PUBLICIDADE

Topo

12 erros comuns que cometemos durante a higiene bucal

iStock
Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

01/06/2021 04h00

Escovar os dentes sempre depois que comer alguma coisa. Usar fio dental. Escolher de forma consciente a escova ideal para a sua boca e o creme dental correto. E o enxaguante bucal, pode quantas vezes?

Cuidar da saúde da boca parece simples, mas requer um pouco de atenção aos muitos detalhes que fazem toda a diferença. E é bastante comum que alguns erros que você nem imagina que existam possam estar comprometendo a eficácia da sua higiene. Confira alguns deles:

Escovar os dentes muito rápido/de forma superficial

A razão principal da escovação é remover a placa bacteriana —aquela película fina que se forma nos dentes com restos de alimentos e bactérias (também chamada de biofilme dental). Quando essa película não é removida, ela provoca doenças na gengiva e até cáries.

O problema é que, se você escovar de forma superficial ou muito rapidamente, essa película não vai sair por inteiro —pondo em risco seus dentes. Assim, em média, uma boa escovação dura cerca de dois minutos. Mas essa conta não inclui o uso do fio dental. Pode parecer pouco, mas acredite: as chances de você estar escovando por menos tempo são grandes.

escovar os dentes, escovação com força - iStock - iStock
Imagem: iStock

Colocar força excessiva na escovação

A escovação é um processo mecânico que remove o biofilme da superfície dos dentes, mas algumas pessoas acham que precisam colocar força nessa ação para que a limpeza seja mais eficiente, e isso não é verdade.

Uma força de leve a moderada já é suficiente para conseguir limpar bem a superfície dental sem machucar a gengiva. Uma boa medida a ser observada é a movimentação do braço: se ele estiver mexendo demais, a força está acima do necessário.

Escovar com muita força não apenas não ajuda como pode ainda criar outros problemas. Além de machucar as gengivas (favorecendo o aparecimento de infecções), elas também podem acabar se retraindo por conta da agressão, aumentando a sensibilidade nos dentes.

Não escovar a língua

Poucas pessoas têm esse hábito, mas ele é um passo importante da higiene bucal. Isso porque ela também pode ficar suja —sua textura, inclusive, favorece o acúmulo de restos de alimento e saliva, criando o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias que podem causar mau hálito e ainda provocar a formação de cáries e placa bacteriana.

Por isso, o recomendado é que a língua receba a limpeza ao final da escovação com a própria escova ou com o uso de raspador de língua, que também ajuda a limpar a região de forma eficiente.

Não usar fio dental

Sim, é um trabalho de limpeza um pouco mais refinado e que exige tempo para ser feito. Mas passar o fio dental é uma parte essencial da limpeza bucal e precisa ser feito em todas as escovações.

E isso por dois motivos: o primeiro e mais conhecido é que ele remove pedaços de alimentos que tenham ficado presos entre os dentes.

Mas não é só isso. O fio dental também serve para limpar o sulco gengival —o espaço entre o dente e a gengiva e onde a escova de dentes não chega. O acúmulo de placa nessa região é a causa mais comum de doenças periodontais, como a gengivite (uma inflamação na gengiva).

A principal característica desse tipo de doença são sangramentos na gengiva. É muito comum que se evite usar o fio dental justamente para evitar o sangramento —quando, na verdade, é a falta de uso dele que ocasiona o problema.

Escovar os dentes muitas vezes ao dia

Mais do que quantidade, o que importa é a qualidade da higiene bucal. Por isso, não é necessário repetir o processo muitas vezes. A orientação padrão é de que três escovações bem feitas por dia são suficientes para um bom controle de placa bacteriana. Geralmente, são feitas após as três grandes refeições do dia (café da manhã, almoço e jantar).

Escovar os dentes logo depois de comer

Sim, você deve fazer a higiene após as refeições. Mas a recomendação é esperar entre 20 e 30 minutos para iniciar o processo. É o tempo necessário para que a saliva entre em ação e neutralize a acidez gerada na boca pelos alimentos.

A escovação nesse período, enquanto a boca ainda está ácida, pode prejudicar o dente, corroendo o esmalte e aumentando a sensibilidade. Por isso, o máximo permitido é usar o fio dental enquanto espera.

Mas, atenção: não prolongue demais essa espera. Uma ou duas horas de espera já são suficientes para aumentar o risco de desenvolver doenças periodontais e cáries.

Só usar creme dental branqueador

Na tentativa de deixar os dentes mais claros, algumas pessoas optam por um creme dental com efeito clareador —que geralmente possuem partículas abrasivas maiores e agem como uma espécie de "lixa" na superfície do dente.

