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ES: auditoria aponta que 934 usaram documentos de mortos para tomar vacina

Auditoria aponta irregularidades na vacinação contra covid no Espírito Santo - Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo
Auditoria aponta irregularidades na vacinação contra covid no Espírito Santo Imagem: Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo

Marcus Rocha

Colaboração para o VivaBem, em Vitória

16/06/2021 20h03Atualizada em 17/06/2021 21h26

Uma auditoria do governo do Espírito Santo na campanha de vacinação contra a covid apontou que 934 doses foram aplicadas em pessoas que apresentaram documentos de mortos. A investigação foi feita cruzando dados de pessoas que tomaram os imunizantes com os cadastros de servidores públicos estaduais e do sistema de óbitos do Espírito Santo.

A apuração levantou os dados de 882.505 doses aplicadas entre 12 de janeiro e 18 de maio deste ano. A busca foi desenvolvida pelo Laboratório de Dados, Análise e Tecnologia Aplicada à Auditoria do estado, sendo utilizada pela Secont (Secretaria de Controle e Transparência) e pela gerência de auditoria em saúde da Sesa (Secretaria Estadual da Saúde).

Além do uso de documentos de pessoas mortas, a auditoria indicou 408 casos em que o portador de um mesmo número de CPF teria recebido mais de três doses de vacina. Já 1.240 pessoas tomaram vacinas de diferentes laboratórios nas duas doses.

O secretário Edmar Camata, da Secont, explicou que cada município tem o seu próprio sistema de vacinação. Assim que a pessoa é vacinada, os dados são repassados para o site do Ministério da Saúde. A pessoa pode tomar doses da vacina em várias cidades porque o sistema não é unificado.

"O sistema nacional não consegue contabilizar quantas vezes a pessoa usou o mesmo CPF. Na hora de tomar a vacina, o agente de saúde, às vezes, não confere o número do documento. Isso leva mais tempo na fila", disse o secretário. A reportagem procurou o Ministério da Saúde e aguarda resposta.

"É quase impossível a pessoa digitar o CPF de alguém e acertar de primeira. Estamos verificando se houve crime ou se foi um erro dos sistemas. Mas acreditamos em crime. As pessoas estão fazendo isso para terem acesso aos imunizastes. Vamos verificar junto a Polícia Civil a participação de servidores da saúde", explicou Camata.

Segundo o secretário, haverá uma investigação aprofundada para levantar outras possíveis irregularidades. "Os municípios querem vacinar e o mais rápido possível. O propósito dessas pessoas pode ser desviar as vacinas. Tudo será ainda mais aprofundado para saber se houve mais erros. Os municípios precisam se atentar a coleta de dados dos imunizados", avaliou.

De acordo com o painel vacinômetro do estado, mais de 1.263.952 milhões de capixabas já tomaram a primeira dose da vacina contra a covid e outros 463.319 já foram imunizados com a segunda dose.

11.500 doses em pessoas fora dos grupos prioritários

A checagem do governo do Espírito Santo ainda apontou que 11.582 doses foram aplicadas em pessoas que tinham idade inferior à faixa etária estabelecida para inclusão no grupo prioritário que estava recebendo a imunização a cada etapa.

A ação de controle deve se repetir nos próximos meses. Todos os casos serão encaminhados para a investigação da Polícia Civil que poderá responsabilizar criminalmente as pessoas que cometeram fraude no sistema.

Ministério da Saúde diz que emite alertas

O Ministério da Saúde informou, em nota, que o Sistema do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) emite um alerta para o usuário, informando se já existe o registro de vacinação para o mesmo CPF, para evitar informações duplicadas.

O sistema também conta com o cruzamento de dados de pessoas já falecidas, que constam na base do Cartão Nacional de Saúde, para impedir o registro com os mesmos documentos, apontou o ministério.

"A pasta reforça que orienta a notificação correta da vacinação, conforme a Medida Provisória 1026 e a Portaria nº 69 do Ministério, que estabelecem as regras que devem ser seguidas por estados e municípios", finalizou a Saúde.

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