PUBLICIDADE

Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Saúde

Ex-presidente da Anvisa critica fala de Bolsonaro sobre vacina: 'Ignorante'

Do VivaBem, em São Paulo

16/06/2021 10h26

O ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto criticou, em participação ao UOL News, as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre vacinas contra covid-19.

Ontem, Bolsonaro voltou a atacar a CoronaVac e mentiu mais uma vez ao dizer que a vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac não tem comprovação científica.

O presidente é um ignorante que se sobrepõe todos os dias. Ou seja, ele consegue ultrapassar a ignorância que falou no dia anterior
Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa

Vecina Neto citou os resultados com a vacinação em massa na cidade de Serrana (SP) e e eficácia verificada em testes para reforçar que a imunização é fundamental para evitar mortes na população.

"É uma vacina que protege populações. Ela tem uma eficácia de 50,3%. Se toda a população for vacinada, acontece o que aconteceu em Serrana, cai em 95% o número de mortes", disse.

Neste contexto, Vecina reafirmou que deixar de se imunizar pode trazer consequência para toda a população.

"Não vacinar implica em morrer, e é isso que este presidente está propondo para nós, 'vamos morrer, CoronaVac é uma vacina ruim'. Ruim é a cabeça dele", afirmou.

Vacinas passaram por testes

As vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil foram autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em caráter definitivo —caso da Pfizer e da AstraZeneca— ou de forma emergencial —como a CoronaVac. Todas elas passaram por avaliações do órgão regulador que comprovaram a sua eficácia, qualidade e segurança, após testes clínicos com milhares de pessoas.

A vacinação contra a covid-19 no Brasil começou com a aplicação da CoronaVac, logo após a Anvisa aprovar o uso emergencial do imunizante. Atualmente, segundo dados do Ministério da Saúde, 52,7% das doses distribuídas pelo país são da CoronaVac, 43,4% da AstraZeneca, produzida pela Fiocruz, e 3,9% da Pfizer.

Eficácia das vacinas

A vacina CoronaVac, criticada pelo presidente e bandeira do governador João Doria (PSDB), apresentou eficácia geral de 50,38% para prevenir casos de covid-19, 78% para prevenção de casos leves e 100% para casos moderados e graves da doença.

Nos testes, realizados com 13.060 pessoas, nenhum voluntário vacinado contraiu uma forma grave da covid-19 se contaminado. As taxas de eficácia do imunizante são semelhantes às verificadas em vacinas que já fazem parte do PNI (Plano Nacional de Imunização), como a da gripe.

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) informou em março que a vacina da Pfizer/BioNTech contra a covid-19 tem eficácia de 90% ou mais, em um estudo que leva em conta dados do uso do imunizante no mundo real, isto é, fora dos testes clínicos.

No dia 1º de junho, a OMS (Organização Mundial de Saúde) autorizou o uso emergencial para maiores de 18 anos da CoronaVac. A previsão original da OMS era de que o processo de revisão da CoronaVac fosse concluído em abril. Mas os técnicos da agência pediram mais informações no caso do imunizante usado no Brasil, o que acabou arrastando o processo.

Saúde