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'Não me preocupo com questões políticas', diz Queiroga sobre CPI da Covid

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa da abertura do projeto de vacinação em massa em Paquetá, no Rio de Janeiro - ERBS JR./FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa da abertura do projeto de vacinação em massa em Paquetá, no Rio de Janeiro Imagem: ERBS JR./FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

De Viva Bem, em São Paulo*

20/06/2021 11h34Atualizada em 20/06/2021 15h38

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que passou da condição de testemunha a investigado pela CPI da Covid no Senado, afirmou hoje que "não se preocupa com questões políticas" e que seu foco é vacinar a população brasileira.

"Eu sou um agente sanitário e não me preocupo com essas questões políticas. Eu tenho um foco, que é vacinar a população brasileira", disse Queiroga, acompanhado da Maria Gotinha, um dos símbolos da campanha de vacinação, durante o lançamento do projeto "PaqueTá Vacinada", no Rio de Janeiro..

Indagado também sobre as manifestações de ontem contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em diversas cidades do país, o ministro da Saúde se limitou a dizer que "o povo julga".

Na sexta-feira (18), Queiroga passou à condição de investigado pela CPI da Covid. O nome dele consta em uma lista divulgada pelo relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que também inclui o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

O atual comandante da pasta foi incluído na relação de investigados da CPI por ter sugerido à OMS (Organização Mundial da Saúde) diálogo sobre o tratamento precoce da covid-19, método defendido por Bolsonaro, mas que não tem eficácia comprovada. Além disso, segundo o relator, o ministro "mentiu muito" em seus dois depoimentos aos senadores.

'Passaporte para a liberdade'

Queiroga também voltou a prometer vacinar, até o fim do ano, toda a população brasileira acima de 18 anos com duas doses contra a covid-19 e afirmou que a imunização representa um "passaporte para a liberdade" e para uma "nova vida".

"Até o final do ano, toda a população brasileira acima de 18 anos será imunizada contra a covid-19, com duas doses, um passaporte para a nossa liberdade, um passaporte para uma nova vida", afirmou Queiroga na manhã de hoje

O ministro fez elogios à infraestrutura de imunização brasileira, uma das maiores do mundo, e voltou a dizer que o país tem capacidade para vacinar até 2,4 milhões de pessoas por dia.

Queiroga, que já havia lamentado ontem as 500 mil mortes pela covid-19 no país, prestou novamente solidariedade ao familiares e amigos das vítimas e afirmou que a melhor forma de vencer a doença é o trabalho conjunto entre União, estados e municípios. A fala contraria postura de Bolsonaro, que, dede o início da pandemia, tem se manifestado contra ações de governadores e prefeitos que decretam medidas restritivas para frear o avanço do vírus.

"Para enfrentá-lo [o coronavírus], a principal ferramenta é o Sistema Único de Saúde e a união do princípio tripartite do SUS, e a sua eficiência é a certeza de que nós haveremos de vencer o nosso único inimigo, que é o vírus", declarou.

Estudo em Paquetá

Queiroga aplicou as primeiras doses da vacina em moradores de Paquetá, que no dia 22 de agosto receberão a segunda dose e em setembro realizarão um evento teste para saber os efeitos de aglomerações em regiões onde toda a comunidade está vacinada.

Em um primeiro momento, o prefeito Eduardo Paes (PSD) havia anunciado a realização de um Carnaval na ilha para testar a vacina, o que foi rechaçado pelos moradores, que temem o aumento da presença de pessoas de fora, e por avaliarem que não há motivo para comemoração de uma festa como o Carnaval em meio a mais de 500 mil mortos.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores de Paquetá, Guto Pires, a tendência é de que o evento teste, que será feito em um parque fechado da Ilha, seja um show.

"A Fiocruz vai fazer o estudo com um público controlado, de 500 a 600 pessoas, porque depois é preciso fazer vários testes. O anúncio do Carnaval foi um momento ruim do prefeito (Paes) e ele mesmo não está mais falando disso", afirmou Pires.

(*Com informações do Estadão Conteúdo)