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Ele fraturou o pênis no sexo: 'Parecia uma berinjela, inchado e roxo'

Felipe Mansur, 52, teve uma fratura peniana em 2015 - Arquivo pessoal
Felipe Mansur, 52, teve uma fratura peniana em 2015 Imagem: Arquivo pessoal

André Aram

Colaboração para VivaBem, no Rio de Janeiro

27/07/2021 04h00

Felipe Mansur, 52, barbeiro e cabeleireiro, jamais esquecerá o dia 22 de dezembro de 2015: ele foi do prazer a uma dor descomunal quando fraturou o pênis durante uma relação sexual. A situação embaraçosa e grave gerou traumas psicológicos que o perseguiram por muito tempo.

Ainda que incomum, a fratura peniana, como é conhecida (visto que o pênis não tem osso), pode levar a sérias consequências se não receber tratamento imediato.

De acordo com Fábio Vilar, chefe do serviço de urologia do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), o órgão genital masculino possui corpos cavernosos envolvidos pela túnica albugínea, e a fratura ocorre durante o ato sexual, geralmente na posição em que a pessoa está por cima do homem, quando o pênis "escapa" da vagina ou ânus ocorre um forte atrito e nesse momento se dá a fratura.

"O paciente costuma sentir uma dor intensa, o pênis incha em função do vazamento de sangue, ficando roxo. A fratura peniana pode ocorrer também na masturbação, porém é mais raro", ressalta Vilar.

Mansur se recorda quando o pênis estalou: "Era como se tivesse quebrando macarrão seco, fez um clique e começou a ficar muito inchado, parecia uma berinjela grande e cheio de sangue interno, foi desesperador".

O mineiro que vive no Rio de Janeiro há décadas correu para o banheiro, pegou uma tesoura, cortou o preservativo e, sentindo muita dor, foi buscar socorro em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) próxima de sua casa.

Em seguida, foi encaminhado ao Hospital Souza Aguiar para fazer uma cirurgia em até 24 horas, em que levou 40 pontos e na qual teve também o prepúcio removido, segundo ele. Mansur se recuperou sem sequelas, restando apenas a cicatriz dos pontos e o trauma emocional que alterou sua vida sexual até então ativa.

Vilar esclarece que, após fraturar o pênis, o paciente deve buscar a emergência de imediato para reduzir a possibilidade de sequelas como disfunção erétil e/ou deformidades no órgão. Segundo o especialista, a maioria dos homens vai necessitar passar pela cirurgia quando ocorrer uma fratura.

Recuperação longa e cautelosa

Felipe relata que o processo de recuperação da fratura foi penoso - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Felipe relata que o processo de recuperação da fratura foi penoso
Imagem: Arquivo pessoal

O pós-operatório vai exigir alguns cuidados, já que envolve cirurgia, desinchaço do membro e tempo de cicatrização, podendo levar entre 30 e 60 dias.

Mansur relata que foi penoso o processo de recuperação, que consistia em fazer uma assepsia sempre após urinar, evitar ter ereção —quando ocorria de forma involuntária à noite, ele molhava o pênis com água fria—, não carregar peso e abstinência de relações sexuais e masturbação por três meses.

Quando finalmente teve alta para retomar a rotina e ter uma vida (sexual) normal, veio o alívio e o temor: "Não tinha coragem, tinha ereção, desejo, mas tinha medo de quebrar novamente, tive receio de não estar cicatrizado interno, e acabava perdendo a ereção", desabafa.

Para Rodrigo Fonseca, psicólogo da Santa Casa de São Paulo, especialista em psicologia hospitalar e clínica, o medo e a ansiedade de não conseguir ter uma vida sexual saudável e prazerosa e de reviver o evento traumático potencializado pela dor que sentiu, podem refletir na disfunção erétil, que irá impactar na baixa autoestima.

A psicoterapia é uma aliada e auxiliará o paciente a lidar de forma mais saudável com esses sintomas que poderão surgir. Na ocasião, Mansur foi encaminhado para uma psicóloga e após um ano e meio de terapia conseguiu superar os traumas do passado e hoje considera sua vida sexual normal, mas desde então tem evitado posições sexuais que possam ocasionar o incidente.

Índice de fratura peniana no Brasil

Apesar de ser incomum, a fratura no pênis representa cerca de 1 a cada 175 mil atendimentos nas salas de urgência dos hospitais brasileiros, aponta Eduardo Pimentel, diretor presidente da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) da seccional do Distrito Federal.

"Em um estudo realizado pela urologia do Hospital de Base - IGESDF de Brasília foram levantados 55 casos de fratura peniana entre os anos de 2000 a 2016. Quando comparamos com outras emergências urológicas, percebe-se que realmente é incomum", avalia.

Um artigo de autoria de Javaad Zargooshi revelou uma alta frequência de fratura peniana em Kermanshah, no Irã (172 casos entre 1990 e 1999). A explicação para esta alta prevalência está relacionada à prática de "taghaandan", que consiste no ato de forçar a interrupção da ereção dobrando o pênis ereto.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o nome da prática que consiste no ato de forçar a interrupção da ereção dobrando o pênis ereto é "taghaandan" e não "Kermanshah", que é a cidade do Irã onde os casos foram analisados.

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