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Infecções repetitivas? Imunidade do seu filho pode estar baixa

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Imagem: iStock

Thaís Lyra

Colaboração para VivaBem

31/08/2021 04h00

O sistema imunológico é essencial para a garantia da saúde e do bem-estar. De vez em quando e por motivos variados, ele perde sua capacidade de reagir a agentes externos como vírus, bactérias e começa uma guerra para combater a presença dos invasores. Algumas vezes, no entanto, o organismo perde a guerra e surgem as doenças.

Em crianças, esse cenário é um pouco mais complicado porque a imunidade ainda está em desenvolvimento. Esse exército de defesas começa ainda na gestação pelos anticorpos maternos e só amadurece lá pelos 12 anos. Quem convive com pequenos sabe que eles são mais suscetíveis a gripes, resfriados, viroses, sapinhos...

Flávia Monteiro, pediatra do Hospital Memorial Arthur Ramos, de Maceió (AL) fala que, devido à sensibilidade do sistema imunológico infantil, com pico de desenvolvimento entre 5 e 7 anos, as crianças ficam muito sujeitas à presença de novos vírus, principalmente.

Quadros repetitivos

criança, alergia, reação alérgica, gripe, assoar o nariz - iStock - iStock
Imagem: iStock

O perigo ocorre quando essas situações se tornam repetitivas e atrapalham a rotina do pequeno e da família. Pais ou cuidadores devem acender o sinal de alerta.

Ana Paula Castro, especialista em alergia e imunologia e médica do corpo clínico do núcleo de pediatria do Hospital Sírio-Libanês (SP), afirma que infecções de repetição, como otites e pneumonia, ou infecções graves do tipo meningite, quando há necessidade de internação, é hora de uma investigação mais cuidadosa.

"São aquelas crianças com três otites no ano, por exemplo. Nem sempre é algo grave, às vezes a criança tem uma doença de base que precisa ser tratada."

A pediatra de Maceió explica que existem dois tipos de imunidade: inata e adquirida. "A primeira existe desde o nascimento, portanto, doenças hereditárias podem ser responsáveis por algum déficit, como deficiências na formação de anticorpos. Já a adquirida é proveniente do contato com antígenos da mãe, amamentação, alimentação e vacinas."

Conjunto de fatores

criança, natureza, criança feliz, brincando - Robert Collins/Unsplash - Robert Collins/Unsplash
Imagem: Robert Collins/Unsplash

A boa notícia é que é possível turbinar o sistema imunológico com medidas simples. A alimentação é a grande responsável pela construção de uma imunidade eficiente, que precisa começar já na gravidez e se estender até os 2 anos, nos primeiros mil dias da criança.

"Não é nenhuma besteira se preocupar com a alimentação ainda na gestação e depois ofertar os alimentos certos para ajudar nesse sistema de defesa. Especialmente até os 5 anos", esclarece Castro.

Veja como turbinar o sistema de defesa dos pequenos:

  • Amamentação exclusiva até os 6 meses;
  • Início da alimentação complementar, com alimentos naturais;
  • Suplementação de ferro preconizada pelo Ministério da Saúde;
  • Oferta de alimentos ricos em vitamina C, A, zinco e ferro devem ser diários. Na não aceitação da criança, deve-se analisar individualmente a suplementação;
  • Incentivo ao consumo de proteínas e menos ingestão de carboidratos;
  • Banhos de sol, passeios ao ar livre e contato com a natureza também não podem faltar.

Proteínas não podem faltar

Daniel Magnoni, nutrólogo, cardiologista e chefe de nutrologia do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, garante que a imunidade celular e aumento de anticorpos são estimulados pelo consumo de proteínas. Quem não quiser os de origem proteica animal pode focar nas leguminosas que são soja, ervilha, lentilha e grão-de-bico.

"Para facilitar a absorção devem ser consumidos com fontes de Ph mais ácido, como laranja, maracujá e limão."

O médico explica que, depois que vai para a escola, a criança começa a comer salgadinhos industrializados, pizza —já que muitas cantinas ainda têm esse itens disponíveis para venda— e podem surgir deficiências, constatadas por exames clínicos e laboratoriais. "Caso haja necessidade indicamos a suplementação e as mais comuns são as vitaminas do complexo A, B, C e D."

Seja criativo

Criança asiática comendo brocólis - Istock - Istock
Imagem: Istock

Até os 2 anos, a criança não costuma ter problemas para comer. Mas depois dessa fase, ela começa a fazer cara feia para certos alimentos.

Não existe muito segredo e é preciso paciência e um toque lúdico. Ofereça comida colorida, de consistência variável, evite alimentos ácidos e amargos.

Uma das dicas é deixar a criança comer sozinha para ela descobrir a consistência e a crocância de cada tipo de alimento.

"E nada de ficar brincando, fazendo aviãozinho, que não dá certo. Para a imunidade, escolha proteínas com mastigabilidade mais fácil, como carne moída, ou pequenos pedaços de carne. Inclua mandioquinha ou batata e sal, por exemplo."

Vacinação em dia

Com a volta às aulas depois de mais de 1 ano e meio em casa devido à pandemia, Castro lembra que o momento é de reforçar certos cuidados. Principalmente em relação às vacinas contra gripe e pneumococo.

"Muitas crianças não se imunizaram no ano passado e o esquema vacinal precisa ser atualizado antes de enviar a criança à escola."

Mudança de tempo

Criança tomando vacina contra a gripe - scyther5/IStock - scyther5/IStock
Imagem: scyther5/IStock

Segundo Monteiro, a temperatura também pode agravar esses quadros. O inverno traz o aumento natural das doenças alérgicas e respiratórias, devido à formação de conglomerados e ressecamento das mucosas respiratórias pelo frio.

E é justamente as mucosas umidificadas que são a primeira barreira a agentes invasores do trato respiratório.

Em relação ao verão, as altas temperaturas favorecem desidratação e lesões cutâneas, quebrando também o mecanismo de proteção de barreira das mucosas.

Em ambos os casos, hidratação é fundamental, com água e sucos naturais, de preferência.

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