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Distraído ou com TDAH? Entenda a diferença entre os dois quadros

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Imagem: iStock

Danielle Sanches*

Do VivaBem, em São Paulo

13/09/2021 15h28

A cena é um clássico no home office: a tela do computador aberta com diversas abas abertas no navegador. Em outro contexto, a pessoa que vai buscar a meia no guarda-roupas e volta com ela na mão e cara de desespero: cadê a meia que estava aqui? Isso quando não está com os óculos na cabeça enquanto o procura pelos móveis da casa...

Talvez alguma dessas situações tenha acontecido com você ou com alguém que você convive. E é natural na hora darmos risada, fazer piada e brincar: "olha aí, você tem déficit de atenção!" Mas o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (como é chamado o TDAH) não é brincadeira —e também não é simplesmente um momento de distração ou desatenção que leva ao diagnóstico.

Entendendo o quadro

O TDAH é um quadro neurobiológico, de causas genéticas e que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Segundo a ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção), o distúrbio afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar e sua prevalência é maior entre os meninos. Uma das características mais fortes da síndrome é a dificuldade para manter o foco nas atividades e a agitação motora, o que podem prejudicar o aproveitamento escolar.

Especialistas afirmam que existe um conjunto de sinais que devem ser observados para um diagnóstico correto. Geralmente os indícios do TDAH são percebidos durante a infância, até por volta dos 12 anos. Além da desatenção, que prejudica a criança principalmente no período escolar, a hiperatividade e impulsividade também podem trazer prejuízos, principalmente na vida social.

Grande parte dos especialistas afirmam que a pessoa já nasce com o transtorno, embora outros digam que estudos recentes mostraram que é possível desenvolver o distúrbio depois de adulto. Apesar das polêmicas, é importante saber que para diagnosticar o TDAH é necessário analisar além dos sintomas do paciente, como seu histórico de vida.

Esse histórico é gerado desde a infância, com a distração e a hiperatividade. Quando adolescente, tende a ter problemas com o rendimento escolar e em realizar determinadas tarefas, principalmente as mais burocráticas e repetitivas. Esses comportamentos são levados para a vida adulta: não consegue acompanhar os estudos da faculdade, não para em emprego por ter dificuldade de realizar atividades simples, como relatórios, por exemplo, mas que exigem foco e atenção. Adulto com déficit de atenção, além da desatenção e de não conseguir ficar quieto, deixa tudo para última hora: é um procrastinador nato.

É comum ainda que pacientes adultos desenvolvam transtornos de ansiedade, crises de pânico, irritabilidade, bipolaridade, transtornos de humor e conduta e depressão. Por isso, quem é diagnosticado com TDAH deve fazer o tratamento com médico psiquiatra ou neurologista, aliado a psicoterapia, para melhora da qualidade de vida.

Todo distraído tem TDAH?

A resposta é não. Somente a distração ou situações em que a pessoa está realizando tarefas de forma desatenta não configuram um transtorno. Mudança de ambiente e de rotina, estresse, uso excessivo de eletrônicos, consumo excessivo de bebida alcoólica e até ansiedade são fatores que podem provocar sintomas como procrastinação e dificuldade de concentração.

No caso do transtorno, é importante observar os sintomas que se manifestam em pelo menos em dois ambientes diferentes (casa, escola, lazer), durante, no mínimo, seis meses. Como já foi dito, o transtorno costuma se manifestar ainda na infância, mas é comum que o diagnóstico demore a acontecer e seja feito apenas na idade adulta.

Nesses casos, é bastante comum encontrar pessoas traumatizadas e com baixa autoestima após passarem anos ouvindo que são "preguiçosos" ou "relaxados". Por isso, atualmente, há uma grande preocupação em conscientizar as pessoas de que o transtorno é uma questão de saúde e não apenas falta de vontade em ser diferente.

Como é o tratamento?

Após o diagnóstico, o tratamento é feito à base de medicamentos, psicoterapia e atividades físicas. Os especialistas ressaltam, entretanto, que é necessário um esforço do paciente para que o método tenha sucesso. Não basta apenas tomar a medicação: o paciente precisa colaborar traçando estratégias para melhorar a atenção, lembrar onde deixa objetos, criar um agenda com as tarefas por ordem de prioridade, entre outras que podem ser definidas na psicoterapia.

* com informações de reportagens publicadas em 01/03/2021 e 14/08/2019.

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