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Uma em cada quatro crianças sofre com depressão na pandemia, diz estudo

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Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

10/08/2021 16h44

Os danos à saúde mental provocados pela pandemia do novo coronavírus atingiram também crianças e adolescentes —e os primeiros estudos a respeito do assunto começam a descortinar a profundidade dessa crise.

Em um novo trabalho, publicado no periódico JAMA Pediatrics, pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, avaliaram dados de 29 estudos (um processo chamado de metanálise) com crianças e adolescentes em diversos países e chegaram a alguns números alarmantes: um em cada quatro sofre de depressão, enquanto um em cada cinco está lutando contra a ansiedade.

Os dados indicam que os sintomas relacionados às doenças dobraram entre indivíduos desses grupos em comparação com tempos pré-pandemia. E evidenciam ainda que eles parecem estar piorando com o tempo.

"Estar socialmente isolado, mantido longe dos amigos, da rotina escolar e das interações sociais está se provando muito difícil para as crianças", disse Sheri Madigan, psicóloga clínica da universidade e co-autora do trabalho, em um texto publicado no site da instituição.

"Quando a covid-19 começou, a maioria das pessoas pensou que seria difícil no início mas que ia melhorar com o tempo e as crianças se ajustariam ao voltar para a escola", explicou. "Mas quando a pandemia seguiu, os jovens perderam muitos marcos importantes em suas vidas. A situação seguiu por mais de um ano e, para jovens, esse é grande período de tempo em suas vidas", disse.

Como o estudo foi feito?

  • Os pesquisadores da Universidade de Calgary reuniram informações de 29 estudos diferentes feitos com crianças e adolescentes --um processo conhecido como metanálise;
  • Os estudos analisados vieram do Leste Asiático (16); Europa (4), América do Norte (6) América Central (2), América do Sul (1, do Brasil) e Oriente Médio (1);
  • No total, foram analisadas informações referentes a mais de 80 mil jovens, globalmente;
  • A análise mostrou que um em cada quatro sofre de depressão, enquanto um em cada cinco está lutando contra a ansiedade;
  • O estudo afirma também que adolescentes mais velhos e garotas são os que experimentaram níveis mais altos de depressão e ansiedade.

Por que isso é importante?

Os dados são relevantes pois, à medida que a população mundial for vacinada e as escolas —e outros espaços públicos —voltarem à rotina, precisamos entender se essas crianças e adolescentes conseguirão se recuperar desse trauma e qual a profundidade do impacto da pandemia na saúde mental deles.

Nicole Racine, psicóloga clínica, pós-doutoranda e autora principal do artigo, acredita que o cenário ainda é incerto. "Algumas crianças vão se resolver sozinhas, mas haverá um grupo que a pandemia agiu como um gatilho para uma trajetória desafiadora", declarou.

Tanto ela como Madigan recomendam que um planejamento de apoio à saúde mental da juventude para ajudar essas crianças e adolescentes seja feito imediatamente e não após o fim da pandemia, já que esses indivíduos estão em sofrendo para lidar com este cenário neste momento.

"É desconcertante para as crianças porque elas não podem prever como será seu ambiente, e sabemos que quando o mundo em que vivem não tem previsibilidade e controlabilidade, a saúde mental delas sofre", afirmou Madigan.

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