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Apenas uma de 17 regiões não estaria na fase vermelha do 'antigo' Plano SP

Restaurantes em Pinheiros, São Paulo, fechados no Natal, quando o estado estava na fase vermelha do Plano SP - Arthur Stabile/UOL
Restaurantes em Pinheiros, São Paulo, fechados no Natal, quando o estado estava na fase vermelha do Plano SP Imagem: Arthur Stabile/UOL

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 04h00

Apenas uma das 17 regiões paulistas não seria classificada na fase vermelha, a mais restritiva, se o Plano São Paulo voltasse a seguir os parâmetros estabelecidos até março deste ano.

Com dados da Secretaria Estadual da Saúde até as 17h de ontem (21), só a Baixada Santista teria indicadores para ficar na fase laranja do plano de flexibilização econômica. O governo paulista deverá anunciar mudanças nas ações de controle da pandemia amanhã. A expectativa é que abandone a fase de transição, vigente desde abril, e retome a regionalização.

Governo avalia cinco indicadores

Ao UOL, o governo paulista delegou a responsabilidade aos municípios. Em nota, afirmou que, desde a criação do Plano SP, "tem sido reiterado que as cidades podem e devem acionar estratégias mais restritivas, se necessário, para o cenário local".

O Plano São Paulo foi criado em março do ano passado para ajudar a combater a transmissão de covid-19 no estado e organizar a retomada econômica. Até março deste ano, as fases eram baseadas em cinco indicadores:

  • porcentagem de ocupação de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) para covid;
  • ocupação por 100 mil habitantes de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) para covid;
  • novos casos por 100 mil habitantes em 14 dias;
  • novas internações por 100 mil habitantes em 14 dias; e
  • óbitos por 100 mil habitantes em 14 dias.

O plano era dividido em cinco fases (da azul à vermelha) e estabelecia que cada região seguiria a cor de seu pior indicador. Ou seja, se todos os critérios estivessem elegíveis para verde e um no vermelho, é na fase vermelha que esta região ficaria.

Segundo estes critérios, pelo menos 15 das 17 regiões já passariam para a fase mais restritiva pela só pela porcentagem de ocupação de UTIs. Apenas Araçatuba (74,2%) e Baixada Santista (60,6%) estavam com lotação inferior aos 75% ontem —porcentagem indicada para a fase laranja:

  • Araraquara: 88,3%
  • Barretos: 95,1%
  • Bauru: 90,6%
  • Campinas: 80,1%
  • Franca: 84,6%
  • Grande São Paulo: 76,3%
  • Marília: 94,9%
  • Piracicaba: 88,9%
  • Presidente Prudente: 92,4%
  • Registro: 81,5%
  • Ribeirão Preto: 92%
  • São João Da Boa Vista: 93,5%
  • São José Do Rio Preto: 89,1%
  • Sorocaba: 89%
  • Taubaté: 77%

A região de Araçatuba, no entanto, seria classificada para a vermelha por outros dois indicadores: média de novos óbitos (20,8) e de novos casos (745,8) por 100 mil habitantes. A Baixada Santista segue com todos os indicadores para a fase laranja.

Fase vermelha aumentaria restrições

A ida de praticamente todo o estado para a fase vermelha representaria um recrudescimento das regras. A atual fase de transição, que já sofreu diversas mudanças, está mais próxima da fase amarela, no centro do plano, do que entre as mais rígidas.

Se a vermelha entrasse em vigor, quase todas as atividades abertas atualmente no estado, fechariam. Veja as diferenças:

Comércio, serviços e restaurantes

Na fase atual, funcionam das 6h às 21h, com 40% de ocupação. Na vermelha, estão proibidos.

Eventos e atividades culturais

Na fase atual, funcionam das 6h às 21h, com 40% de ocupação e proibição para aglomerações. Na vermelha, estão proibidos.

Atividades religiosas

Na fase atual, funcionam com 40% de ocupação. Na vermelha, estão proibidas.

Eventos com aglomeração

Proibidos em todas as fases do Plano SP.

Regiões seguem na pior fase da pandemia

Como o UOL mostrou na semana passada, o interior de São Paulo segue na pior fase da pandemia. Em algumas regiões, indicadores como ocupação de leitos e média de óbitos chegou a ter uma leve queda após as fases restritivas, mas nunca chegaram a sair do nível crítico.

É o caso de Barretos e Marília. A primeira teve média de ocupação de UTI acima dos 90% durante 43 dias (de 11/03 a 22/04). Com medidas de restrição mais rígidas, passou uma semana com índices entre 87% e 89% e logo voltou ao patamar anterior, com 95,1% nos dados atuais.

Já Marília, que chegou a 97,37% de ocupação nos dias 25 e 26 de maio, não tem capacidade inferior a 90% há mais de 100 dias, desde 10 de março. No último dado, estava em quase 95%.

Bauru não está muito melhor. Com ocupação acima dos 90% de 7 de fevereiro a 16 de abril (69 dias), a região segue com variação entre 89% e 92%, sem uma queda expressiva.

A avaliação do Centro de Contingência é que algumas cidades e regiões não têm seguido as diretrizes à risca. Os decretos estaduais são sugestões às cidades, que têm autonomia para estabelecerem suas próprias regras.

De acordo com os indicadores do comitê, o estado voltou a apresentar queda média de internações na última semana. Eles avaliam que ainda é preciso analisar um pouco mais para estabelecer uma tendência, mas a expectativa é positiva.

Tendência é regionalização do Plano SP

Para resolver a questão, a expectativa é que o Centro de Contingência e o governo paulista anunciem amanhã (23) a retomada da regionalização do Plano SP.

Desde o início de março, quando o governo instituiu a fase emergencial, mais restritiva que a vermelha, as medidas estão valendo para o estado inteiro, mas, com a discrepância de algumas regiões, os médicos avaliam que o modelo segmentado pode ser mais eficiente.

Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto colocava como indicadores as médias de casos, internações e óbitos por 100 mil habitantes, quando são, na verdade, a somatória de casos, internações e óbitos em 14 dias. A informação foi corrigida.

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