O problema é que, se usado de forma frequente por muito tempo, sem acompanhamento de um profissional, ele tende a desgastar o esmalte dos dentes, provocando sensibilidade e até erosão.

Por isso, os especialistas são categóricos em não recomendar o uso desse tipo de produto sem a supervisão de um especialista. Geralmente, esse tipo de creme dental pode ser usado por um período de tempo para potencializar o tratamento feito em consultório, mas sempre sob a orientação do dentista.

pasta de dente, creme dental na escova - iStock - iStock
Imagem: iStock

Usar muito creme dental

Cobrir a cabeça da escova de dente com creme dental —igual aos comerciais de pasta de dente mostravam antigamente— não é nem nunca foi necessário. Na verdade, o excesso de pasta pode até atrapalhar a escovação, além, é claro, de ser um desperdício de produto.

O recomendado é que os adultos usem o equivalente a um grão de ervilha; já as crianças podem usar o equivalente a um grão de arroz.

Substituir escovação por enxaguante bucal

Sim, fazer um bochecho é mais simples e rápido do que uma escovação completa. Mas o enxaguante bucal não substitui escova e fio dental e não remove o acúmulo de placa dos dentes.

Na verdade, o enxaguante bucal deve ser visto como um complemento da escovação e usado apenas sob orientação. Isso porque, dependendo do produto escolhido e da frequência utilizada, ele pode provocar alterações no paladar e até manchar os dentes.

Escolher a escova errada

Algumas pessoas acham que precisam de escovas robustas —grandes e com cerdas firmes— para fazer uma escovação efetiva. Isso não é verdade.

A escova ideal é aquela que cabe na sua boca e consegue alcançar todos os dentes (especialmente os do fundo) —e elas costumam ter a cabeça no tamanho pequeno ou médio.

Além disso, as cerdas devem ser macias ou extramacias, garantindo que a gengiva não seja machucada durante a escovação. Vale também ficar de olho na quantidade de cerdas: quanto maior a densidade de tufos (ou seja, quanto mais "cheias" elas forem), melhor.

Por fim, os requisitos para a escova ideal podem mudar ao longo da vida. Queda de dentes, próteses e outros fatores devem ser levados em conta na hora da escolha, e o melhor é buscar a orientação de um dentista para entender qual é a melhor escova para as suas necessidades.

Não trocar a escova quando ela fica velha

Quando o acessório estiver com as cerdas esgarçadas e com a coloração alterada, é hora de considerá-la imprópria para uso, já que sua eficiência estará comprometida.

Geralmente, uma escova dura entre 60 e 90 dias —mas isso pode variar de acordo com a força utilizada na hora da escovação. O ideal, então, é monitorar visualmente o aspecto das cerdas. Quando elas começarem a ficar abertas, é hora de trocar.

dentista, higiene bucal - iStock - iStock
Imagem: iStock

Só ir ao dentista quando tem algum problema

Hoje, o consenso é que as pessoas busquem o dentista de forma preventiva, ou seja, que visitem o consultório para receber orientações individualizadas para controlar a placa bacteriana, realizar uma limpeza e fazer aplicação de flúor para prevenir o aparecimento de cáries.

Para pacientes que possuem uma boa rotina de higiene bucal e não apresentam nenhum tipo de doença, a visita pode ser feita a cada seis meses. Isso, no entanto, pode mudar de acordo com a avaliação do especialista e com as necessidades em cada fase da vida.

Mas pacientes que possuem alguma comorbidade (como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e obesidade) podem ter essa frequência aumentada como forma de controlar o surgimento de infecções que podem prejudicar a saúde.

Tenha uma boca saudável

Essa reportagem faz parte da campanha de VivaBem Tenha Uma Boca Saudável, que tem como objetivo explicar como e por que é importante manter uma boa higiene oral. Também abordaremos erros comuns na escovação, câncer oral, como a saúde mental afeta os dentes, os limites dos procedimentos estéticos e corretivos, saúde bucal das crianças e de gestantes, entre outros assuntos. Confira todo o conteúdo da campanha aqui.

Essa é a segunda campanha de uma série de VivaBem que, ao longo do ano, trará conteúdos temáticos para auxiliar no combate a problemas que muitas pessoas enfrentam no dia a dia e contribuir para que você tenha mais saúde e bem-estar.

A primeira foi Supere a Depressão Pós-Parto, realizada em março. Confira tudo o que rolou nela.

Fontes: Bruna Conde, cirurgiã-dentista especialista em periodontia, de São Paulo; Mariana Fogacci, especialista em periodontia e professora adjunta da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco); Paulo Bonan, professor do curso de odontologia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e especialista do Hospital Universitário Lauro Wanderley, da Rede Ebserh.