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'Fim da quarentena' não significa que pandemia está controlada

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

21/08/2021 14h53

O primeiro fim de semana sem as restrições sanitárias impostas pelo governo do estado de São Paulo teve cenas lamentáveis: pessoas se aglomeraram em bares e restaurantes da cidade, enquanto as estradas para litoral e interior ficaram congestionadas.

Desde terça-feira, 17, o comércio paulista não tem mais restrições de horários de funcionamento e limite de ocupação dos locais, em uma ação chamada de "Retomada Segura". O governador de SP, João Doria (PSDB), disse que os protocolos de proteção estão mantidos, como uso de máscara, álcool em gel e medidas de distanciamento nos locais.

As imagens das estradas engarrafadas e de bares lotados de pessoas sem máscara provocaram revolta na internet —que, como sempre, reagiu à situação usando muito humor e deixou a hashtag "fim da quarentena" entre as mais compartilhadas do dia.

É verdade que o cenário atual está melhor do que no começo do ano, quando houve uma alta nos casos de infecção morte por covid-19 no País. Além disso, a vacinação continua avançando —não no ritmo desejado, é verdade, mas já conferindo proteção a um bom número de indivíduos.

No entanto, essas medidas não são garantia de controle da pandemia. Já se sabe atualmente que mesmo os vacinados continuam a transmitir o vírus e, em casos específicos, podem desenvolver a doença. Vacina não faz mágica.

Segundo Evaldo Araújo, médico infectologista do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) e professor da Universidade São Judas (SP), estar vacinado implica a diminuição dos riscos de ter uma forma grave da doença e, consequentemente, morrer. "Cobertura vacinal é desejável e impacta muito positivamente na redução de internações e óbitos, mas ela não implica no fim da pandemia", diz.

Já é hora de flexibilizar?

Para Tiago Rodrigues, infectologista e professor da Unic (Universidade de Cuiabá), em Mato Grosso, a questão é complicada, pois é algo inédito e ainda desconhecido pela sociedade. "Qualquer decisão, em favor da economia ou da pandemia, teremos os prejudicados e os beneficiados", explica.

Para ele, optar por decisões que priorizem medidas de lockdown ou restrições de circulação evita que mais pessoas morram ou sejam infectadas pelo coronavírus. Por outro lado, ser "a favor da economia" seria apoiar medidas de flexibilização no comércio.

"A pandemia gera mortos e doentes, é algo irreversível. As decisões a 'favor' dela impactam a economia e geram desemprego, além de levar a saúde mental para o buraco, mas as coisas não são permanentes, embora não seja um impacto pequeno", explica. "Eu, como profissional de saúde, opto sempre pelas medidas que ajudem a controlar a pandemia."

Quando há flexibilização, há também maior risco da circulação do vírus e, eventualmente, pessoas vacinadas ou não podem desenvolver a doença, inclusive de forma severa, segundo Araújo. "Abrir bares e restaurantes dessa forma, sem distanciamento ou uso de áreas externas, ainda é um risco apesar da vacina."

Variante delta é mais transmissível e preocupa

No Brasil e presente em mais de outros 100 países, a variante delta seria um dos outros motivos para que as medidas de restrições fossem mantidas por mais tempo. A delta preocupa por ser mais transmissível do que as outras cepas do vírus da covid-19 —o bom é que as vacinas são capazes de segurar a força dessa variante, mesmo que parcialmente.

Se é mais transmissível, mais pessoas podem ser infectadas pela doença e, por isso, há de ter mais cuidados para evitar que isso ocorra. "Uma pequena parcela terá doença grave e uma parte pode morrer. A maioria sobrevive e acaba gerando uma mutação, o que é pior para a pandemia, pois retarda a volta da 'vida normal'", afirma Rodrigues.

Para o professor da PUC, a tendência é que a delta seja a variante dominante no Brasil. "Mesmo sem um rastreamento de forma intensiva, o indicativo é que ela esteja muito presente no nosso meio. Esse é um ponto que deve, sim, ser avaliado."

Veja como você pode reduzir danos

Uma opção de lazer são os parques e praças, onde o risco de contrair o vírus é menor pela circulação de ar e por ser uma grande área disponível. Mas caso você opte frequentar bares, restaurantes, entre outros locais, veja como evitar riscos com medidas simples:

Restaurantes e bares

  • Escolha lugares que não estejam cheios;
  • Opte por bares e restaurantes que tenham um ambiente aberto, ao ar livre;
  • Em locais fechados, prefira mesas que fiquem perto de janelas;
  • Evite ficar próximo de mesas cheias, escolha um lugar mais distante;
  • Só retire a máscara (de preferência PFF2) quando for consumir alguma comida ou bebida;
  • Se for sair com amigos, não faça aglomeração, opte por grupos de no máximo 4 pessoas;
  • Se o grupo for grande, o lugar também precisa ser maior e melhor ventilado;
  • Evite falar muito alto;
  • Por mais que seja difícil, tente não beijar ou abraçar quem estiver com você;
  • Higienize as mãos após tocar em algo e evite encostá-las na boca, nariz e olhos;
  • É preferível manter o distanciamento de 1,5 metro quando estiver conversando com alguém.

Cinema

  • Se for acompanhado, evite ir em grupo, vá com mais 2 ou 3 pessoas, no máximo;
  • Não tire a máscara neste ambiente, pois ele não possui boa circulação do ar;
  • Evite comer e beber;
  • Respeite o distanciamento entre as cadeiras;
  • Higienize as mãos após tocar em algo e evite encostá-las na boca, nariz e olhos.

Lojas e shoppings

  • Evite ir em horários que o local esteja cheio;
  • Vá de máscara, de preferência PFF2;
  • Higienize as mãos após encostar em portas, corrimão e evite encostá-las na boca, nariz e olhos;
  • Alimente-se em casa; evite ao máximo ficar sem a máscara para comer ou beber;
  • Mantenha distanciamento quando falar com outras pessoas.

* com informações de Luiza Vidal em reportagem publicada em 17/08/2021.

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