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Alguns fetiches sexuais podem trazer riscos à saúde; saiba quais e por quê

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

16/09/2021 04h00

Fantasias eróticas são muito comuns na população em geral e podem ser saudáveis para uma vida sexual ativa e prazerosa. Estão relacionadas a curiosidades, desejos e experiências que moldam nosso interesse, assim como ocorre com o paladar.

Porém, quando tomam muito tempo, prejudicam afazeres e relações, geram dependência, fuga da realidade, sofrimento e violam a lei e a liberdade de terceiros, são prejudiciais e devem ser tratadas como transtorno.

"O transtorno parafílico é diferente das parafilias, que são os fetiches. Nele, a saúde e a vida pessoal e dos outros são colocadas em perigo. Muitos não reconhecem a gravidade e só buscam tratamento depois de ter algum problema com a Justiça", informa Eduardo Perin, psiquiatra pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em sexualidade pelo InPaSex (Instituto Paulista de Sexualidade).

Para tratar esse transtorno, ele cita a terapia cognitivo-comportamental e, eventualmente, medicamentos para impulsividade.

Mas, relacionados ou não a diagnósticos, existem fetiches que requerem cuidados para serem realizados, sobretudo os que envolvem técnicas de submissão e dominação (com amarras e mordaças), objetos com grande potencial para causar asfixias, perfurações ou se perder dentro do corpo, ambientes, posições e manipulações que facilitem acidentes, além de uso e exposição a substâncias tóxicas e contaminação por fluidos e excrementos humanos.

Até o punho pode ser demais

15.fev.2017 - Imagem ilustrativa - fetiche, máscara, algema, sadomasoquismo - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Vanessa Prado, cirurgiã do aparelho digestivo do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, e membro da SBCD (Sociedade Brasileira de Cirurgia do Aparelho Digestivo) e da SBC (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), esclarece que introduzir na vagina ou no ânus algo que seja maior que sua capacidade de abertura normal oferece riscos que vão desde uma flacidez interna e externa a danos decorrentes sérios, como prolapso de bexiga, uretra, intestino delgado, reto e útero.

"A região anal é muito delicada, formada por músculos na sua borda e que podem se romper com a manipulação do local, ainda mais frequente. Rompidas, as fibras musculares se tornam incontinentes, ou seja, perdem o controle para segurar as fezes", explica.

No caso da vagina, não há riscos de flacidez por conta de penetração frequente. "Mas forçá-la e introduzir algo muito maior que o canal pode rasgá-la até o abdome", acrescenta Lilian Fiorelli, ginecologista especialista em sexualidade feminina e uroginecologia pela USP (Universidade de São Paulo).

Está sujeito a danos quem pratica principalmente "fisting", modalidade sexual que consiste na introdução do punho e, muitas vezes, parte do antebraço no ânus ou vagina num movimento de "abrir e fechar" e não de "tira e coloca", como o realizado com o pênis. Com isso, além dos riscos citados, existe a probabilidade de ocorrer fissuras e lacerações que podem evoluir para inflamações e infecções.

'Beijo grego' é prazeroso, mas...

Independente da orientação sexual, o fetiche de beijar e lamber o ânus do outro, conhecido popularmente como "beijo grego", pode ser bem prazeroso, ainda mais para quem recebe, uma vez que essa região está repleta de terminações nervosas. Mas da mesma forma que os sexos vaginal e anal exigem cuidados, essa variação de sexo oral também.

De acordo com Erica Mantelli, ginecologista e especialista em saúde sexual pela USP, é necessário higienizar a região íntima e usar preservativo, ou "dental dam" (folha de látex usada como barreira dental), na língua. "Mas não deve ser realizado se estiver com infecções, lesões e sangramentos", diz ela.

Não levar a sério isso é assumir o risco de contágio, que pode ser menor do que no sexo vaginal ou anal, mas ainda existente. Havendo na boca alguma ferida ou afta é mais fácil contrair bactérias, vírus ou parasitas que podem provocar quadros permanentes —às vezes sem sintomas— e câncer oral e orofaríngeo.

Entre as ameaças estão hepatites, gastroenterites, HPV (papiloma virus), sífilis, herpes e outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

Mas a boca também pode contaminar a região anal. É o caso de quem tem herpes tipo 1 (labial), candidíase oral e gonorreia orofaríngea, por exemplo. Com o sistema imunológico enfraquecido a chance de ser infectado é maior.

A colocação da boca nos genitais após ter tido contato inicial com o ânus também pode migrar a bactéria Escherichia coli para a uretra ou para o epidídimo (canal localizado atrás dos testículos), ocasionando infecções dolorosas.

'Chuva dourada' e outros 'banhos'

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Vírus e bactérias eventualmente e, principalmente em razão de infecções ativas ou má higiene, também podem aparecer e serem transmitidos pela urina, como o citomegalovírus e zika. Isso é mais fácil principalmente quando a urina entra em contato com algum ferimento ou acaba engolida. Sim, durante a realização da urofilia, popularizada como "chuva dourada" ou "golden shower", o prazer é urinar ou receber o jato urinário do parceiro no corpo, inclusive na boca.

Urina introduzida no ânus ou na vagina por penetração é desaconselhado. Além dos riscos do sexo sem proteção, pode causar irritações de mucosas, o que vale para o sistema digestório, principalmente quando o líquido é bebido em excesso.

Pessoas com gastrite, úlceras e complicações renais sérias são as mais vulneráveis, porque a urina contém ácidos e alta concentração de sódio e enzimas. Com dor, sabor e cor muito intensos é melhor nem tentar.

Embora estranho, esse fetiche é bastante comum e deixou de ser considerado um desvio em 2013. Além dele, há outros, como a chuva marrom, com fezes (coprofilia), vermelha, com sangue, e prateada, relacionada a saliva, sêmen e ejaculação feminina.

"Urina e fezes em contato prolongado com a pele podem provocar coceira e vermelhidão (dermatite). Já sangue e esperma aumentam o risco de contaminação da pele não íntegra por HIV e outros vírus", ressalta Máira Mariano Astur, dermatologista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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