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Covid: Idosa intubada 5 vezes com condição rara tem alta após transplante

Dona Aída Younes, de 67 anos, após receber alta do hospital - Reprodução/TV Globo
Dona Aída Younes, de 67 anos, após receber alta do hospital Imagem: Reprodução/TV Globo

Colaboração para VivaBem, em São Paulo

29/06/2021 14h28Atualizada em 29/06/2021 14h31

A amazonense Aída Younes, de 67 anos, recebeu alta do hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, na sexta-feira (18), depois de viver um intenso drama para conseguir voltar para casa. A idosa foi diagnosticada com colangiopatia trombótica da covid-19, mais conhecida como "trombose da covid" e chegou a ter 100% dos pulmões comprometidos.

A paciente parecia se recuperar do coronavírus sem grandes complicações, segundo reportagem da TV Globo. Ela receberia alta no dia 31 de dezembro, mas a liberação foi adiada depois que os médicos notaram a presença de um quadro de indisposição gástrica intensa.

"Fizemos uma biópsia no fígado e diagnosticamos uma doença que é rara, mas fatal na maioria dos casos, chamada colangiopatia trombótica da covid-19, é uma espécie de trombose da covid", explicou a médica Ludhmila Hajjar, à TV Globo.

"O coronavírus tem uma predisposição para atacar os vasos e nesse caso ele ataca os vasos do fígado, ele inflama e dá trombose. Então o sangue não chega para o fígado e o fígado entra em falência", detalhou.

 Ludhmila Hajjar, médica que atuou no tratamento e Dona Aída - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Ludhmila Hajjar, médica que atuou no tratamento e Dona Aída
Imagem: Reprodução/TV Globo

As pequenas artérias do fígado da idosa começaram a entupir, provocando inchaço das vias biliares, o que fez com que a bile retornasse à circulação sanguínea. Dona Aída precisou ser intubada cinco vezes, até que os médicos chegaram à conclusão de que só um transplante, até então inédito no tratamento na covid-19 no Brasil, poderia salvá-la.

"Fizemos o transplante convencional, habitual, mas tínhamos que ser rápidos porque era doente muito grave, muito instável e se tivesse qualquer intercorrência, um sangramento ou uma disfunção essa paciente não suportaria. Foi um momento inesquecível para nós, um momento muito marcante!", afirma o cirurgião Luiz Carneiro D'Albuquerque.

Após os meses de recuperação longe de casa, dona Aída disse que seu maior desejo é poder voltar a trabalhar.

Eu gostaria de trabalhar, não sei se vou poder. Acho que ainda tenho gás para fazer. Queria agradecer imensamente e dizer às pessoas que serem doadores é a melhor coisa do mundo, só assim eu estou falando e outras pessoas poderão se salvar também."

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