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Quem são as pessoas imunossuprimidas e por que elas vão precisar da 3ª dose

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Imagem: iStock

Luiza Vidal

Do VivaBem*, em São Paulo

25/08/2021 16h18

Nesta quarta-feira (25), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou a aplicação da terceira dose da vacina contra a covid-19 a partir do dia 15 de setembro em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos, que são pessoas que passaram por um transplante ou pacientes que têm HIV, por exemplo.

A vacina utilizada será "preferencialmente" a da Pfizer, segundo a secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite, em entrevista ao UOL News. Mas a terceira dose também pode ser feita com outra vacina de vetor viral, como da Janssen e da AstraZeneca.

O que significa "imunossuprimidos"?

Para entender o termo, primeiro, é importante compreender como o nosso sistema imunológico funciona. Ele é responsável por nos proteger de vírus, bactérias e outros agentes estranhos que tentam "invadir" nosso corpo. Mas em algumas pessoas esse "exército protetor" pode não funcionar perfeitamente. Por isso, elas são consideradas imunossuprimidas.

Há os indivíduos que nascem com uma falha neste sistema por causa de doenças congênitas, as chamadas de imunodeficiências primárias.

Existem também os casos das imunodeficiências secundárias, como pacientes com HIV, pessoas em tratamento de câncer ou quem passou por um transplante e necessita dos imunossupressores pelo resto da vida. O grau de imunossupressão divide-se em leve, moderado e grave.

Os idosos, naturalmente, também possuem um sistema imune menos robusto — o nome disso é imunossenescência. Todos os órgãos do corpo envelhecem e o sistema imunológico passa pelo mesmo. Essa condição faz com os idosos estejam mais suscetíveis aos agentes infecciosos — não só ao vírus causador da covid-19, mas qualquer outra doença.

Vacinas em imunossuprimidos: como funciona?

Por ter um sistema imunológico mais debilitado, a resposta imune para as vacinas, seja ela qual for, pode não ser a mais esperada. Mesmo com a resposta mais baixa do que em pessoas saudáveis, é de extrema importância que elas tomem todos os imunizantes disponíveis.

Isso vale principalmente no caso da covid-19, em um momento de pandemia. "É uma questão polêmica. A depender do tipo de imunodeficiência, a pessoa terá pouca resposta à vacina. Mas qualquer resposta é melhor do que nada. Mesmo porque, por estarem nesta condição, esses pacientes têm maior possibilidade de evoluir com doença grave", explica Lorena de Castro Diniz*, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Essa dose de reforço já é feita com outros imunizantes, como o de hepatite B. Na população geral, ela é aplicada com 0,5 ml em três doses. Nas pessoas imunossuprimidas, o esquema é diferente: 1 ml em 4 doses. Tudo isso para dar uma resposta mais robusta.

E a terceira dose?

O tema divide a opinião dos especialistas. Por isso, os países têm adotado suas próprias estratégias (veja quais já incluíram nova medida). Nos EUA, o FDA, agência reguladora de medicamentos, autorizou a aplicação de uma dose de reforço das vacinas da Pfizer e da Moderna para parte das pessoas imunossuprimidas.

Em comunicado, eles disseram que essas pessoas "têm uma capacidade reduzida de combater infecções e outras doenças e são especialmente vulneráveis a infecções".

Aqui pelo Brasil, uma pesquisa preliminar coordenada pela Faculdade de Medicina da USP mostrou que a resposta ao vírus da covid-19 em pessoas que tomaram as duas doses da vacina CoronaVac, por exemplo, é bem menos intensa na maior parte dos homens com mais de 55 anos de idade.

"A resposta diminuída para a vacina se acentua a partir de 80 anos. Isso demonstra bem que o regime vacinal que foi utilizado não é suficiente para dar uma razoável cobertura contra doença grave e contra morte", disse o professor da FMUSP Jorge Kalil, um dos autores do estudo.

Em Israel, por exemplo, um estudo com idosos mostrou que a terceira dose da vacina da Pfizer aumentou significativamente a proteção contra casos graves e hospitalizações entre pessoas acima de 60 anos, em comparação com aqueles que receberam duas aplicações.

Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) diz ainda não ter dados conclusivos sobre necessidade da dose de reforço contra covid. Para o diretor-geral, Tedros Adhanom, é mais uma questão moral. "Quando alguns países têm recursos para obter a dose de reforço e outros não estão nem mesmo vacinando a primeira e segunda doses, é uma questão moral", disse ele.

O que os especialistas reforçam, entretanto, é que as vacinas são seguras e essenciais para combater a pandemia de covid-19. Os imunizantes evitam que mais pessoas sejam internadas e, consequentemente, morram por causa da doença.

* Com informações de reportagem publicada no dia 21/06/2021.

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