalhar o corpo todo com roupas e cobertores, preferencialmente de lã, que ajudam a fazer uma barreira para impedir a troca de temperatura com o meio ambiente, bem como ingerir líquidos e alimentos quentes, como chás e sopas, e comidas mais calóricas.

Também é importante se manter em um ambiente protegido e evitar locais com correntes de ar, já que o vento pode intensificar a sensação de frio. Muitas pessoas utilizam água quente, por exemplo fazendo escalda-pés para aquecer o corpo. No entanto, a prática deve ser vista com cautela e, geralmente, evitada, já que é comum a utilização de água muito quente, provocando queimaduras.

No caso de estar em regiões mais quentes, é recomendado manter uma alimentação mais leve, para produzir menos calor, além de usar roupas mais leves e ingerir bastante líquido para repor os líquidos eliminados pelo suor. Também não é recomendado usar gelo diretamente na pele para esfriar o corpo, já que ele também pode causar lesões.

Fontes: Abrão Cury, cardiologista e clínico geral do HCor (SP); Alfredo Salim Helito, clínico geral do Hospital Sírio-Libanês (SP); Edson Issamu Yokoo, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo; Tiago Jornada, físico médico do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), unidade vinculada à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).