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Se cortou? Saiba o que fazer e como reconhecer se é preciso levar ponto

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

23/09/2021 04h00

Como o ser humano tem pele e não couro de jacaré —mesmo que tome duas doses da vacina da covid-19—, está sujeito a se cortar facilmente, até com uma simples folha de papel. Quando superficial, o corte não exige mais que lavagem com água corrente e sabonete e cuidados simples, como eventualmente aplicação de um curativo adesivo. Agora, tendo você se talhado com uma faca, um estilete, um caco de vidro, ou outro objeto pontiagudo e cortante, é preciso agir rápido.

O primeiro passo é a higienização como mencionado, mas sem aplicar nenhum tipo de produto químico ou substância caseira (borra de café, pasta de dente, açúcar) e, em seguida, cobrir e pressionar de leve a área afetada com gaze ou pano seco e limpo antes de correr para o hospital. Elevar a área afetada também ajuda a controlar mais rapidamente a hemorragia.

"Quando o corte é fundo, dá para notar dentro dele uma parte amarela, que é gordura, vermelha, quando músculo, ou esbranquiçada, de tendão. Se atingiu artéria, o sangramento também é abundante e pode haver até jatos", informa Wendell Uguetto, cirurgião plástico da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

Diante dessas constatações, podem ser necessárias vacinação (contra tétano), internação e até cirurgia de emergência, por isso não se pode perder tempo.

"A maioria das áreas com algum corte profundo precisa ser suturada em até 8 horas. Membros inferiores, até antes, 6 horas. Já na face, por conta da grande vascularização e, consequentemente, chegada de muitas células de defesa que impedem infecções locais dá para segurar até 24 horas", acrescenta Ughetto.

Nenhum corte deve ser desvalorizado

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Quando se fala em ferimentos, as áreas mais vulneráveis são abdome e tórax, pois envolvem órgãos como coração, pulmões, estômago, intestinos, cabeça e genitais. A maioria das lesões graves e profundas pode causar sangramento volumoso com choque e, por vezes, morte.

"Nenhum corte deve ser desvalorizado. O local, que vira uma porta de entrada para bactérias, fica propenso a infecções, cicatriz de má qualidade e que pode predispor a retrações teciduais e, a depender da gravidade, pode culminar com a perda da sensibilidade de músculos e dos movimentos de tendões", explica Alexandre Sanfurgo, especialista em cirurgia plástica pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e membro da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

Em 2020, Heather Hartbottle, uma moradora do Havaí (EUA), quase morreu após um pequeno corte feito com papelão no dedo mindinho da mão esquerda evoluir para uma infecção generalizada que afetou seus rins, coração, tendões do braço e chegou à axila.

Ela contraiu Staphylococcus, uma bactéria com potencial necrosante e só foi procurar ajuda médica no dia seguinte ao acidente, após uma noite de febre alta e fortes dores na mão, que quase precisou ser amputada e recebeu até enxerto de pele.

Cicatriz de ponto é bem melhor

Se a preocupação em ter de suturar o corte é a cicatriz resultante, saiba que sem intervenção médica a chance de se formar uma grande, irregular e mal fechada é muito maior. É que, em se tratando de uma lesão profunda, as camadas da pele (epiderme e derme) se rompem e as bordas permanecem separadas demais para se juntarem facilmente, ainda mais em áreas que tendem a abrir com o movimento natural, como as articuladas ou que produzem dobras.

Por isso a necessidade do procedimento de sutura, que é realizado sob anestesia local e bem simples, conferindo resultados estéticos muito melhores do que deixar a ferida fechar sozinha.

"O fechamento de um ferimento com aproximação de bordas e com pontos diminui a chance de edemas, o risco de infecção é menor e o tecido de granulação, esbranquiçado e cicatricial, não fica visível. Por outro lado, feridas que cicatrizam sozinhas têm maior chance de sangramento persistente, infecção, processo inflamatório, queloide e hipertrofia", esclarece Isabela Faiad Leiva, médica pela Fundação UnirG (Universidade de Gurupi), no Tocantins, e dermatologista da clínica de cirurgia plástica Landecker.

Mas outros fatores também influenciam, como tipo de pele, processo de cicatrização (se apresentou algum fator complicador, ou não), além de hábitos diários. Durante o tratamento é indicado evitar exposição direta do sol por três a seis meses, garantir que a pele esteja seca, limpa e hidratada e manter o acompanhamento com especialista, que é quem deve retirar os pontos após a cicatrização, que não deve ser coçada nem apresentar pus, quentura, dor, vermelhidão e depois pode ser tratada esteticamente com pomadas, laser e cirurgia plástica.

"O tempo de cicatrização da epiderme, a camada mais superficial da pele, é de 30 dias, enquanto a derme, camada mais interna, pode levar até 6 meses para regenerar", esclarece Leonardo Abrucio Neto, dermatologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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