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Empresário que negociou Covaxin tem histórico de investigações, diz jornal

Empresas de Francisco Emerson Maximiano, da Precisa Medicamentos, são investigadas por fraudes e dívidas - Debajyoti Chakraborty / NurPhoto via Getty Images
Empresas de Francisco Emerson Maximiano, da Precisa Medicamentos, são investigadas por fraudes e dívidas Imagem: Debajyoti Chakraborty / NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

23/06/2021 11h43Atualizada em 23/06/2021 11h51

Na mira da CPI da Covid, o empresário Francisco Emerson Maximiano tem histórico de contratos contestados por órgãos de investigação, além de ser alvo de processos judiciais de cobranças de dívidas. As informações são do jornal Estado de S.Paulo.

Maximiano é sócio-administrador da Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde ao preço de US$ 15 por dose (R$ 80,70, na cotação da época). O valor por unidade é 1.000% maior do que o anunciado pela fabricante Bharat Biotech.

Segundo o Estado de S.Paulo, a ordem para a aquisição da vacina foi dada pessoalmente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A negociação durou cerca de três meses. No caso da Pfizer, por exemplo, foram quase onze meses, e o preço cobrado por dose (US$ 10) não se alterou.

O empresário Francisco Emerson Maximiano atua no setor farmacêutico há mais de uma década e comprou a Precisa em 2014, vendida pela Orizon, empresa do grupo Bradesco. Desde 2012, ele também é sócio da Global Gestão em Saúde e atua em outras nove empresas, quatro delas do ramo da saúde.

Preços superfaturados e medicamentos não entregues

Segundo reportagem do Estadão, a Global firmou contratos com o governo federal na época que Ricardo Barros (Progressistas-PR) era ministro da Saúde —Barros, atual líder do governo na Câmara, é visto como próximo de Maximiano.

A Global vendeu remédios de alto custo ao Ministério da Saúde, mas não entregou. O prejuízo estimado é de R$ 20 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público Federal move ação contra a empresa e cobra R$ 119 milhões por danos coletivos.

A mesma empresa foi multada em R$ 2,3 milhões pela Petrobras por não cumprir contrato de fornecimento de medicamentos a funcionários da estatal, segundo informou a revista Veja em março deste ano. O contrato foi assinado em 2015, mas encerrado no mesmo ano após constatação de fraudes no acordo.

A Precisa Medicamentos também é investigada pelo Ministério Público Federal na operação Falso Negativo, que apura a venda de testes rápidos contra a covid a preços superfaturados e qualidade inferior. O contrato fechado pela Precisa é de R$ 20 milhões.

Em São Paulo, diz o Estadão, o empresário Maximiano e suas empresas são alvo de ações de cobrança por atraso no pagamento de impostos e dívidas. Uma das empresas, a Interfarmácia, é cobrada por antigos sócios que dizem ter assumido dívidas trabalhistas. Maximiano também foi processado por não pagar o aluguel de uma cobertura no bairro Campo Belo.