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Alimentação no pós-parto: o que comer para ter uma boa recuperação?

Alimentação natural e sem processados é a recomendação dos nutricionistas para o período do pós-parto - iStock
Alimentação natural e sem processados é a recomendação dos nutricionistas para o período do pós-parto Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

01/06/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Mulheres devem priorizar alimentos frescos e evitar processados no pós-parto
  • Além das vitaminas, cálcio, ferro e ômega 3 são nutrientes importantes durante o período
  • É importante que a mulher se hidrate bem, ingerindo pelo menos 2L de água (sem contar líquidos, como sucos e chás) por dia

Os nove meses se passaram e o bebê está, finalmente, no seu colo. Além de cuidar da criança e aprender a navegar por uma nova vida, a mulher também enfrentará uma nova mudança corporal, já que o organismo irá trabalhar para voltar ao seu estado original antes da gestação. Nesse período, que inclui também o início da amamentação, é importante que a mulher dedique um tempo especial à alimentação. O aporte de nutrientes é fundamental para uma boa recuperação no puerpério (que se inicia logo após a saída da placenta —fato que ocorre quando a mulher dá à luz — e dura de 40 a 45 dias).

No geral, a manutenção de uma alimentação saudável, composta por todos os grupos alimentares, com alimentos variados e frescos, é suficiente para ajudar a mulher nesse processo. Caso seja necessária a suplementação, ela deve ser avaliada de forma individual com o médico especialista que acompanha a paciente.

Prioridade: comida de verdade

Uma das principais recomendações é que a mulher evite alimentos ultraprocessados e passe longe de comidas ricas em gorduras, sódio e açúcares —como fast-food e as comidas congeladas prontas.

Isso porque o consumo frequente desses alimentos cria um efeito inflamatório no corpo, que luta para combater os efeitos negativos dos processados no organismo e fica exaurido. A orientação, então, é privilegiar alimentos frescos e refeições preparadas na hora, em casa.

Nesse contexto, todos os nutrientes são importantes. Mas alguns têm destaque:

  • Vitamina A: encontrada em vegetais amarelados e alaranjados, é importante para a saúde do sistema visual da mulher. Como ocorre uma grande transferência para o bebê pelo leite materno até os seis meses, é recomendado que a mulher reforce a ingestão para não sofrer com a deficiência do nutriente;
  • Vitamina C: encontrada principalmente nas frutas cítricas (e também no morango, no caju e na acerola), tem função antioxidante e auxilia na recuperação do corpo após o estresse causado pelo parto, além de ajudar na fixação do ferro no organismo;
  • Cálcio: é fundamental para a saúde dos ossos e dentes da mãe e do bebê; por isso, a recomendação é que a mulher inclua de três a quatro porções por dia de leite e derivados ou outras fontes (sementes como chia e nozes);
  • Vitamina E: também tem efeito antioxidante e ainda atua na recuperação do sistema hormonal da mulher. A vitamina E pode ser encontrada no fígado, na gema de ovo e no azeite de oliva;
  • Ferro: presente na carne vermelha, leguminosas (como ervilha e lentilha) e também nos vegetais verde-escuros, é importante para ajudar a repor após a perda de sangue durante o parto;
  • Ômega 3: presente em peixes como sardinha e atum, além das oleaginosas, ômega 3 é importante para evitar a inflamação do corpo e ainda auxiliar no desenvolvimento do cérebro do bebê ao passar pelo leite materno.

Ajudando a cicatrização

As mulheres que passaram por um parto cesárea ou que sofreram alguma laceração no períneo durante o parto normal vão precisar de nutrientes que auxiliem no processo de cicatrização do corpo.

A orientação, então, é ingerir alimentos ricos em vitamina K, que atua na fixação do cálcio e no sistema de coagulação sanguínea, e vitamina E, além dos minerais selênio e zinco.

Hidratação é fundamental

Tanto para a recuperação do corpo como para a amamentação, a ingestão de água é fundamental nessa fase. A hidratação vai ajudar no bom funcionamento do intestino (uma queixa comum nas puérperas) e ainda na formação de um bom volume de leite materno.

A orientação é focar na água mesmo —sucos e chás podem ingeridos desde que como complemento, nunca fonte principal de líquidos. A quantidade recomendada gira em torno de 30 a 50 ml de água por quilo da mulher. Ou seja, se ela pesar 70 kg, o consumo ideal fica entre 2,1 litros a 3,5 litros.

Pode parecer muito, mas lembre-se: se você estiver amamentando, a prioridade do corpo é direcionar os líquidos para a formação do leite materno, o que pode prejudicar a hidratação do próprio corpo.

Fontes: Angelica Grecco, nutricionista do Instituto EndoVitta, em São Paulo; Carolina Curci, ginecologista e obstetra de São Paulo; Nathalia Melo, nutricionista clínica, docente e pesquisadora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco; Viviane Gomes, nutricionista do Hospital San Gennaro, em São Paulo.