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Lotação de UTIs no interior de SP atinge pior momento da pandemia

Wanderley Preite Sobrinho

Do Viva Bem, em São Paulo

17/06/2021 04h00

A lotação em UTI (Unidades de Terapia Intensiva) no interior do Estado de São Paulo vive o pior momento da pandemia de covid-19. Ao todo, 5.206 pessoas estavam em terapia intensiva no interior no dia 13 de junho, ultrapassando o momento crítico da crise sanitária até agora na região, em 6 de abril, quando havia 5.064 pessoas em UTI. Na Grande São Paulo, a lotação também está em patamar alto, mas estável.

Os dados são da plataforma de monitoramento Info Tracker —da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da USP (Universidade de São Paulo)—, que compilou o total de pessoas internadas no estado e descobriu que, em junho, 11 dos 15 DRSs (Departamentos Regionais de Saúde) do interior registraram o recorde histórico de internações em UTI desde o início da pandemia. São elas:

Região, Taxa de Ocupação e data

Marília - 94,4% (2 de junho)
São João da Boa Vista - 93,6% (14 de junho)
Presidente Prudente - 93,5% (9 de junho)
Ribeirão Preto - 93,2% (2 de junho)
Bauru - 89,9% (13 de junho)
Piracicaba - 89,4% (10 de junho)
São José do Rio Preto - 89,4% (15 de junho)
Sorocaba - 89,4% (14 de junho)
Franca - 87,7% (13 de junho)
Araraquara - 86,7% (12 de junho)
Taubaté - 80,1% (5 de junho)

"Nessas 11 regiões, o dia com o maior número de internações na série histórica ocorreu em junho. Outros DRSs estão em estado crítico, como Barretos [ocupação de 97,5%], mas seu pico se deu em abril", afirmou ao UOL o coordenador do Info Tracker e professor da Unesp, Wallace Casaca.

Como as 15 regiões estão com UTIs "colapsando", segundo o pesquisador, a média de ocupação em todo o interior também é a mais alta da série histórica:

casos de Internações UTI interior - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

A média estadual de ocupação só não é maior porque a região metropolitana de São Paulo —onde vivem 9,2 milhões de pessoas, excluindo a capital— está em nível elevado, mas estável:

Região e Taxa de Ocupação

Grande São Paulo Norte - 73%
Grande São Paulo Oeste - 77,5%
Grande São Paulo Sudoeste - 74%
Grande São Paulo Leste - 75,6%
Grande São Paulo Sudeste - 74%

A lotação na capital também está em nível crítico, segundo metodologia da Fiocruz, ao ultrapassar a marca de 80% de ocupação e cravar 82,4%. A melhor notícia fica por conta da Baixada Santista, com lotação na casa de 65,6%, a mais baixa.

Em todo o estado, 11.161 pacientes com covid-19 estavam em UTI em 15 de junho —5.196 apenas no interior.

Quarentena foi flexibilizada cedo demais

Para Casaca, a alta taxa de ocupação se deve em parte ao Plano São Paulo, que teria "deixado de cumprir seu papel de regular a reabertura econômica e os níveis de mobilidade de acordo com a situação pandêmica de cada região".

Ana Marinho, imunologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que a baixa cobertura vacinal aliada à flexibilização da quarentena e às novas cepas do vírus formam uma combinação "que eleva o número de casos", lotando UTIs.

"A redução do isolamento tinha de acontecer à medida que as coberturas vacinais fossem avançando", defende.

Até ontem, 14,3 milhões de pessoas tinham recebido a primeira dose da vacina no estado, o que representa 30,1% da população. Já a segunda dose havia sido aplicada em 5,99 milhões, ou 12,9%.

De acordo com Instituto Datafolha, apenas 30% dos brasileiros acima de 16 anos declararam em maio estar totalmente isolados, contra 49% em março e 72% em abril do ano passado, o recorde.

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