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Jejum intermitente auxilia no tratamento da obesidade, diz especialista

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

25/09/2021 17h32

Jejuar para perder peso não é uma ideia nova; no entanto, o jejum intermitente ganhou mais atenção em 2013, após o médico inglês Michael Mosley lançar o livro "A Dieta dos 2 Dias". Desde então, a dieta que alterna períodos sem comer nada (geralmente entre 12 a 48 horas) com períodos de alimentação se popularizou.

No entanto, os benefícios do programa devem ser avaliados para cada caso. É o que acredita o médico argentino Lisandro Garcia, especialista em nutrição e gastroenterologia e um dos convidados para o 25º Congresso Brasileiro de Nutrologia, evento que acontece entre os dias 23 e 25 de setembro de forma online.

Durante sua apresentação realizada hoje(25), Garcia ressaltou os pontos importantes desse tipo de jejum, mostrando como as respostas adaptativas produzidas pelo corpo reduzem os danos oxidativos e a inflamação do organismo, melhorando o metabolismo energético e a proteção celular. O especialista apresentou dados de uma pesquisa em jovens adultos com sobrepeso e meia-idade que obtiveram bons resultados após o jejum, como regulação glicêmica, redução da pressão arterial e perda de gordura abdominal.

Por isso, diz o médico, a dieta seria uma importante ferramenta no tratamento de pessoas obesas ou com uma doença metabólica muito importante. "As evidências também indicam que pacientes com artrite reumatoide, câncer e doenças neurológicas também podem se beneficiar desse tipo de jejum", disse o médico, em entrevista ao VivaBem.

No entanto, ele reforça que as evidências científicas ainda são limitadas. Por isso, é importante que a necessidade ou não dessa dieta seja avaliada de forma individual, e que apenas os indivíduos doentes dentro da faixa etária analisada sejam considerados elegíveis. No caso de implementar o regime, um profissional especializado em nutrição deve orientar o paciente durante todo o processo.

Garcia ainda afirma que jejuar por longos períodos é um programa de difícil implementação e que pode enfrentar resistência do paciente, já que, culturalmente, estamos acostumados a fazer cerca de quatro a seis refeições por dia. E, no período de adaptação, sintomas como fome, irritabilidade e menor capacidade de concentração também são comuns.

Por isso, ele afirma que o importante é considerar o jejum intermitente deve ser considerado um recurso terapêutico para as pessoas doentes. "Assim que os parâmetros de saúde voltem ao normal, é possível pensar em voltar aos hábitos normais de alimentação", explica.