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Adolescentes meninas vão mais ao médico do que os meninos, apontam dados

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

09/09/2021 13h59

Quando o assunto é saúde, as adolescentes brasileiras procuram mais os médicos do que os meninos, segundo dados do Ministério da Saúde, obtidos pela SBU (Sociedade Brasileira de Urologia). Em 2020, o acesso das meninas entre 16 e 19 anos ao SUS (Sistema Único de Saúde) foi três vezes maior que o dos meninos: 6,9 milhões de meninas, contra 2,1 milhões de meninos.

O ponto é que, nesse período, eles deveriam ter mais ciência de medidas preventivas de saúde, como as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), a gravidez precoce, as doenças que afetam a fertilidade e os cuidados com drogas e álcool.

Em pesquisa realizada pela SBU com adolescentes, foi constatado que 44% não usaram preservativo na primeira relação sexual e 35% não usam ou usam raramente o preservativo. Ainda 38,57% dos meninos disseram não saber sequer colocar o preservativo.

Neste panorama de descuidado sobre a saúde sexual, destacam-se os dados sobre a cobertura vacinal do HPV, o papiloma vírus humano, disponível no SUS para meninos entre 11 e 14 anos desde 2017.

Dados atualizados do DataSUS mostram, inclusive, que a média nacional de cobertura para segunda dose do HPV na população entre 11 e 14 anos encontra-se em 65,8% para a feminina e 35,6% para a masculina.

Uma explicação para a discrepância está em fatores culturais, o presidente da SBU, Antonio Carlos Pompeo. "Temos o costume de ver as mães levando suas filhas ao ginecologista assim que elas menstruam, mas os pais não levam seus meninos ao urologista. E essa visita ao médico, independentemente da especialidade, é importante para esclarecer o adolescente que está cheio de dúvidas e não sabe a quem perguntar. Assim acaba procurando o amigo ou até mesmo a internet para se informar, o que não é o ideal."

Para Pompeo, essa cultura é prejudicial e afeta a vida do homem. "Esse hábito se estende também para a vida adulta, e muitos homens só procuram o médico após sentirem algum mal-estar, o que é bastante prejudicial, pois a maioria das doenças urológicas como câncer de próstata não apresentam sintomas nas fases iniciais, quando há maior chance de cura. Por isso realizamos campanhas como o #VemProUro, pois acreditamos que a mudança desse cenário deve acontecer desde a adolescência", defende.

As ISTs e os jovens no Brasil

As mais comuns são sífilis, herpes simples, cancro mole, HPV, linfogranuloma venéreo, gonorreia, tricomoníase, hepatite B e C e HIV. Como exemplo da expansão das ISTs entre jovens podemos citar o número de casos registrados de HIV/Aids, que aumentou 64,9% na faixa etária de 15 a 19 anos de 2009 a 2019, de acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Ministério da Saúde de 2020.

O número de casos registrados da sífilis adquirida por meio do contato sexual também cresceu entre todas as faixas etárias e passou de 3.925 por 100 mil habitantes em 2010 para 152.915 por 100 mil habitantes em 2019. A faixa etária de 13 a 19 anos é a penúltima mais afetada, ficando à frente da faixa de 50 anos ou mais.

Já o HPV tem uma prevalência mundial estimada em 11,7% e a faixa etária de maior prevalência é nos menores de 25 anos. Por ser uma doença na maioria das vezes assintomática e com remissão espontânea em até dois anos, muitas pessoas nem descobrem ter o problema e a passam adiante.

Por isso a importância da vacina e do uso de camisinha nas relações sexuais. O HPV está associado ao câncer de colo de útero, de pênis, de ânus e de orofaringe.

Adolescentes carecem de informações de qualidade sobre sexo seguro

Se a cobertura vacinal de HPV é baixa e os números de ISTs têm aumentado, um motivo a mais de preocupação é a carência de informações de qualidade sobre sexualidade e métodos de prevenção às doenças e gravidez não planejada.

Uma pesquisa realizada pela SBU com adolescentes de 12 a 18 anos em 2020 aponta que somente 30% deles falam sobre sexo com frequência nas conversas familiares e 35,7% falam eventualmente.

Segundo 50% deles, a escola também é um ambiente desconfortável para essa conversa. 33% deles preferem falar sobre o assunto com o amigo e 41,67% preferem não falar com ninguém.

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